localização atual: Novela Mágica Moderno A Menina Que Só Queria Pão Parte 7

《A Menina Que Só Queria Pão》Parte 7

PUBLICIDADE

Mariana segurou o envelope por vários segundos sem conseguir abri-lo.

O nome de sua mãe estava escrito na frente com uma caligrafia firme, quase severa.

Isabela Montenegro Vasconcelos.

Aquele era o nome que Laura Oliveira tinha tentado apagar durante vinte e dois anos.

Helena permaneceu ao lado da mesa.

Seus olhos não saíam da letra do marido.

"Eu conheço essa caligrafia."

Mariana ergueu o rosto.

"Você quer abrir?"

Helena balançou a cabeça.

"Foi escrita para sua mãe."

"Mas ela nunca recebeu."

"Não."

Mariana olhou para Marcelo.

"Por quê?"

O advogado respirou fundo.

"Augusto me entregou essa carta pouco antes de morrer."

"Há quanto tempo?"

"Quatorze anos."

"E você guardou até agora?"

"Essa era a instrução."

Mariana apertou o envelope.

"Qual instrução?"

Marcelo respondeu:

"Entregar a Isabela caso ela voltasse."

"Ela não voltou."

"Não."

"Então por que está entregando para mim?"

Marcelo olhou para o resultado do DNA sobre a mesa.

"Porque você é filha dela."

Eduardo deu um passo à frente.

"Talvez devêssemos fazer isso em outro momento."

Mariana virou imediatamente.

"Você está com medo do que tem aqui?"

"Não."

"Então pare de tentar impedir."

Carolina segurou o braço do marido.

"Eduardo, deixa."

Ele não respondeu.

Mariana rasgou o envelope.

Dentro havia quatro folhas.

O papel estava amarelado nas bordas.

Ela começou a ler em silêncio.

Depois parou.

Seu rosto mudou.

Helena percebeu.

"O que foi?"

Mariana levantou os olhos.

"Ele começa pedindo perdão."

Helena fechou os olhos.

"Leia."

Mariana hesitou.

"Tem certeza?"

"Leia."

Ela respirou fundo.

"Isabela, se você estiver lendo isso, significa que finalmente conseguiu voltar para um lugar de onde eu nunca deveria ter expulsado você."

Helena levou a mão à boca.

Mariana continuou.

"Passei anos dizendo a mim mesmo que fiz tudo para proteger nossa família. Hoje sei que essa foi apenas a desculpa que usei para não admitir que tentei controlar a sua vida."

Carolina baixou os olhos.

Eduardo permaneceu imóvel.

"Eu desprezei Rafael Oliveira porque ele não pertencia ao mundo que eu havia escolhido para você."

Mariana sentiu a garganta apertar.

Pela primeira vez, via o nome do pai escrito por alguém que realmente o conhecera.

"Eu estava convencido de que um rapaz sem dinheiro, sem sobrenome e sem influência destruiria seu futuro."

Mariana parou.

Helena sussurrou:

"Continue."

Ela virou a folha.

"Por isso, cometi a pior decisão da minha vida."

O silêncio na sala ficou pesado.

Mariana sentiu o coração acelerar.

"Quando uma auditoria encontrou desvios em uma das contas do grupo, eu permiti que documentos fossem alterados para fazer Rafael parecer envolvido."

Helena recuou.

"Não."

Mariana levantou os olhos.

Helena estava branca.

"Ele fez isso."

"Não."

"Está escrito."

"Augusto me jurou que Rafael estava envolvido."

Mariana voltou à carta.

"Ele mentiu."

Helena se apoiou no sofá.

"Meu Deus."

Marcelo se aproximou, mas ela levantou a mão.

"Não."

Mariana continuou lendo.

"Rafael nunca roubou o Grupo Montenegro. Eu sabia disso."

A frase atingiu Helena como um golpe.

PUBLICIDADE

Ela sentou.

"Augusto..."

Mariana apertou as folhas.

"Ele sabia."

A raiva começou a substituir a tristeza.

"Ele sabia que meu pai era inocente."

Helena chorava.

"Eu não sabia."

"Mas seu marido sabia."

"Mariana..."

"E deixou um homem ser preso."

"Eu não sabia!"

A voz de Helena ecoou pela sala.

Mariana ficou em silêncio.

Helena respirava com dificuldade.

"Augusto me disse que havia provas."

"Porque ele fabricou as provas."

"Eu acreditei nele."

Mariana soltou uma risada amarga.

"Todo mundo nesta família sempre acredita em alguém quando já é tarde demais."

Helena sentiu a frase.

Mariana voltou à carta.

Havia mais.

"Eu acreditava que, depois do susto, Rafael se afastaria e você voltaria para casa."

Ela parou.

"Mas aconteceu o contrário."

Virou a página.

"Você desapareceu com ele."

Helena chorava em silêncio.

"Quando finalmente percebi que tinha ido longe demais, já não conseguia encontrar vocês."

Mariana apertou os dentes.

"Conveniente."

Marcelo olhou para ela.

"Continue."

Mariana leu:

"Meses depois, soube do acidente de Rafael."

Ela parou.

A sala inteira pareceu prender a respiração.

"Que acidente?"

Helena perguntou.

Mariana continuou.

"Disseram que o carro dele saiu da estrada durante a madrugada."

Ela sentiu um frio no corpo.

"Quando recebi a notícia, pensei que você jamais me perdoaria."

Mais uma linha.

Mariana estreitou os olhos.

Então leu em voz alta:

"Eu destruí a confiança da minha filha. Mas não matei Rafael."

Ninguém se mexeu.

Helena levantou lentamente o rosto.

"O que ele quis dizer?"

Mariana continuou lendo.

"Não provoquei o acidente. Não mandei ninguém seguir Rafael naquela noite. Não queria a morte dele."

Eduardo desviou os olhos.

Mariana percebeu.

"Por que você olhou para o lado?"

Ele voltou a encará-la.

"Não olhei."

"Olhou."

"Mariana, você está procurando culpados em cada movimento."

"Meu pai foi incriminado por esta família e depois morreu."

Eduardo respondeu:

"Segundo a carta, Augusto não teve relação com a morte."

"Segundo Augusto."

Ela levantou as folhas.

"O homem que acabou de confessar que falsificou provas."

Eduardo ficou calado.

Mariana terminou a carta.

Augusto dizia ter tentado encontrar Isabela depois do acidente.

Investigadores foram contratados.

Contatos foram feitos.

Mas ela havia desaparecido usando outro nome.

No último parágrafo, ele admitia algo que Helena nunca imaginara ouvir do marido.

"Eu passei a vida protegendo um sobrenome e terminei meus dias entendendo que um sobrenome não abraça ninguém."

Helena cobriu o rosto.

Mariana continuou:

"Se algum dia você puder me perdoar, não faça isso porque eu mereço."

Sua voz ficou mais baixa.

"Faça apenas se isso libertar você da raiva que eu coloquei dentro da nossa família."

Era a última frase.

Mariana colocou as folhas sobre a mesa.

Helena chorava.

"Ele nunca me contou."

Mariana olhou para ela.

"Nunca?"

"Não."

"Nem quando estava morrendo?"

"Não."

Helena balançou a cabeça.

"Ele me deixou acreditar que Rafael realmente tinha roubado a empresa."

Mariana sentiu a raiva crescer.

"Então ele morreu confessando para um papel."

Helena levantou os olhos.

PUBLICIDADE

"Mariana."

"É sempre assim?"

"O quê?"

"Vocês fazem coisas terríveis e depois escrevem cartas?"

Helena ficou imóvel.

"Minha mãe deixou uma carta quando estava morrendo."

Mariana apontou para as folhas.

"Augusto deixou outra."

Sua voz tremeu.

"Todo mundo pede desculpas quando a pessoa que precisava ouvir já não está mais ali."

"Eu sei que você está com raiva."

"Não."

Mariana pegou a carta.

"Você não sabe."

Ela começou a chorar.

"Meu pai passou a vida sendo chamado de ladrão por causa desse homem."

"Eu sinto muito."

"Isso não muda nada."

"Eu sei."

"Pare de dizer que sabe!"

Helena recuou.

Mariana respirou fundo.

"Eu passei a vida inteira achando que meu pai tinha morrido antes de eu nascer."

Olhou para Augusto na fotografia sobre a estante.

"Agora descubro que ele foi preso por uma mentira e morreu depois de ser perseguido pela família da minha mãe."

Eduardo interrompeu:

"A carta não diz que ele foi perseguido depois."

Mariana virou para ele.

"Por que isso é tão importante para você?"

Eduardo ficou em silêncio.

"Desde que eu cheguei, você tenta controlar cada conversa."

"Estou tentando evitar conclusões irresponsáveis."

"Então me ajude a encontrar a verdade."

"Como?"

"Quero o relatório do acidente."

Eduardo endureceu.

Marcelo respondeu:

"Posso tentar localizar."

"Quero tudo."

Mariana olhou para o advogado.

"Boletim de ocorrência. Laudo. Hospital. Local do acidente."

"Já se passaram vinte e dois anos."

"Então comece hoje."

Naquela tarde, Mariana deixou a mansão.

Helena insistiu em acompanhá-la.

O destino era a Mooca.

Marcelo havia encontrado um endereço antigo ligado a Rafael.

A oficina onde ele trabalhara ainda existia.

O nome tinha mudado.

O prédio também.

Mas um dos antigos funcionários continuava morando no bairro.

Seu nome era Antônio Batista.

Tinha setenta e quatro anos.

Quando Mariana bateu à porta de uma pequena casa perto da Rua dos Trilhos, foi um homem de cabelos completamente brancos quem abriu.

"Seu Antônio?"

"Sou eu."

"Meu nome é Mariana Oliveira."

Ele esperou.

"Eu sou filha de Rafael Oliveira."

O rosto do velho mudou.

Ele segurou o portão.

"Filha de quem?"

"Rafael."

Antônio olhou para Helena.

Depois voltou para Mariana.

"Entre."

A sala era pequena.

Fotografias antigas cobriam uma parede.

Antônio sentou devagar.

"Eu achei que nunca veria alguém da família dele."

Mariana se inclinou.

"O senhor conhecia meu pai?"

"Trabalhei ao lado dele quase seis anos."

"Ele era ladrão?"

Antônio bateu a mão no braço da cadeira.

"Nunca."

Mariana sentiu os olhos arderem.

"Então o senhor sabia."

"Todo mundo da oficina sabia."

"Ele falou sobre minha mãe?"

Antônio olhou para Helena.

"Isabela."

Helena ficou tensa.

"Você sabia o nome dela?"

"Rafael falava dela o tempo inteiro."

Mariana segurou a pulseira.

"Eu preciso saber como ele morreu."

Antônio ficou em silêncio.

"Por favor."

O velho se levantou.

Foi até um armário.

Abriu uma gaveta.

"Primeiro me diga uma coisa."

Mariana esperou.

"Quem contou para você que Rafael morreu naquele acidente?"

"Minha mãe."

Antônio balançou a cabeça lentamente.

"Então Isabela também acreditou."

Helena se levantou.

"Acreditou em quê?"

O velho fechou a gaveta.

"Rafael não morreu onde a polícia disse que morreu."

Mariana sentiu o chão desaparecer.

"Como assim?"

Antônio não respondeu imediatamente.

Retirou uma caixa velha.

Colocou sobre a mesa.

Dentro havia papéis, negativos fotográficos e envelopes.

Ele procurou até encontrar uma fotografia.

Ficou olhando para ela.

"Eu guardei isso porque sabia que um dia alguém poderia perguntar."

Mariana estendeu a mão.

Antônio entregou a fotografia.

Era uma imagem simples.

Três homens diante de uma oficina.

No verso havia uma data escrita à caneta.

Mariana leu.

Seu coração parou.

A fotografia tinha sido tirada três meses depois da data oficial da morte de Rafael.

Ela virou novamente.

Olhou para o homem no centro.

Era mais magro.

Tinha uma cicatriz perto da testa.

Mas Mariana reconheceu imediatamente os mesmos olhos que tinha visto nas poucas fotografias guardadas pela mãe.

Sua mão começou a tremer.

"É ele?"

Antônio assentiu.

"É."

Mariana não conseguia respirar.

Antônio apontou para a data.

"Três meses depois do dia em que disseram que Rafael Oliveira estava morto."

Mariana levantou os olhos.

Na fotografia, sorrindo diante daquela oficina, estava seu pai.

PUBLICIDADE

você pode gostar

compartilhar

compartilhar liderança
link de cópia