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《Ela Chegou Antes Do Sim》Parte 5

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Durante três dias, Gabriel Montenegro Vasconcelos procurou por Pedro Montenegro.

O nome que antes existia apenas em documentos antigos agora era uma pessoa real.

Um homem.

Um filho.

Um irmão.

Mas encontrar alguém que desapareceu por vinte anos não era uma tarefa simples.

Principalmente quando toda uma família poderosa havia trabalhado para apagar seus rastros.

Ricardo Mendes passou horas analisando registros antigos.

Documentos de hospitais.

Cadastros de moradores.

Informações esquecidas em bancos de dados.

Até que finalmente encontrou uma pista.

Pedro Montenegro não havia desaparecido.

Ele apenas tinha vivido longe de tudo que seu sobrenome representava.

Ele morava em uma pequena casa no bairro da Mooca, em São Paulo.

Longe dos prédios luxuosos.

Longe dos carros importados.

Longe do mundo dos Montenegro.

Gabriel ficou dentro do carro observando aquela rua simples.

Era difícil imaginar que naquele lugar vivia alguém que tinha sangue da família mais poderosa que ele conhecia.

Ricardo olhou para ele.

"Tem certeza que quer fazer isso sozinho?"

Gabriel permaneceu olhando para a casa.

"Passei a vida inteira acreditando que conhecia minha família."

Ele respirou fundo.

"Agora preciso conhecer meu próprio irmão."

Gabriel saiu do carro.

Caminhou até a porta.

Bateu.

Alguns segundos depois, a porta se abriu.

Um homem apareceu.

Tinha aproximadamente trinta anos.

Cabelos escuros.

Barba curta.

Roupas simples.

O rosto carregava marcas de uma vida difícil.

Mas seus olhos tinham algo familiar.

Gabriel ficou parado.

Porque naquele instante percebeu algo.

Pedro tinha o mesmo olhar de Augusto Montenegro.

O mesmo olhar que ele via todos os dias no espelho.

O homem franziu a testa.

"Posso ajudar?"

Gabriel demorou alguns segundos para responder.

Ele nunca imaginou que aquele momento seria tão difícil.

"Você é Pedro?"

O homem ficou desconfiado.

"Quem quer saber?"

Gabriel estendeu a mão.

"Meu nome é Gabriel Montenegro Vasconcelos."

A expressão de Pedro mudou imediatamente.

Ele soltou uma pequena risada sem humor.

"Montenegro?"

Gabriel assentiu.

Pedro deu um passo para trás.

"Então finalmente vocês vieram."

A frase surpreendeu Gabriel.

"Você sabia?"

Pedro cruzou os braços.

"Minha mãe passou a vida inteira falando sobre essa família."

Ele olhou para Gabriel.

"Mas ela nunca quis que eu procurasse vocês."

Gabriel sentiu um aperto no peito.

"Por quê?"

Pedro desviou o olhar.

"Porque ela dizia que algumas pessoas tinham muito dinheiro para destruir quem tentasse enfrentá-las."

O silêncio ficou pesado.

Gabriel entrou na casa apenas quando Pedro permitiu.

O lugar era pequeno.

Simples.

Havia poucos móveis.

Algumas fotografias antigas.

Em uma delas estava Luciana Ribeiro.

Sorrindo.

Gabriel ficou olhando para aquela imagem.

A mulher que sua família tentou esquecer.

A mulher que protegeu Pedro sozinha.

"Ela era uma boa mãe."

Pedro respondeu imediatamente.

A voz dele carregava orgulho.

"A melhor pessoa que eu conheci."

Gabriel abaixou a cabeça.

"Eu sinto muito."

Pedro ficou em silêncio.

"Você sente muito?"

A pergunta saiu carregada de mágoa.

Gabriel levantou os olhos.

Pedro se aproximou.

"Você sabe como foi minha vida?"

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Gabriel não respondeu.

"Eu cresci sem saber quem era meu pai."

Pedro apontou para as paredes simples.

"Minha mãe trabalhou até ficar doente. Ela teve medo todos os dias."

A voz dele começou a falhar.

"E enquanto isso, vocês viviam em mansões."

Gabriel sentiu aquelas palavras como uma acusação merecida.

Pedro continuou:

"Vocês tinham tudo."

Ele respirou fundo.

"Eu tinha apenas uma mãe tentando sobreviver."

Gabriel tentou explicar.

"Eu não sabia."

Pedro sorriu de forma triste.

"Esse é o problema."

Ele olhou diretamente para Gabriel.

"Vocês sempre dizem que não sabiam."

O silêncio tomou conta da sala.

Gabriel não tentou se defender.

Porque sabia que qualquer explicação parecia pequena diante daquela dor.

"Eu vim aqui porque quero corrigir o que aconteceu."

Pedro soltou uma risada amarga.

"Corrigir?"

Ele balançou a cabeça.

"Você acha que pode aparecer depois de vinte anos e devolver tudo?"

Gabriel ficou em silêncio.

Pedro caminhou até uma pequena mesa onde havia uma fotografia de Luciana.

"Minha mãe morreu acreditando que ninguém nunca ouviria a verdade."

Ele pegou a foto.

"Ela perdeu o filho que queria proteger."

Depois olhou para Gabriel.

"E agora você aparece dizendo que é meu irmão."

Gabriel deu um passo à frente.

"Porque é verdade."

Pedro ficou olhando para ele.

Por alguns segundos, parecia querer acreditar.

Mas a dor era maior.

"Vocês tiraram minha mãe de mim."

Sua voz ficou mais forte.

"E também tiraram minha vida."

Gabriel sentiu os olhos pesarem.

Pedro continuou:

"Vocês roubaram a chance que eu tinha de conhecer minha origem."

Ele colocou a fotografia de volta na mesa.

"Eu não quero dinheiro."

Gabriel respondeu:

"Eu não vim oferecer dinheiro."

Pedro encarou ele.

"Então por que veio?"

Gabriel respirou fundo.

"Porque eu quero que você saiba que nunca foi esquecido por mim."

Pedro ficou em silêncio.

Mas aquela frase não conseguiu apagar vinte anos de abandono.

Gabriel deixou um cartão sobre a mesa.

"Quando estiver pronto para conversar, me procure."

Ele caminhou até a porta.

Antes de sair, ouviu a voz de Pedro.

"Gabriel."

Ele virou.

Pedro segurava a fotografia da mãe.

"Se você realmente quer descobrir a verdade..."

Ele fez uma pausa.

"Pergunte por que Luciana teve tanto medo antes de morrer."

Gabriel sentiu um arrepio.

"Você sabe de alguma coisa?"

Pedro abaixou o olhar.

"Minha mãe deixou uma caixa."

Gabriel voltou imediatamente.

"Que caixa?"

Pedro ficou em silêncio por alguns segundos.

Então respondeu:

"Uma caixa que ela disse que só deveria ser aberta quando alguém da família Montenegro finalmente tivesse coragem de procurar por mim."

Gabriel sentiu o coração acelerar.

"Você ainda tem essa caixa?"

Pedro olhou para ele.

"Tenho."

A esperança apareceu no rosto de Gabriel.

Mas desapareceu no segundo seguinte.

Porque Pedro completou:

"Mas antes de entregar para você, eu preciso saber se você veio como meu irmão..."

Ele fez uma pausa.

"Ou como mais um Montenegro tentando controlar a minha vida."

Naquela noite, enquanto Gabriel deixava a casa de Pedro, outra pessoa observava tudo de longe.

Dentro de um carro preto estacionado na esquina, Mariana Albuquerque Ferraz segurava um telefone.

Ela havia descoberto onde Pedro estava.

E pela primeira vez desde o fim do casamento, ela sorriu.

Ela sabia que aquele homem poderia ser a única pessoa capaz de destruir Gabriel.

Mariana ligou para um número desconhecido.

Quando a chamada foi atendida, ela falou em voz baixa:

"Eu encontrei Pedro Montenegro."

Do outro lado da linha, alguém respondeu.

E Mariana sorriu.

"Agora podemos fazer um acordo."

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