A notícia sobre a seleção de Gabriel Augusto Vasconcelos se espalhou pelo Brasil em poucas horas.
Nas mansões de São Paulo, famílias tradicionais começaram uma verdadeira corrida contra o tempo.
Todas queriam a mesma coisa.
O sobrenome Vasconcelos.
O poder do Grupo Vasconcelos.
E principalmente, o título de mulher escolhida pelo homem mais disputado da elite brasileira.
Nos bairros mais luxuosos da cidade, salões de beleza ficaram lotados.
Estilistas receberam pedidos urgentes.
Consultores de imagem foram contratados.
As famílias mais ricas preparavam suas filhas como se elas estivessem prestes a disputar o maior prêmio de suas vidas.
Na cobertura dos Monteiro, localizada na região dos Jardins, Valentina Monteiro observava dezenas de vestidos espalhados sobre a cama.
Cada peça havia sido escolhida cuidadosamente.
Vestidos de alta costura.
Joias raras.
Sapatos exclusivos.
Tudo precisava transmitir a imagem perfeita.
A mãe dela, Helena Monteiro, entrou no quarto e sorriu ao ver aquela preparação.
"Minha filha, você sabe que essa oportunidade pode mudar sua vida."
Valentina continuou olhando para o espelho.
"Eu não preciso que essa oportunidade mude minha vida."
Ela colocou um colar de diamantes no pescoço.
"Eu preciso apenas que todos reconheçam aquilo que já deveria ser meu."
Helena sorriu.
"Você sempre teve confiança."
Valentina virou lentamente.
"Não é confiança, mãe."
Ela olhou para o próprio reflexo.
"É certeza."
Para Valentina, não existia nenhuma possibilidade de Gabriel escolher outra mulher.
Ela tinha tudo aquilo que uma futura esposa de um bilionário deveria ter.
Beleza.
Educação.
Família.
Dinheiro.
Influência.
Desde pequena, ela aprendeu que naquele mundo as pessoas não conquistavam lugares.
Elas nasciam destinadas a eles.
E Valentina acreditava que tinha nascido para ser a próxima senhora Vasconcelos.
Enquanto isso, em outros pontos de São Paulo, dezenas de mulheres recebiam o mesmo convite.
Filhas de empresários.
Advogadas de famílias famosas.
Herederas de grandes fortunas.
Mulheres que passaram a vida inteira sendo preparadas para frequentar os ambientes mais exclusivos do país.
O anúncio dizia apenas que Gabriel procurava uma mulher capaz de representar a família Vasconcelos.
Mas ninguém sabia exatamente o que isso significava.
Por isso, cada candidata tentava imaginar o que ele procurava.
Algumas acreditavam que Gabriel queria uma mulher elegante.
Outras pensavam que ele procurava alguém com influência social.
A maioria tinha a mesma certeza:
A futura senhora Vasconcelos precisava ser perfeita aos olhos da sociedade.
Na Mansão Vasconcelos, a preparação também começou.
Funcionários trabalhavam dia e noite para organizar o evento.
O enorme jardim recebeu flores importadas.
O salão principal ganhou novos lustres.
As mesas foram preparadas para receber representantes das famílias mais importantes do Brasil.
Tudo parecia uma grande cerimônia de casamento.
Mas Gabriel não via aquilo como uma celebração.
Para ele, era uma oportunidade de descobrir algo que ninguém conseguia mostrar.
A verdadeira personalidade de uma pessoa.
Na tarde anterior ao evento, Antônio Ribeiro, o antigo mordomo da família, encontrou Gabriel observando o salão vazio.
Durante mais de quarenta anos, Antônio havia acompanhado gerações da família Vasconcelos.
Ele conhecia Gabriel desde criança.
"Senhor Gabriel, posso fazer uma pergunta?"
Gabriel olhou para ele.
"Claro, Antônio."
O mordomo observou o enorme espaço preparado para receber as candidatas.
"O senhor realmente acredita que vai encontrar alguém diferente nesse grupo?"
Gabriel ficou alguns segundos em silêncio.
"Eu não sei."
Antônio ficou surpreso.
Pela primeira vez, ouviu Gabriel admitir uma dúvida.
"Mas sei que se eu desistir, vou acabar aceitando alguém apenas porque todos esperam isso de mim."
O mordomo sorriu discretamente.
"Seu pai sempre disse que um homem poderoso precisa de uma mulher poderosa ao lado."
Gabriel respondeu:
"Ele está certo."
Então caminhou lentamente pelo salão.
"Mas pessoas poderosas não são definidas pelo dinheiro que possuem."
Antônio observou o jovem herdeiro.
"Então pelo que são definidas?"
Gabriel respondeu:
"Pela forma como tratam aqueles que não podem oferecer nada em troca."
Na manhã da seleção, a Mansão Vasconcelos parecia um palco preparado para uma grande novela.
Carros de luxo começaram a chegar logo cedo.
Mercedes.
Porsches.
Veículos blindados.
Cada chegada chamava atenção dos jornalistas posicionados do lado de fora.
As candidatas entravam usando seus melhores vestidos.
Algumas caminhavam como modelos.
Outras sorriam para as câmeras.
Todas queriam parecer confiantes.
No salão principal, elas começaram a observar umas às outras.
Era impossível não sentir a competição no ar.
Uma jovem olhou para o vestido de outra e comentou baixinho:
"Ela realmente acha que aquele modelo combina com a família Vasconcelos?"
Outra respondeu:
"Algumas pessoas têm dinheiro, mas não têm classe."
Pequenos comentários surgiam em todos os cantos.
Cada mulher tentava parecer superior.
Cada sorriso escondia uma disputa.
Valentina chegou por último.
E quando entrou no salão, todas olharam.
Seu vestido vermelho elegante chamava atenção.
Ela caminhou tranquila, como se já conhecesse o lugar.
Algumas candidatas cochicharam.
"Ela parece ter certeza que já venceu."
Uma outra respondeu:
"Talvez porque ela realmente seja a favorita."
Valentina ouviu.
E apenas sorriu.
Ela acreditava que aquele dia seria apenas uma confirmação.
Gabriel logo apareceria.
Veria todas as mulheres.
E perceberia que nenhuma delas poderia competir com ela.
Pouco depois, as portas do salão principal foram abertas.
Gabriel entrou.
Todos os olhares se voltaram para ele.
Ele vestia um terno escuro simples, mas sua presença dominava o ambiente.
As candidatas imediatamente mudaram a postura.
Sorrisos apareceram.
Olhares ficaram mais cuidadosos.
Cada uma tentava transmitir a melhor versão de si mesma.
Gabriel caminhou até o centro do salão.
Ao lado dele estava Augusto.
O patriarca da família observava tudo em silêncio.
Gabriel começou explicando as regras.
"Todas vocês passaram por uma seleção inicial."
As mulheres ficaram atentas.
"Analisamos conhecimentos, trajetória pessoal, formação, educação e capacidade de representar uma família como a nossa."
Algumas sorriram confiantes.
Valentina manteve a postura perfeita.
Gabriel continuou:
"Mas isso é apenas a primeira etapa."
Um silêncio tomou conta do salão.
As candidatas se olharam.
A primeira etapa?
Então existia algo mais.
Gabriel fez um sinal.
As portas laterais foram abertas.
Funcionários entraram lentamente carregando documentos, mesas e equipamentos para avaliação.
Durante horas, as mulheres passaram por diferentes testes.
Respondiam perguntas sobre história.
Falavam sobre negócios.
Demonstravam conhecimento sobre cultura.
Participavam de conversas simuladas.
Tudo era observado cuidadosamente.
A forma de falar.
A maneira de tratar funcionários.
A reação diante de situações inesperadas.
Valentina passou por todas as etapas com facilidade.
Quando terminou, aproximou-se de algumas candidatas.
"Espero que vocês tenham aproveitado a experiência."
Uma delas perguntou:
"Você acha que vai ganhar?"
Valentina sorriu.
"Eu não acho."
Ela olhou para o salão.
"Eu tenho certeza."
No fim da tarde, todas acreditavam que a escolha seria baseada naquilo que a sociedade sempre valorizou.
A mulher mais bonita.
A mulher mais elegante.
A mulher com a família mais poderosa.
Mas então algo estranho aconteceu.
Quando as candidatas retornaram ao salão principal, perceberam que havia uma nova estrutura no centro do ambiente.
Era um enorme marco de madeira.
Alto.
Antigo.
Com formato semelhante ao corpo humano.
Ninguém sabia de onde aquilo tinha vindo.
As mulheres começaram a cochichar.
"O que é isso?"
"Será parte da decoração?"
"Talvez seja algum tipo de teste físico."
Valentina observou o objeto com curiosidade.
Pela primeira vez naquele dia, ela parecia insegura.
Augusto também olhou para Gabriel.
Nem ele sabia exatamente o que o filho havia preparado.
Antônio ficou parado no fundo do salão.
Ele percebeu que aquele momento era diferente.
Gabriel caminhou lentamente até o centro.
Todas as mulheres ficaram em silêncio.
Ele olhou para o grande marco de madeira.
Depois observou cada candidata diante dele.
Então falou:
"Durante muito tempo, todos acreditaram que uma mulher deveria ser escolhida pela aparência, pelo sobrenome ou pelo lugar que ocupa na sociedade."
Ninguém respirava.
Gabriel deu mais um passo.
"Mas eu nunca procurei isso."
As candidatas ficaram atentas.
Valentina cruzou os braços.
Gabriel levantou a voz.
"Agora vocês vão descobrir o verdadeiro motivo de estarem aqui."
O salão inteiro ficou completamente silencioso.
Então ele completou:
"O verdadeiro teste começa agora."