《Minha Sogra Cortou Meu Cabelo E Se Arrependeu》Parte 5

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Olívia passou a primeira noite longe da mansão Montenegro em um pequeno quarto de uma pousada simples no centro de São Paulo.

Ela colocou a mala no chão.

A mesma mala que Vitória havia jogado na frente dela.

Por alguns minutos, ficou parada olhando para o próprio reflexo no espelho.

O cabelo cortado de qualquer maneira lembrava tudo que tinha acontecido.

A humilhação.

A vergonha.

A sensação de ter sido arrancada de um lugar onde ela nunca realmente foi aceita.

Mas, pela primeira vez em muitos dias, ela não sentia medo.

Sentia clareza.

Porque agora ela entendia uma coisa.

Vitória nunca quis apenas afastá-la de Eduardo.

Havia algo maior.

Algo que a assustava.

Olívia abriu o notebook.

Na tela estavam os documentos que ela tinha encontrado antes de ser expulsa.

Meses atrás, enquanto ajudava Eduardo a organizar alguns relatórios da Montenegro Participações, ela percebeu algumas diferenças nos registros financeiros.

No começo, achou que eram apenas erros administrativos.

Valores pequenos.

Transferências antigas.

Contas sem explicação clara.

Mas quanto mais ela analisava, mais percebia que havia um padrão.

Eram movimentações escondidas.

Dinheiro saindo da empresa sem aparecer nos relatórios principais.

Ela nunca imaginou que aquilo pudesse ser tão importante.

Até Vitória descobrir que ela estava investigando.

Olívia abriu uma pasta digital.

Dentro dela havia cópias de documentos antigos.

Contratos.

Relatórios.

Extratos.

E uma lista de transferências feitas vinte anos atrás.

Ela respirou fundo.

"Por que isso incomoda tanto a Vitória?"

A resposta parecia estar diante dela.

Mas ainda faltava uma peça.

Enquanto isso, na mansão Montenegro, Eduardo continuava no escritório da família.

Ele havia passado horas analisando os documentos.

Cada informação mudava a forma como ele via a própria história.

A mulher que sua mãe chamava de interesseira tinha passado a vida inteira construindo algo por conta própria.

A mulher que Vitória dizia não ter valor tinha conquistado reconhecimento nacional.

E agora havia outra questão.

Por que Olívia estava investigando documentos da empresa?

Eduardo precisava ouvir dela.

Ele pegou o celular.

Escreveu uma mensagem.

Apagou.

Escreveu novamente.

Apagou outra vez.

Ele não sabia como começar.

Como pedir desculpas por algo que parecia impossível de reparar?

No final, mandou apenas uma frase.

"Olívia, eu preciso falar com você."

Ela viu a mensagem alguns minutos depois.

Mas não respondeu.

Na mansão, Vitória percebeu que o filho estava diferente.

Mais distante.

Mais frio.

Ela entrou no escritório sem bater.

"Você ainda está pensando nela."

Eduardo não levantou os olhos.

"Ela é minha esposa."

Vitória cruzou os braços.

"Uma esposa que escondia coisas de você."

Eduardo finalmente olhou para ela.

"Ou uma esposa que tentava descobrir coisas que você escondia de todos."

A frase atingiu Vitória.

Por alguns segundos, ela ficou em silêncio.

Eduardo percebeu.

E aquilo confirmou algo.

Sua mãe sabia mais do que dizia.

"Vitória, o que aconteceu em 2004?"

Ela mudou completamente a expressão.

"Quem falou esse ano para você?"

Eduardo ficou surpreso.

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Ele não esperava aquela reação.

"Então existe algo."

Vitória respirou fundo.

"Você não sabe do que está falando."

"Então me explique."

Ela caminhou até a janela.

"Algumas coisas do passado devem continuar no passado."

Eduardo se aproximou.

"Meu pai estava envolvido?"

Vitória ficou imóvel.

O silêncio respondeu mais do que qualquer palavra.

Naquele momento, Eduardo percebeu que o segredo não era apenas financeiro.

Era familiar.

Era algo que sua mãe tinha protegido durante anos.

Enquanto isso, Olívia decidiu procurar uma pessoa.

Um antigo contador da Montenegro Participações.

O nome dele aparecia nos documentos antigos.

Augusto Ferreira.

Ele havia trabalhado para a família durante quase trinta anos.

Mas desapareceu dos registros depois de 2004.

Olívia pesquisou.

Descobriu que ele morava em uma pequena cidade do interior de São Paulo.

Ela ligou.

Depois de várias tentativas, alguém atendeu.

"Alô?"

Olívia ficou em silêncio por um instante.

"Senhor Augusto Ferreira?"

A voz do outro lado ficou desconfiada.

"Quem quer saber?"

"Meu nome é Olívia Ribeiro Almeida. Eu preciso conversar sobre a Montenegro Participações."

Houve silêncio.

Um silêncio longo.

Então ele respondeu:

"Você é a esposa do Eduardo?"

Ela ficou surpresa.

"Sim."

A respiração dele mudou.

"Então eles finalmente descobriram que alguém estava procurando."

Olívia sentiu um arrepio.

"Procurando o quê?"

O homem demorou alguns segundos.

Depois respondeu:

"Você não sabe onde está se metendo."

A ligação caiu.

Olívia ficou olhando para o telefone.

Aquela frase confirmou tudo.

Havia algo escondido.

Algo que fazia pessoas terem medo até de falar.

Naquela noite, ela recebeu uma mensagem de um número desconhecido.

Sem nome.

Sem foto.

Apenas uma frase.

"Pare de procurar os documentos de 2004."

Olívia sentiu o coração acelerar.

Outra mensagem chegou.

"Você já perdeu sua casa. Não perca sua vida tentando descobrir uma verdade que não pertence a você."

Ela segurou o celular.

Pela primeira vez desde que saiu da mansão, sentiu medo.

Mas não o medo de Vitória.

Era outro tipo de medo.

O medo de estar mexendo em algo muito maior do que imaginava.

Na manhã seguinte, Eduardo recebeu uma ligação do departamento financeiro da empresa.

Ele atendeu imediatamente.

"Eduardo, encontramos uma irregularidade nos arquivos antigos."

Ele se levantou.

"Que tipo de irregularidade?"

O funcionário hesitou.

"Existem transferências de uma conta que não aparece no sistema atual."

Eduardo ficou em silêncio.

"De quando?"

A resposta veio baixa.

"De vinte anos atrás."

Ele fechou os olhos.

Era exatamente o período que sua mãe tentou impedir que ele investigasse.

"Quem tinha acesso a essa conta?"

Do outro lado da linha, o funcionário respondeu:

"Além do antigo presidente da empresa... apenas uma pessoa."

Eduardo sentiu um frio no estômago.

"Quem?"

Antes que o funcionário respondesse, a ligação ficou muda por alguns segundos.

Então veio a resposta.

Um nome.

Um nome que fez Eduardo perceber que toda a história da sua família poderia estar construída sobre uma mentira.

E naquele momento ele entendeu:

Vitória não tinha expulsado Olívia porque ela era uma mulher simples.

Ela tinha expulsado Olívia porque ela estava perto demais da verdade.

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