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《Ela Chegou Antes Do Sim》Parte 6

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Mariana Albuquerque Ferraz nunca aceitou perder.

Desde criança, ela aprendeu que o mundo pertencia às pessoas que sabiam controlar as situações.

Ela cresceu observando famílias poderosas.

Aprendeu como falar.

Como sorrir.

Como esconder sentimentos.

E principalmente, aprendeu que um sobrenome valia mais do que qualquer verdade.

Mas agora tudo estava desmoronando.

O casamento que deveria transformá-la na nova senhora Montenegro havia terminado diante de centenas de pessoas.

Sua imagem estava destruída.

Sua reputação estava ameaçada.

E o homem que ela acreditava controlar agora queria revelar todos os segredos que ela passou anos escondendo.

Mas Mariana ainda tinha uma carta.

Pedro Montenegro.

O herdeiro perdido.

O homem que carregava a mesma dor que ela poderia usar contra Gabriel.

Naquela noite, Mariana dirigiu até a pequena casa de Pedro na Mooca.

Ela não estava usando o vestido elegante de antes.

Não havia joias.

Não havia maquiagem perfeita.

Ela queria parecer diferente.

Mais humana.

Mais vulnerável.

Quando Pedro abriu a porta e viu quem era, sua expressão mudou.

"Você?"

Mariana abaixou o olhar.

"Eu sei que você não quer me ver."

Pedro permaneceu parado.

"Então por que veio?"

Ela respirou fundo.

"Porque eu sei a verdade sobre a sua história."

Pedro soltou uma risada amarga.

"Todos parecem saber mais sobre a minha vida do que eu."

Mariana entrou somente depois que ele permitiu.

Ela olhou ao redor.

A casa simples.

As poucas coisas de Pedro.

A fotografia de Luciana.

Por alguns segundos, ela quase sentiu culpa.

Quase.

Mas a ambição falou mais alto.

"Você sabe por que sua mãe sofreu tanto?"

Pedro ficou sério.

"Porque a família Montenegro tirou tudo dela."

Mariana balançou a cabeça.

"Não apenas a família."

Ele franziu a testa.

"O que você quer dizer?"

Ela se aproximou lentamente.

"Gabriel."

O nome fez Pedro ficar em silêncio.

Mariana percebeu.

A ferida ainda estava aberta.

"Seu irmão sempre soube que existia uma herança. Sempre viveu dentro daquele mundo. Sempre teve tudo que você nunca teve."

Pedro fechou o rosto.

"Gabriel disse que não sabia."

Mariana sorriu levemente.

"É claro que ele diria isso."

Ela caminhou pela sala.

"Mas pense comigo. Você realmente acredita que uma família como os Montenegro esconderia algo tão grande sem que o herdeiro principal soubesse?"

Pedro não respondeu.

Mariana continuou:

"Enquanto você crescia sem dinheiro, sem nome e sem saber quem era seu pai, Gabriel tinha uma mansão, educação, poder e tudo que deveria ser seu."

As palavras começaram a atingir Pedro.

Não porque acreditava completamente nela.

Mas porque tocavam em uma dor que ele carregava desde criança.

Mariana se aproximou.

"Você não percebe?"

Ela olhou diretamente nos olhos dele.

"Seu maior inimigo não é sua família."

Uma pausa.

"É o homem que recebeu tudo enquanto você perdeu tudo."

Pedro desviou o olhar.

"Por que você está me contando isso?"

Mariana demorou alguns segundos.

Então respondeu:

"Porque eu também fui enganada por Gabriel."

Era uma mentira.

Mas ela falou com tanta emoção que parecia verdade.

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"Ele destruiu minha vida."

Pedro observou seu rosto.

"Então você quer vingança."

Mariana sorriu discretamente.

"Eu quero justiça."

Enquanto isso, na sede da Montenegro Vasconcelos Participações, Gabriel enfrentava uma crise que crescia a cada minuto.

A notícia havia explodido na imprensa.

"Família Montenegro esconde herdeiro desaparecido há 20 anos."

"Filho secreto ameaça império bilionário."

"Escândalo familiar abala uma das maiores empresas do Brasil."

As ações da empresa começaram a cair.

Investidores exigiam respostas.

O conselho administrativo pressionava Gabriel.

Dentro da sala de reuniões, homens e mulheres que durante anos respeitaram o sobrenome Montenegro agora olhavam para ele com desconfiança.

Um dos diretores colocou alguns documentos sobre a mesa.

"Precisamos controlar essa situação."

Gabriel respondeu friamente:

"A situação não é o problema."

Todos olharam para ele.

"O problema é que durante vinte anos uma criança teve sua identidade roubada."

Ninguém respondeu.

Porque todos sabiam.

A verdade era impossível de esconder.

Mas naquela mesma noite, Pedro recebeu uma ligação.

Era Gabriel.

Ele ficou olhando para o telefone por alguns segundos.

Depois atendeu.

"Pedro."

A voz de Gabriel estava cansada.

"Eu preciso conversar com você."

Pedro ficou em silêncio.

"Sobre o quê?"

"Sobre tudo."

Pedro apertou o aparelho.

"Você quer falar agora que a imprensa descobriu?"

Gabriel sentiu a acusação.

"Não."

Ele respirou fundo.

"Eu queria falar desde o primeiro dia em que descobri que você existia."

Pedro ficou quieto.

Mas antes que pudesse responder, desligou.

Ele estava confuso.

Dividido entre a raiva e a dúvida.

Na manhã seguinte, Pedro decidiu procurar algumas coisas antigas da mãe.

Ele abriu a caixa que Luciana havia deixado.

Dentro havia cartas.

Documentos.

E fotografias.

Ele passou horas olhando tudo.

Até encontrar uma pasta escondida no fundo.

Dentro dela havia cópias de documentos antigos.

Um deles chamou sua atenção.

Era um formulário de alteração de registro.

Ele começou a ler.

Seu rosto mudou.

A assinatura no documento era conhecida.

Não era de Augusto.

Não era de Teresa.

Era de Mariana Albuquerque Ferraz.

Pedro ficou imóvel.

Ele continuou lendo.

O documento mostrava que, anos atrás, Mariana havia participado da alteração dos registros do nascimento.

Ela não apenas sabia.

Ela tinha ajudado a apagar sua existência.

Pedro sentiu a raiva crescer.

A mulher que havia aparecido dizendo entender sua dor era uma das pessoas responsáveis por ela.

Naquele momento, seu celular tocou.

Era Mariana.

Pedro atendeu.

Sua voz estava completamente diferente.

Fria.

"Você mentiu para mim."

Do outro lado, Mariana ficou em silêncio.

"Pedro..."

Ele interrompeu.

"Eu encontrei os documentos."

A respiração dela mudou.

"Você estava envolvida."

Mariana percebeu que o plano havia mudado.

Mas ela ainda tentou controlar a situação.

"Você não entende o que aconteceu."

Pedro olhou para o documento em suas mãos.

E respondeu:

"Não."

Uma pausa.

"Agora eu entendo."

Ele desligou.

Naquele instante, Pedro Montenegro percebeu que sua maior batalha não seria apenas contra uma família que o abandonou.

Seria contra todos aqueles que passaram vinte anos tentando apagar seu nome.

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