《Minha Esposa Chorava Sozinha Enquanto Minha Família Comemorava》Parte 5

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Depois de descobrir que Ricardo Almeida havia roubado os documentos do fundo familiar, eu entendi que aquilo nunca tinha sido apenas uma disputa de herança.

Ele não queria apenas controlar uma parte da empresa.

Ele queria apagar qualquer pessoa que pudesse impedir seus planos.

E agora eu sabia quem estava no caminho dele.

Eu.

Mariana.

Lucas.

E até Daniel.

Naquela manhã, a sala de reuniões da Vasconcelos Participações parecia um campo de batalha.

Nina estava diante de uma enorme tela mostrando todos os registros financeiros.

O Delegado Rafael também estava presente.

Eu olhava para aqueles números tentando entender como alguém conseguiu entrar tão profundamente na minha empresa sem que ninguém percebesse.

"Gabriel, Ricardo preparou isso durante meses."

Nina clicou em um arquivo.

Na tela apareceu uma sequência de contratos.

"Ele criou empresas falsas."

Eu me aproximei.

"Empresas falsas?"

Ela confirmou.

"Sim. Empresas que existiam apenas no papel."

O primeiro documento mostrava uma empresa chamada Almeida Soluções Empresariais.

O endereço era de uma sala comercial vazia na Vila Olímpia.

O segundo era uma empresa de consultoria que nunca havia prestado nenhum serviço.

O terceiro era um fornecedor internacional que não tinha nenhum registro de operação.

"Ele criava contratos falsos para justificar pagamentos."

Eu fiquei em silêncio.

"Quanto ele tentou retirar?"

Nina respirou fundo.

"Até agora identificamos quase doze milhões de reais em movimentações suspeitas."

Meu rosto ficou sério.

"Doze milhões?"

"Sim."

Rafael colocou outro documento sobre a mesa.

"E isso não é tudo."

Eu olhei para ele.

"O que mais?"

"Encontramos contas bancárias abertas usando informações de funcionários da empresa."

Meu estômago apertou.

Ricardo não estava apenas tentando roubar.

Ele estava construindo uma estrutura para esconder o dinheiro.

"Ele queria quebrar minha empresa."

Nina assentiu.

"Exatamente."

Naquele momento, eu pensei em Mariana.

Pensei nela sentada naquele apartamento frio.

Pensei em Lucas chorando enquanto minha família tirava comida da nossa casa.

Tudo fazia parte da mesma coisa.

Enquanto eu estava preocupado em salvar contratos na Alemanha, Ricardo estava tentando destruir tudo que meu pai construiu.

Mas havia uma pergunta que ainda me incomodava.

Minha mãe sabia?

Carolina sabia?

Ou eles também estavam sendo usados?

Naquela tarde, Carolina apareceu na delegacia acompanhada de um advogado.

Quando ela entrou na sala, parecia muito diferente da mulher que eu conhecia.

Sem maquiagem perfeita.

Sem roupas caras.

Sem aquela segurança que sempre demonstrava.

Ela parecia cansada.

"Gabriel."

Eu olhei para ela.

"Por que você fez isso?"

Os olhos dela ficaram cheios de lágrimas.

"Eu sei que você me odeia agora."

"Eu não perguntei isso."

Ela respirou fundo.

"Eu perguntei por que."

Carolina abaixou a cabeça.

"Porque eu acreditei na nossa mãe."

A resposta me surpreendeu.

"Explique."

Ela sentou.

"Quando Ricardo falou sobre a viagem para o Rio, ele disse que era apenas uma pausa."

"Uma pausa?"

"Ele disse que Mariana estava muito dependente de você. Que sua mãe queria ajudar ela a ficar mais forte."

Minha expressão mudou.

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"Você acreditou nisso?"

Ela fechou os olhos.

"Sim."

"Carolina, você viu ela depois da cirurgia."

"Eu sei."

"Você viu que ela estava com dor."

"Eu sei."

"Você viu Lucas."

Ela começou a chorar.

"Eu sei."

O silêncio ficou pesado.

"Então por que você foi embora?"

Ela demorou para responder.

"Porque eu achei que vocês voltariam em dois dias."

Eu não consegui esconder minha indignação.

"E o dinheiro?"

Ela olhou para mim.

"Que dinheiro?"

Eu fiquei parado.

"O dinheiro que eu mandei para cuidar de Mariana e Lucas."

O rosto dela mudou.

"Eu não sabia que Ricardo tinha usado aquele dinheiro."

Aquela resposta me confundiu.

"Como assim?"

Carolina passou a mão no rosto.

"Ele disse que minha mãe tinha organizado tudo. Disse que o dinheiro seria usado para pagar uma enfermeira particular e compras para o apartamento."

"E você acreditou?"

Ela abaixou a cabeça.

"Sim."

"Mesmo vendo a geladeira vazia?"

As lágrimas dela aumentaram.

"Eu não vi."

"Você entrou naquele apartamento."

"Antes da viagem."

Ela respirou fundo.

"Quando saímos, Mariana estava dormindo."

Eu balancei a cabeça.

"Não."

Minha voz ficou fria.

"Ela não estava dormindo."

Carolina me olhou.

"Ela estava tentando fingir que estava bem."

Aquilo atingiu minha irmã.

Porque pela primeira vez ela percebeu a realidade.

Ela não tinha apenas seguido uma ordem.

Ela tinha escolhido não enxergar.

"Ricardo sabia."

Eu olhei para ela.

"O quê?"

"Ele sabia exatamente o que estava fazendo."

Ela segurou as mãos.

"Ele dizia que precisava de acesso aos documentos do seu pai."

"Por quê?"

"Ele falava que sua mãe tinha sido injustiçada."

Eu fiquei em silêncio.

Então Carolina disse algo que mudou tudo.

"Ele sabia sobre Daniel antes de você."

Meu coração acelerou.

"Como?"

"Eu não sei."

"Carolina."

Ela olhou para mim.

"Eu ouvi ele falando com alguém ao telefone."

"O que ele disse?"

Ela tentou lembrar.

"Ele disse que se o filho perdido de Augusto aparecesse, todos perderiam o controle."

Eu senti um arrepio.

Ricardo não estava descobrindo o segredo.

Ele já sabia.

Depois do depoimento de Carolina, Rafael recebeu uma ligação.

Ele saiu da sala.

Alguns minutos depois voltou com uma expressão séria.

"Encontramos mais informações."

Eu me levantei.

"O quê?"

"Ricardo tentou vender parte dos ativos da empresa."

Nina ficou surpresa.

"Ele não tinha autorização."

"Exatamente."

Rafael colocou algumas fotos sobre a mesa.

Eram imagens de documentos assinados.

"Ele preparou uma transferência para uma conta no exterior."

Eu olhei para os papéis.

"O destino?"

"Portugal."

Meu rosto ficou fechado.

"Ele quer fugir."

O delegado assentiu.

"Sim."

Antes que pudesse continuar, o celular de Nina tocou.

Ela atendeu.

Alguns segundos depois, seu rosto mudou.

"Gabriel..."

"O que aconteceu?"

Ela desligou lentamente.

"Ele tentou acessar novamente o sistema da empresa."

"E conseguiu?"

Ela ficou em silêncio.

Isso foi suficiente.

"Conseguiu uma parte."

Meu coração acelerou.

"Que parte?"

Nina abriu o computador.

Um novo arquivo apareceu.

Era uma solicitação de transferência internacional.

Mas dessa vez não era dinheiro.

Era controle.

Direitos de administração.

Ricardo estava tentando assumir oficialmente o comando da empresa.

Rafael pegou o telefone.

"Acabei de receber uma atualização."

Todos olharam para ele.

"Ricardo Almeida comprou uma passagem para sair do Brasil hoje à noite."

Meu corpo ficou imóvel.

"Para onde?"

O delegado olhou para a tela.

"Ele não comprou apenas uma passagem."

Ele fez uma pausa.

"Ele comprou uma passagem para ele e para uma pessoa que pode mudar toda essa história."

"Quem?"

Rafael levantou os olhos.

"Eleanor Vasconcelos Ribeiro."

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