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《Depois Daquela Noite Na Mansão》PARTE 1

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A Mansão Vasconcelos, no Jardim Europa, em São Paulo, nunca tinha parecido tão silenciosa.

Naquela noite, centenas de convidados ocupavam o enorme salão de mármore branco para celebrar o nascimento do primeiro herdeiro da família Vasconcelos.

As luzes dos lustres de cristal iluminavam os vestidos luxuosos, os ternos impecáveis e os sorrisos cuidadosamente ensaiados.

Todos queriam ver o pequeno Nicolas Vasconcelos Navarro.

O filho de Eduardo Vasconcelos Navarro.

O homem que comandava uma das famílias empresariais mais tradicionais de São Paulo.

Mas ninguém naquela sala imaginava que, poucos minutos depois, aquela mesma mansão se transformaria no cenário do maior escândalo da família.

Helena Albuquerque Montes segurava o filho nos braços.

Ainda sentia o corpo frágil depois do parto.

Ela tinha passado noites sem dormir, aprendendo cada choro, cada movimento e cada necessidade daquele pequeno bebê que agora era tudo para ela.

Nicolas tinha apenas algumas semanas de vida.

E naquele momento, Helena só queria voltar para casa.

Ela não queria mais fingir que estava tudo bem.

Não queria mais sorrir para pessoas que não conheciam a verdade.

Não queria mais esconder o medo que sentia todos os dias.

Eduardo se aproximou lentamente.

O sorriso que ele mostrava aos convidados havia desaparecido.

Agora só existia irritação.

Controle.

Raiva.

"Você está fazendo uma cena desnecessária, Helena."

Ela continuou olhando para o filho.

"Eu só quero ir embora."

Eduardo soltou uma risada fria.

"Embora? Depois de tudo que eu preparei para essa noite?"

Helena levantou os olhos.

Pela primeira vez, ela não tentou acalmá-lo.

"Eu não quero uma festa."

"Eu quero paz."

A expressão de Eduardo mudou.

Ele odiava quando Helena falava daquele jeito.

Porque durante muito tempo ela tinha sido a mulher que abaixava a cabeça.

A mulher que aceitava desculpas.

A mulher que acreditava que o homem que amava poderia mudar.

Mas aquela Helena não existia mais.

Eduardo olhou ao redor.

Alguns convidados já começavam a perceber o clima estranho.

Ele se aproximou mais.

"Você vai mesmo fazer isso aqui?"

Helena apertou Nicolas contra o peito.

"Eu não estou fazendo nada."

"Estou tentando proteger meu filho."

Aquelas palavras fizeram Eduardo perder o controle.

"Seu filho?"

Ele encarou Helena.

"Ele também é meu."

O bebê começou a se mexer.

Helena percebeu a mudança na respiração de Eduardo.

Ela conhecia aquele olhar.

Era o mesmo olhar que aparecia quando ele não conseguia controlar uma situação.

"Eduardo, não."

A voz dela saiu baixa.

Mas havia medo.

Ele avançou um passo.

"Você acha que pode me enfrentar agora?"

"Depois de tudo que eu fiz por você?"

Helena sentiu o coração acelerar.

Durante meses, ela tinha tentado convencer a si mesma de que as coisas iriam melhorar.

Durante a gravidez, ela tinha explicado cada mudança de comportamento dele.

O estresse da empresa.

A pressão da família.

A responsabilidade de ser pai.

Mas as desculpas acabaram.

E naquele momento, diante de todos, ela finalmente percebeu.

Eduardo não estava arrependido.

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Ele estava apenas irritado por ter perdido o controle.

"Eu não sou sua propriedade."

A frase deixou o salão em silêncio.

Eduardo ficou imóvel por alguns segundos.

Como se não acreditasse que Helena tinha acabado de responder.

Então ele segurou o braço dela.

O movimento foi rápido.

Mais forte do que deveria.

Helena tentou se afastar.

Nicolas começou a chorar.

"Solta meu braço."

Eduardo não soltou.

"Você não entende quando eu falo."

Helena puxou o braço.

E naquele instante tudo aconteceu muito rápido.

Ela perdeu o equilíbrio.

Seu corpo caiu sobre o frio mármore da mansão.

O som ecoou pelo salão inteiro.

As conversas pararam.

As taças ficaram suspensas no ar.

Todos olharam.

Helena protegeu Nicolas imediatamente.

Mesmo caindo, ela colocou o próprio corpo entre o chão e o bebê.

O choro de Nicolas tomou conta do ambiente.

"Meu Deus..."

Alguém sussurrou entre os convidados.

Eduardo ficou parado.

Por alguns segundos, parecia assustado com o que tinha acontecido.

Mas então sua expressão mudou.

Ele voltou a ser o homem poderoso que todos conheciam.

"Foi um acidente."

Helena continuava no chão.

Uma mão segurava Nicolas.

A outra apoiava o próprio corpo.

Ela olhou para Eduardo.

E naquele momento sentiu algo quebrar dentro dela.

Não era medo.

Era uma decisão.

Vitória Vasconcelos Navarro, mãe de Eduardo, aproximou-se lentamente.

Ela parecia nervosa.

"Helena, deixe eu pegar o bebê."

Helena afastou o corpo.

"Não."

Vitória parou.

"Eu só quero ajudar."

Helena olhou para ela.

"Não toque em mim."

A frase machucou Vitória.

Porque ela sabia.

Ela sabia que Helena tinha descoberto que ela escondia coisas.

Eduardo olhou para os convidados.

"Isso é um assunto familiar."

Helena lentamente se levantou.

Ainda segurando Nicolas.

Sua voz saiu baixa.

Mas todos ouviram.

"É isso que você diz quando não quer testemunhas."

Eduardo apertou a mandíbula.

"Você não sabe o que está fazendo."

Helena levantou o pulso.

O relógio inteligente ainda brilhava.

"Eu sei exatamente o que estou fazendo."

Eduardo olhou para o dispositivo.

"Do que você está falando?"

Durante a gravidez, Helena tinha configurado uma função de segurança.

Depois de uma queda forte, o relógio enviava automaticamente um alerta.

Mas havia algo que Eduardo não sabia.

O sistema também registrava os minutos anteriores ao acidente.

E enviava uma cópia para dois contatos de confiança.

Helena não tinha planejado usar aquilo.

Ela nem sabia se funcionaria.

Mas naquele momento, pela primeira vez, ela não estava sozinha.

Vitória percebeu antes de Eduardo.

Seu rosto perdeu a cor.

"O relógio..."

Ela parou.

Eduardo virou para a mãe.

"O que foi?"

Vitória ficou em silêncio.

E aquele silêncio disse mais do que qualquer palavra.

Eduardo voltou para Helena.

"Dê o telefone."

Ela ficou imóvel.

"Não."

"Helena."

"Não."

A voz dela não tremia mais.

Eduardo deu um passo.

"Você realmente acha que alguém vai acreditar em você?"

O salão inteiro ficou em silêncio.

Helena olhou diretamente para o marido.

Para o homem que durante anos acreditou que dinheiro e sobrenome podiam apagar qualquer problema.

Então respondeu:

"Eu não preciso que acreditem em mim."

Naquele instante, três batidas fortes ecoaram na porta principal.

Todos olharam.

O mordomo caminhou até a entrada.

Abriu lentamente.

Um homem apareceu.

Cabelos grisalhos.

Terno escuro.

Olhar firme.

Era alguém que Eduardo conhecia muito bem.

Rafael Albuquerque Montes.

Fundador do Grupo Albuquerque.

Um dos empresários mais respeitados do Brasil.

E pai de Helena.

O homem que possuía 38% das ações da empresa que Eduardo comandava.

Durante anos, Eduardo sempre demonstrou respeito por Rafael.

Mas nos bastidores, havia apenas uma coisa.

Medo.

Rafael entrou no salão.

Primeiro olhou para Helena.

Depois para Nicolas.

Depois para Eduardo.

O rosto dele mudou quando viu a marca no rosto da filha.

"Helena..."

Ela tentou segurar as lágrimas.

Mas quando viu o pai, toda a força que tinha criado desapareceu por um segundo.

"Pai..."

Rafael caminhou até ela.

Com cuidado, pegou Nicolas apenas depois que Helena permitiu.

Então tirou o celular do bolso.

Todos ficaram em silêncio.

Eduardo tentou recuperar o controle.

"Rafael, isso foi um mal-entendido."

Rafael nem olhou para ele.

Apenas respondeu:

"Eu recebi o alerta."

Eduardo ficou parado.

Então Rafael completou:

"E recebi o áudio."

O rosto de Eduardo perdeu a cor.

Porque naquele momento ele entendeu.

Aquela noite não estava mais dentro daquela casa.

Aquela conversa não podia mais ser apagada.

Aquela queda não podia mais ser escondida.

Rafael olhou novamente para Helena.

Depois encarou Vitória.

A mulher começou a tremer.

Porque sabia exatamente o que vinha a seguir.

Rafael apertou o celular na mão.

E perguntou:

"Vitória..."

Ela levantou os olhos.

"Quando você disse que isso aconteceu de novo..."

O salão inteiro ficou imóvel.

Rafael deu um passo à frente.

"De novo o quê?"

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