A descoberta sobre a morte de Luciana Ribeiro mudou completamente o rumo da investigação.
Durante anos, todos acreditaram que ela simplesmente havia desaparecido depois de deixar a família Montenegro.
Mas agora havia uma prova.
A morte dela não tinha sido apenas uma tragédia.
Havia alguém por trás.
Na manhã seguinte, Gabriel Montenegro Vasconcelos e Pedro Montenegro estavam no escritório de Ricardo Mendes, analisando todos os documentos encontrados.
Pela primeira vez, os dois irmãos estavam sentados lado a lado.
Ainda existia distância entre eles.
Ainda existiam feridas que não desapareceriam rapidamente.
Mas agora havia algo mais forte.
A vontade de descobrir a verdade.
Ricardo colocou uma pasta sobre a mesa.
"Esses são os documentos que conseguimos recuperar sobre os últimos meses de vida da Luciana."
Pedro abriu lentamente.
Cada página parecia carregar uma parte da dor da mãe.
Relatórios.
Anotações.
Cópias de denúncias.
Gabriel começou a ler.
E seu rosto mudou.
"Ela estava investigando a empresa."
Ricardo confirmou.
"Sim."
Pedro franziu a testa.
"Minha mãe nunca me contou isso."
Gabriel continuou lendo.
Luciana havia descoberto movimentações financeiras suspeitas dentro da Fundação Montenegro.
Valores desviados.
Contratos falsificados.
Empresas fantasmas usadas para esconder dinheiro.
Ela não queria destruir a família.
Ela queria impedir que o nome Montenegro fosse usado para cometer crimes.
Pedro segurou os documentos com força.
"Então ela não estava apenas tentando recuperar meu nome."
Gabriel olhou para ele.
"Não."
Ele respirou fundo.
"Ela estava tentando proteger pessoas que nem conhecia."
O silêncio tomou conta da sala.
Pela primeira vez, Pedro percebeu que sua mãe não tinha sido apenas uma vítima.
Ela tinha sido uma mulher corajosa enfrentando pessoas poderosas.
Ricardo mostrou outro documento.
"Existe algo ainda mais importante."
Ele colocou uma cópia sobre a mesa.
Era uma troca de mensagens antiga.
O remetente era desconhecido.
Mas uma frase chamou atenção.
"Se Luciana entregar essas provas, todos nós perderemos tudo."
Pedro sentiu um arrepio.
"Quem escreveu isso?"
Ricardo balançou a cabeça.
"Ainda não sabemos."
Gabriel ficou olhando para a mensagem.
Por muitos anos, ele acreditou que sua maior ameaça era Teresa.
Mas agora começava a perceber que talvez sua mãe não fosse a única pessoa escondendo segredos.
Naquela tarde, Gabriel voltou para a Mansão Montenegro.
Ele precisava conversar com Teresa.
Encontrou a mãe na biblioteca.
Ela estava olhando antigos retratos da família.
Quando viu o filho entrar, percebeu imediatamente que algo havia acontecido.
"Você descobriu mais alguma coisa."
Não era uma pergunta.
Gabriel colocou os documentos sobre a mesa.
"Luciana estava investigando a fundação."
Teresa ficou em silêncio.
"Ela descobriu desvios financeiros."
A expressão dela mudou.
Gabriel percebeu.
"Você sabia?"
Teresa demorou para responder.
"Não."
Ele ficou observando.
Dessa vez, parecia verdadeiro.
"Eu sabia que ela queria denunciar algo."
Ela respirou fundo.
"Mas não sabia exatamente o quê."
Gabriel ficou confuso.
"Então quem estava tentando impedir Luciana?"
Teresa desviou o olhar.
Pela primeira vez, parecia com medo de uma pessoa específica.
"Gabriel..."
Ele se aproximou.
"Quem?"
Antes que ela respondesse, a porta da biblioteca abriu.
Augusto Montenegro entrou.
O patriarca da família olhou para os documentos.
E seu rosto perdeu a cor.
"Vocês não deveriam estar mexendo nisso."
Gabriel virou para ele.
"Por quê?"
Augusto permaneceu em silêncio.
"Porque alguém matou Luciana?"
A pergunta ficou no ar.
Teresa fechou os olhos.
Augusto encarou o filho.
"Tenha cuidado com as perguntas que você faz."
Gabriel ficou surpreso.
"Essa é a sua resposta?"
O pai respirou fundo.
"Existem pessoas nessa família que fariam qualquer coisa para manter certos segredos enterrados."
A frase deixou Gabriel ainda mais desconfiado.
"Quem?"
Augusto não respondeu.
Naquela noite, Pedro voltou para casa.
Ele ainda tentava entender tudo que havia descoberto.
Sua mãe passou anos carregando aquele peso.
E ele nunca soube.
Ele abriu novamente a caixa de Luciana.
No fundo, encontrou uma pequena chave.
A mesma que estava escondida entre os documentos.
Depois de procurar pelo quarto inteiro, encontrou uma pequena caixa de metal antiga escondida atrás de uma madeira solta.
Dentro havia um pen drive.
E uma carta.
A letra era de sua mãe.
Pedro abriu a carta com mãos tremendo.
"Meu filho, se você está lendo isso, significa que a verdade finalmente chegou até você."
Ele respirou fundo.
Continuou lendo.
"Eu não quero que você procure vingança. Quero apenas que saiba que eu lutei para proteger você."
Pedro sentiu lágrimas nos olhos.
Mas então encontrou uma segunda mensagem.
Uma frase que fez seu coração parar.
"Se algo acontecer comigo, procure Eduardo Montenegro."
Pedro ficou imóvel.
Eduardo.
O irmão de Augusto.
O homem que durante anos esteve afastado da família.
Na manhã seguinte, Gabriel e Pedro começaram a procurar informações sobre Eduardo Montenegro.
E descobriram algo assustador.
Ele havia sido diretor financeiro da Fundação Montenegro exatamente na época em que Luciana começou a investigar os desvios.
Ricardo conseguiu localizar Eduardo.
Ele estava vivendo em uma fazenda no interior de São Paulo.
Longe da imprensa.
Longe da família.
Mas quando recebeu a notícia de que Pedro estava vivo, sua reação foi imediata.
Ele ficou em silêncio por alguns segundos.
Depois desligou o telefone.
Naquela noite, Gabriel, Pedro e Ricardo foram até a fazenda.
Eduardo estava esperando.
Ele não parecia surpreso.
Parecia cansado.
Como alguém que carregava um segredo há muito tempo.
Pedro se aproximou.
"Você conhecia minha mãe."
Eduardo olhou para ele.
"Sim."
"Você sabia quem eu era?"
O homem abaixou os olhos.
"Sim."
A resposta deixou Pedro furioso.
"Então você também deixou minha vida ser destruída."
Eduardo não respondeu.
Gabriel deu um passo à frente.
"Por que Luciana morreu?"
O silêncio ficou pesado.
Eduardo olhou para os três.
Depois respirou profundamente.
"Porque ela descobriu algo que nunca deveria ter descoberto."
Pedro apertou os punhos.
"O quê?"
Eduardo fechou os olhos.
Quando abriu novamente, havia culpa em seu rosto.
"Ela descobriu quem estava roubando a Fundação Montenegro."
Gabriel ficou atento.
"Quem?"
Eduardo olhou para a porta.
Como se tivesse medo de que alguém pudesse estar ouvindo.
Então finalmente falou:
"Não era Teresa."
Todos ficaram em silêncio.
Eduardo continuou:
"Era alguém da própria família."
Pedro sentiu o coração acelerar.
"Quem?"
Eduardo demorou alguns segundos.
Então respondeu:
"Eu."
O choque tomou conta do ambiente.
Gabriel ficou sem reação.
Eduardo continuou:
"Mas vocês precisam entender..."
Ele respirou fundo.
"Eu não fiz isso apenas por dinheiro."
Pedro deu um passo à frente.
"Então por quê?"
Eduardo olhou para ele.
E disse:
"Porque aquele menino precisava desaparecer."
O silêncio ficou absoluto.
Gabriel sentiu um frio percorrer seu corpo.
Eduardo abaixou a cabeça.
"E Luciana precisava ser silenciada."
Pedro encarou o homem diante dele.
A voz de Eduardo saiu baixa:
"Aquele garoto não podia existir."
Uma pausa.
"Porque se ele existisse..."
Ele olhou para Gabriel.
"Todo o império Montenegro seria destruído."