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《O Último Tango em Lisboa》Capítulo 8

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O eco da risada sádica de Duarte ainda reverberava pelas paredes de pedra quando Matheus e Inês emergiram do corredor subterrâneo. A luz implacável do sol da manhã no Alentejo chocou-se violentamente contra a penumbra da adega, forçando-os a pestanejar enquanto o ar quente e seco preenchia os seus pulmões.

Aproximando-se pelo pátio arruinado da Quinta, os seguranças de Duarte fecharam o cerco com armas erguidas e miras laser cravadas nos seus peitos. Eram capangas leais e endurecidos, veteranos de operações secretas que bloqueavam todas as rotas de fuga ao redor da ruína.

"Larguem as armas imediatamente e ponham as mãos na cabeça, a menos que queiram virar peneiras", ordenou Duarte, surgindo de trás de uma pilastra com um sorriso cínico no rosto.

O comissário reformado vestia um terno impecável, ostentando um ar de superioridade absoluta como se o império de sangue que construíra jamais pudesse ruir. Matheus trocou um olhar rápido e silencioso com Inês, transmitindo através dos olhos âmbar um plano mortal que exigia precisão absoluta.

"Não vale a pena continuarmos com esta farsa, Duarte, os arquivos e as provas já foram transmitidos", blefou Matheus com uma frieza imperturbável, dando um passo à frente.

"Os vossos ficheiros não valem absolutamente nada quando estiverem enterrados sob metros de terra alentejana, meu caro ex-agente", retorquiu Duarte, fazendo um gesto enérgico para os seguranças avançarem.

Matheus ergueu as mãos lentamente, fingindo render-se para desviar toda a atenção dos capangas armados para a sua própria figura. "Leva-me a mim como refém e deixa a miúda ir em paz, pois ela não sabe de nada", propôs ele, agindo como um chamariz perfeito.

Duarte riu com desdém, achando graça àquela tentativa desesperada de barganha. "Ninguém vai sair vivo daqui, Matheus, vocês representam a última ponta solta do meu império", sibilou o comissário.

No exato segundo em que a atenção dos seguranças se concentrou inteiramente na rendição voluntária de Matheus, Inês fundiu-se com as sombras da parede arruinada. Movida pelo treino visceral que seu pai gravara nos seus reflexos mais profundos, ela deslizou silenciosamente pelo flanco esquerdo da formação inimiga.

O primeiro segurança nem sequer percebeu a sua aproximação antes de Inês neutralizá-lo com um golpe seco na base do pescoço, tomando-lhe a arma. "Um a menos", sussurrou ela para si mesma, usando o conhecimento tático herdado para rodear os capangas restantes por trás.

Duarte continuava a aproximar-se de Matheus, apontando a pistola diretamente à testa do ex-agente com um brilho sádico nos olhos. "Diz as tuas últimas palavras, Matheus, antes de eu apagar o único homem que tentou desafiar-me", zombou o comissário.

Antes que Duarte pudesse puxar o gatilho, um estampido seco cortou o ar da manhã, fazendo o segundo segurança de Duarte tombar na poeira com um tiro certeiro no ombro. "Larguem as armas agora mesmo!", gritou Inês, emergindo de chofre com a pistola fumegante apontada diretamente para o centro do grupo.

Os seguranças restantes hesitaram por uma fração de segundo, divididos entre proteger o chefe e responder ao fogo cruzado inesperado. Matheus aproveitou o vacilo coletivo para desferir um gancho brutal no queixo do capanga mais próximo, arrancando-lhe a arma das mãos.

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A confusão instalou-se no pátio da Quinta, com tiros picotados a estilhaçarem os escombros e a levantarem nuvens de poeira seca. Em poucos segundos, os seguranças de Duarte jaziam imobilizados ou em fuga precipitada, deixando o corrupto comissário completamente expuesto.

Duarte recuou apavorado, tentando erguer a sua arma, mas as suas mãos trêmulas traíram-no diante do avanço implacável de Inês. Ela caminhou firmemente na direção dele, com os olhos verdes brilhando numa fúria gélida e inegociável.

O comissário caiu de joelhos na poeira, engolindo em seco enquanto encarava o cano da pistola a poucos centímetros do seu rosto. "Tu... tu não tens coragem para fazer isto, és apenas uma restauradora de livros", gaguejou Duarte, com o suor frio a escorrer-lhe pela testa.

"Eu já não sou a rapariga que vocês enganaram durante vinte anos", disse Inês com uma voz mortalmente calma que fez o sangue de Duarte gelar.

Sem hesitar um único instante, Inês puxou o gatilho, disparando uma bala certeira diretamente contra o joelho direito do comissário corrupto. Um grito de agonia insuportável rasgou a garganta de Duarte, que tombou de lado, agarrando a perna destroçada enquanto gemia de dor na terra.

"Isto é pelo Álvaro, pelos meus pais e por todas as vidas que destruíste com a tua ganância", sentenciou Inês, mantendo a arma firme.

Duarte contorcia-se na poeira, rindo histericamente de forma descontrolada enquanto tossia sangue e suor. "Podes matar-me... podes rebentar-me os ossos todos... mas já vais tarde demais", gaguejou ele entre tosses e caretas de dor.

"O que é que queres dizer com isso?", exigiu Inês, aproximando-se um pouco mais para o forçar a falar.

"O Mestre... o verdadeiro cérebro e cabeça do sindicato... já está a embarcar num jato privado rumo à liberdade a partir de Lisboa", riu Duarte, com os olhos arregalados pela loucura. "Vocês nunca o vão alcançar a tempo."

Inês olhou para Matheus, que se aproximava com o passo pesado e o corpo ferido, mas com o olhar completamente focado na urgência do momento. "O aeródromo privado... temos de apanhá-lo antes levante voo", avisou Matheus, respirando com dificuldade.

Inês deu as costas ao comissário agonizante, recusando-se a gastar mais uma única bala com aquele verme patético. "Fica aí a sangrar com a tua própria miséria, Duarte", disse ela sem olhar para trás.

Ela correu para ajudar Matheus, apoiando o peso do corpo dele contra o seu próprio ombro para o guiar até ao carro de fuga. Deixando Duarte abandonado na poeira do Alentejo, eles aceleraram rumo à última e mais perigosa paragem daquela guerra.

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