《A Costureira Que Todos Humilharam》Parte 7

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Helena ficou alguns segundos olhando para Eduardo parado dentro da sua pequena loja.

Ela não esperava vê-lo novamente.

Muito menos ali.

Naquele lugar simples, onde ninguém imaginava que um dos homens mais ricos do Brasil pisaria.

Ela deixou a fita métrica sobre a mesa e tentou esconder o nervosismo.

"Você precisava de alguma coisa?"

Eduardo olhou ao redor.

Ele percebeu que Helena estava tentando manter uma distância.

Como se ainda acreditasse que ele pertencia a um mundo onde ela não podia entrar.

"Eu vim conversar com você."

Helena ficou em silêncio.

Depois de tudo que aconteceu na mansão Montenegro, ela não sabia se aquela conversa traria mais problemas.

"Sobre o quê?"

Eduardo respirou fundo.

"Sobre ontem."

Helena abaixou os olhos.

"Se for sobre a confusão que aconteceu, eu sinto muito."

Eduardo franziu a testa.

"Por que você está pedindo desculpas?"

Ela ficou surpresa.

"Porque eu acabei causando uma situação desconfortável."

Ele deu um passo à frente.

"Helena, você não causou problema nenhum."

Ela olhou para ele.

"Mas sua família..."

Eduardo interrompeu.

"Minha família viu apenas uma parte da história."

O silêncio entre os dois aumentou.

Então Eduardo falou com sinceridade:

"Eu preciso que você entenda uma coisa."

Helena esperou.

"Eu não fui atrás de você porque senti pena."

Ela ficou surpresa.

"Eu nunca pensei isso."

Mas sua expressão mostrava que, no fundo, ela tinha medo disso.

Eduardo continuou:

"Eu sei que muitas pessoas olharam para você naquela noite e pensaram que você era apenas uma garota simples que teve sorte."

Helena ficou quieta.

"Mas elas estavam erradas."

Ele olhou diretamente para ela.

"Eu escolhi me aproximar de você porque você foi a única pessoa naquele lugar que não estava tentando conseguir alguma coisa."

Aquelas palavras tocaram Helena.

Porque durante toda a sua vida, ela sentiu que precisava provar seu valor.

Mas Eduardo não estava falando sobre aparência.

Nem dinheiro.

Nem sobrenome.

Ele estava falando sobre quem ela era.

"Você nem sabia quem era Dona Teresa."

Helena sorriu levemente.

"Se eu soubesse, eu teria feito diferente?"

Eduardo ficou em silêncio.

Ele percebeu a resposta.

Não.

Helena teria ajudado da mesma forma.

Porque aquela era sua essência.

Nos dias seguintes, Eduardo começou a aparecer com frequência na loja.

Ele não levava presentes caros.

Não tentava impressioná-la.

Apenas conversava.

Às vezes ficava sentado observando Helena trabalhar.

Ela costurava enquanto ele falava sobre sua vida.

E, aos poucos, duas pessoas de mundos completamente diferentes começaram a se aproximar.

Helena descobriu que Eduardo não era apenas um homem rico.

Ele era alguém que carregava muita responsabilidade.

Desde jovem, precisou assumir o comando da empresa após a morte do pai.

Todos esperavam que ele fosse perfeito.

Que nunca demonstrasse fraqueza.

"Às vezes as pessoas olham para o dinheiro e esquecem que existe uma pessoa atrás dele."

Eduardo disse certa tarde.

Helena olhou para ele.

"Talvez seja porque muitas pessoas só enxergam o que podem ganhar."

Ele sorriu.

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"Você não faz isso."

Ela respondeu:

"Porque eu sei como é ser vista apenas por aquilo que você tem ou não tem."

Aquela frase ficou na mente dele.

Porque Eduardo percebeu que Helena entendia uma dor que ele também conhecia.

Ser julgado antes de ser conhecido.

Enquanto isso, a aproximação dos dois começou a incomodar muitas pessoas.

Principalmente Patrícia.

Ela acompanhava cada notícia.

Cada foto.

Cada comentário.

E cada vez ficava mais irritada.

Em uma reunião familiar, ela tentou convencer algumas pessoas de que aquilo era apenas uma fase.

"Eduardo está confundindo bondade com compatibilidade."

Uma mulher perguntou:

"Mas Dona Teresa gosta dela."

Patrícia respondeu rapidamente:

"Dona Teresa tem um bom coração. Ela se emociona facilmente."

Mas ninguém ali ignorava uma coisa.

Eduardo estava diferente.

Ele sorria mais.

Conversava mais.

Parecia mais leve.

E isso incomodava quem sempre acreditou que ele escolheria alguém do mesmo círculo social.

Na loja de Helena, a realidade era completamente diferente.

Ela ainda tinha medo.

Mesmo gostando da presença de Eduardo, uma parte dela acreditava que aquilo não poderia durar.

Uma tarde, enquanto fechava a porta da loja, ela perguntou:

"Eduardo, posso fazer uma pergunta?"

"Claro."

"Por que você continua vindo aqui?"

Ele ficou alguns segundos em silêncio.

Depois respondeu:

"Porque aqui eu posso ser apenas Eduardo."

Helena olhou para ele.

"E na sua vida normal?"

Ele sorriu sem alegria.

"Na minha vida normal, eu sou o herdeiro Montenegro."

Ela entendeu.

Porque ela também sabia como era carregar um papel que outras pessoas tinham criado.

Pouco tempo depois, a relação entre os dois deixou de ser apenas um segredo.

Uma foto deles conversando em frente à loja foi tirada por um fotógrafo.

No dia seguinte, todos os jornais e páginas de notícias começaram a falar.

As manchetes apareceram em todos os lugares.

O nome Montenegro estava novamente no centro das atenções.

Mas dessa vez por um motivo inesperado.

A notícia dizia:

"Bilionário escolhe costureira humilde."

A imagem de Eduardo ao lado de Helena se espalhou rapidamente.

Algumas pessoas ficaram emocionadas.

Outras ficaram chocadas.

Mas, dentro da casa dos Oliveira, a reação foi completamente diferente.

Marta segurava o celular com raiva.

Larissa, Bianca e Camila olhavam a notícia em silêncio.

A garota que elas sempre consideraram inferior agora estava em todos os lugares.

Marta apertou o aparelho.

"Isso não pode continuar."

Enquanto isso, Helena olhava a mesma notícia na tela do seu celular.

Pela primeira vez, ela percebeu que sua vida simples havia chamado atenção de todo o país.

E junto com aquela atenção, vinha algo que ela nunca tinha imaginado.

Pessoas querendo conhecê-la.

Mas também pessoas querendo destruí-la.

Porque, naquele mesmo momento, alguém dentro da família Montenegro já começava a preparar o próximo ataque contra ela.

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