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《O Cão Que Lembrou Dela》Parte 9

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O Fórum Criminal da Barra Funda estava lotado naquela manhã.

Jornalistas ocupavam todos os espaços disponíveis.

Câmeras estavam posicionadas na entrada.

Pessoas acompanhavam o julgamento pela televisão.

Depois de seis anos de silêncio, o nome de Victor Montenegro Ferraz finalmente estava sendo ligado publicamente a uma série de crimes que todos acreditavam nunca serem revelados.

No centro do tribunal, Isabela Monteiro Vasconcelos permanecia sentada ao lado de Sofia Ribeiro Carvalho.

Ela segurava as mãos uma na outra.

Não por medo.

Mas pela emoção de saber que aquele momento representava tudo pelo que seu pai lutou.

Do outro lado da sala, Victor permanecia tranquilo.

Vestia um terno escuro.

Seu rosto não demonstrava preocupação.

Como se ainda acreditasse que conseguiria controlar a situação.

Ao lado dele estavam seus advogados.

Um dos melhores criminalistas de São Paulo.

Um homem conhecido por destruir reputações usando palavras.

Quando o juiz entrou na sala, todos se levantaram.

O julgamento começou.

O advogado de Victor foi o primeiro a falar.

Ele caminhou lentamente até o centro do tribunal.

Olhou para os jurados.

Depois para Isabela.

"Estamos diante de uma história criada pela dor."

Ele fez uma pausa.

"Uma mulher que perdeu o pai e decidiu transformar sua tristeza em uma acusação."

Isabela permaneceu em silêncio.

O advogado continuou.

"Minha cliente está sendo vítima de uma vingança pessoal."

Algumas pessoas na sala começaram a cochichar.

Sofia observava atentamente.

Ela sabia que aquela seria a estratégia de Victor.

Transformar a vítima em culpada.

Fazer todos acreditarem que Isabela estava apenas tentando se vingar.

O advogado pegou alguns documentos.

"Não existe uma prova direta de que Victor Montenegro causou o incêndio."

Ele olhou para o juiz.

"Existem apenas suposições."

Então virou novamente para Isabela.

"Ela passou seis anos procurando alguém para culpar."

Isabela sentiu o coração apertar.

Não porque acreditava nele.

Mas porque aquelas palavras tentavam destruir a memória do pai.

O advogado continuou:

"Ela quer que todos acreditem que um homem poderoso destruiu sua família."

Ele respirou fundo.

"Mas onde estão as provas?"

O tribunal ficou em silêncio.

Victor observava satisfeito.

Por alguns segundos, parecia que sua estratégia estava funcionando.

Mas Sofia permanecia calma.

Porque ela sabia que aquele momento ainda não tinha terminado.

O promotor se levantou.

"Excelência, a acusação tem novas evidências."

O advogado de Victor imediatamente protestou.

"Essas provas deveriam ter sido apresentadas anteriormente."

O juiz analisou os documentos.

"O tribunal permite a apresentação, desde que sejam relevantes para o caso."

Sofia fez um sinal para a equipe.

As primeiras provas foram colocadas na tela.

A gravação de Antônio Monteiro Almeida.

O tribunal inteiro ficou em silêncio.

A imagem do veterinário apareceu diante de todos.

Isabela abaixou o olhar.

Ver o pai novamente ainda era doloroso.

Mas naquele dia, ela não estava apenas vendo uma lembrança.

Ela estava vendo uma testemunha.

A voz de Antônio ecoou pela sala.

"Se você está vendo essa gravação, significa que eu não consegui terminar o que comecei."

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As pessoas começaram a prestar atenção.

A gravação mostrou documentos.

Fotos.

Registros.

O nome de Victor apareceu várias vezes.

O advogado tentou interromper.

"Isso é uma gravação antiga sem contexto."

Mas o promotor respondeu:

"O contexto está nos documentos que acompanham o vídeo."

Então uma nova tela apareceu.

Registros financeiros.

Contratos falsos.

Empresas usadas para movimentar dinheiro.

E ligações entre os negócios de Victor e as competições ilegais de animais.

A expressão do advogado mudou.

Porque ele percebeu que não estava mais defendendo apenas uma acusação.

Estava enfrentando uma história inteira.

O promotor continuou.

"Victor Montenegro não era apenas um empresário."

Ele olhou para os jurados.

"Ele utilizava suas empresas para esconder atividades criminosas."

A sala ficou em silêncio.

Então veio a terceira prova.

Os registros dos cães.

A Dra. Camila Duarte explicou diante do tribunal como Nero, Thor e Zeus reagiam ao nome de Victor.

Como reconheciam Isabela.

Como demonstravam sinais de trauma relacionados ao incêndio.

O advogado tentou desacreditar.

"Estamos falando de animais."

A especialista respondeu:

"Estamos falando de seres vivos que sobreviveram a uma situação traumática e carregam memórias comportamentais."

Ela apontou para os documentos.

"Esses animais foram encontrados na clínica de Antônio antes do incêndio."

Depois apareceu o registro de resgate.

A data.

A localização.

A identificação dos três filhotes.

Isabela fechou os olhos.

Finalmente, aquilo que seu pai tentou proteger estava sendo revelado.

O promotor apresentou a última parte.

A gravação recuperada do antigo sistema de segurança do galpão.

As imagens mostravam a noite do incêndio.

Pessoas entrando na clínica.

Movimentação suspeita.

Os cães sendo retirados.

E depois Victor chegando ao local.

Um choque percorreu o tribunal.

Mas então apareceu algo ainda mais importante.

Outra pessoa estava com ele.

A mesma pessoa da fotografia.

A pessoa que Isabela conhecia desde criança.

O advogado de Victor perdeu a expressão de confiança.

Victor, pela primeira vez, ficou completamente imóvel.

Porque aquela prova não poderia ser destruída.

Não era uma suspeita.

Não era uma memória.

Era uma imagem.

Uma imagem mostrando a verdade.

O juiz pediu silêncio.

O tribunal inteiro estava em choque.

Isabela olhou para a tela.

As lágrimas começaram a cair.

Não por tristeza.

Mas porque finalmente seu pai estava sendo ouvido.

Depois de seis anos.

A voz dele ainda conseguia atravessar aquele lugar.

Sofia segurou o braço dela.

"Você conseguiu."

Isabela balançou a cabeça.

"Não fui eu."

Ela olhou para a imagem do pai.

"Foi ele."

Do outro lado da sala, Victor abaixou o olhar.

Mas não parecia derrotado.

Parecia preocupado.

Porque a gravação tinha revelado apenas uma parte da verdade.

E ele sabia que a próxima pergunta do tribunal seria a mais perigosa de todas.

Quem era a pessoa que estava ao lado dele naquela noite?

Antes que o juiz encerrasse a sessão, uma mensagem chegou ao celular de Sofia.

Ela abriu.

E seu rosto mudou completamente.

Isabela percebeu.

"O que aconteceu?"

Sofia ficou em silêncio por alguns segundos.

Então virou a tela do celular.

Era uma nova informação da investigação.

O nome da pessoa que ajudou Victor finalmente tinha sido confirmado.

Isabela olhou para aquele nome.

E sentiu o mundo desaparecer por um instante.

Porque a pessoa responsável pela destruição da sua família...

Era alguém que ela ainda chamava de família.

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