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《Ela Chegou Antes Do Sim》Parte 2

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A igreja permanecia em silêncio.

Nenhuma música tocava.

Nenhuma pessoa se movia.

Todos os olhos estavam voltados para Gabriel Montenegro Vasconcelos, que segurava aquela fotografia antiga como se ela tivesse o poder de destruir tudo o que ele conhecia.

Na sua frente estava Mariana Albuquerque Ferraz.

A mulher que minutos antes seria sua esposa.

A mulher que todos acreditavam ser perfeita.

Mas agora havia uma pergunta no olhar de Gabriel.

Uma pergunta que ela não conseguia responder.

Ele voltou a olhar para a imagem.

A jovem Mariana.

Luciana Ribeiro.

E aquele bebê.

Um bebê que carregava uma pulseira hospitalar com o sobrenome Montenegro escrito à mão.

Gabriel sentiu um peso no peito.

Durante toda sua vida, ele ouviu que sua família era construída sobre honra.

Sobre tradição.

Sobre respeito.

Mas aquela fotografia mostrava algo diferente.

Mostrava que existia uma parte da história que alguém tinha escondido dele.

Ele levantou a pulseira que estava dentro do envelope.

O material estava envelhecido pelo tempo, mas ainda era possível ler algumas palavras escritas.

Nome da mãe: Luciana Ribeiro.

Nome do bebê: não identificado.

Família: Montenegro.

Um arrepio percorreu seu corpo.

"Quem é esse bebê?"

Sua voz saiu baixa.

Mas carregava uma dor que todos sentiram.

Mariana deu um passo para trás.

"Gabriel, eu posso explicar."

Ele olhou para ela.

"Então explique."

Ela abriu a boca.

Mas nenhum som saiu.

Pela primeira vez, Mariana parecia não saber qual mentira escolher.

Teresa Montenegro apertou os dedos contra a bolsa.

Ela observava tudo com uma expressão de preocupação.

"Essa menina está tentando destruir uma família inteira."

Gabriel virou o rosto lentamente para a mãe.

"E por que você parece saber exatamente do que ela está falando?"

A pergunta atingiu Teresa como um golpe.

Ela respirou fundo.

"Porque pessoas como Luciana sempre tentaram se aproveitar do nosso nome."

A menina segurou a boneca quebrada com mais força.

Seus olhos ficaram cheios de lágrimas.

"Minha mãe nunca quis dinheiro."

Todos olharam para ela.

Ela continuou:

"Ela só queria que o filho dela soubesse a verdade."

Gabriel sentiu seu coração acelerar.

Filho.

Aquela palavra ficou presa na sua mente.

Não era apenas uma história antiga.

Era uma criança.

Uma vida que alguém tentou apagar.

Ele abriu a carta deixada por Luciana.

O papel estava amarelado.

A letra era irregular.

Como se cada palavra tivesse sido escrita com dificuldade.

Gabriel começou a ler em silêncio.

Mas depois de alguns segundos, sua expressão mudou.

"Gabriel..."

Ele respirou fundo.

E começou a ler em voz alta.

"Se você está lendo essa carta, significa que eu não consegui contar a verdade pessoalmente."

A igreja inteira escutava.

"Durante vinte anos eu carreguei uma dor que não era apenas minha. Eu perdi meu filho no dia em que ele nasceu."

Algumas pessoas começaram a chorar.

Gabriel continuou.

"Ele nasceu na família Montenegro. Mas nunca teve a chance de conhecer sua origem."

O silêncio ficou ainda mais pesado.

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"Quando descobriram que eu tinha um filho de sangue Montenegro, decidiram que a criança precisava desaparecer para proteger o nome da família."

Gabriel abaixou lentamente a carta.

Seu rosto estava completamente destruído.

Ele olhou para Augusto.

Seu pai permanecia imóvel.

Mas seus olhos diziam que aquela história não era uma surpresa.

Gabriel percebeu.

"E você sabia?"

A pergunta foi direcionada ao pai.

Augusto não respondeu.

"Pai, eu perguntei se você sabia."

O homem mais poderoso da família Montenegro ficou em silêncio por alguns segundos.

Depois desviou o olhar.

E aquele gesto respondeu mais do que qualquer palavra.

A igreja explodiu em murmúrios.

Gabriel sentiu uma mistura de raiva e decepção.

Toda sua vida ele admirou aquele homem.

Acreditou que Augusto era um exemplo de caráter.

Mas agora começava a perceber que o império da família escondia sombras.

Mariana começou a chorar.

"Gabriel, por favor..."

Ele olhou para ela.

"Você sabia."

Não era uma pergunta.

Era uma acusação.

Ela abaixou a cabeça.

As lágrimas começaram a cair.

"Eu sabia de uma parte."

A confusão tomou conta dos convidados.

Gabriel se aproximou dela.

"Que parte?"

Mariana respirou fundo.

"Eu sabia que Luciana existia. Eu sabia que havia um bebê."

"Então por que nunca me contou?"

Ela fechou os olhos.

"Porque eu tinha medo."

Gabriel soltou uma risada triste.

"Medo?"

Mariana tentou se aproximar.

"Gabriel, você não entende."

"Então me faça entender."

Ela olhou para Teresa.

Depois para Augusto.

E finalmente voltou para ele.

"Eu era muito jovem. Eu estava tentando entrar nessa família. Sua mãe disse que se eu falasse alguma coisa, minha família seria destruída."

A igreja ficou em silêncio.

Teresa levantou imediatamente.

"Não coloque a culpa em mim."

Mariana começou a chorar ainda mais.

"Mas foi você quem mandou esconder tudo."

A expressão de Teresa mudou.

Pela primeira vez, ela perdeu o controle.

"Você deveria estar agradecida. Eu fiz você ser alguém."

Gabriel ficou olhando para as duas.

Naquele momento, ele percebeu que o casamento que quase aconteceu estava baseado em uma mentira.

Ele olhou novamente para a menina.

"Qual era o nome do seu irmão?"

A menina ficou em silêncio.

Seus olhos se encheram de tristeza.

"Minha mãe dizia que não podia falar esse nome perto de pessoas ruins."

Gabriel se ajoelhou diante dela.

"Eu não sou uma pessoa ruim."

Ela ficou alguns segundos olhando para ele.

Então respondeu:

"Minha mãe dizia que você talvez fosse bom. Mas que pessoas boas também podem ser enganadas."

A frase atingiu Gabriel profundamente.

Ele segurou a carta com força.

Naquele momento, ele não queria mais proteger a imagem da família.

Ele queria descobrir a verdade.

Ele se levantou e olhou para todos.

"Essa cerimônia acabou."

O padre fechou o livro lentamente.

Os convidados começaram a sair.

Alguns ainda filmavam.

Outros comentavam que aquele seria o maior escândalo da história da elite paulista.

Mariana permaneceu parada no altar.

O vestido perfeito.

A maquiagem perfeita.

Mas tudo destruído.

Gabriel caminhou até a porta da igreja com a menina ao seu lado.

Foi quando uma voz antiga chamou seu nome.

"Gabriel."

Ele parou.

Todos olharam para o fundo da igreja.

Uma senhora idosa estava parada perto dos bancos.

Cabelos brancos.

Olhar cansado.

Mãos tremendo.

Era Dona Célia Ferreira.

A antiga governanta da família Montenegro.

Uma mulher que trabalhou naquela casa por mais de quarenta anos.

Gabriel se aproximou.

"Dona Célia? O que a senhora está fazendo aqui?"

Ela olhou para a menina.

Depois para a fotografia na mão dele.

Seus olhos ficaram cheios de lágrimas.

"Eu sabia que esse dia chegaria."

Gabriel ficou confuso.

"A senhora sabia?"

Dona Célia respirou profundamente.

"Eu vi tudo acontecer há vinte anos."

A igreja inteira pareceu parar novamente.

Gabriel segurou o envelope.

"Então me conte a verdade."

A velha senhora apertou os lábios.

"Eu vou contar."

Ela olhou para a porta, como se tivesse medo de alguém ouvir.

"Mas antes você precisa entender uma coisa."

Gabriel esperou.

Dona Célia se aproximou e falou em voz baixa:

"Se você realmente quer saber o que aconteceu com o filho de Luciana Ribeiro..."

Ela segurou o braço dele.

"Você precisa encontrar o menino que todos acreditam que desapareceu para sempre."

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