Durante três anos, o nome de Gabriel Augusto Vasconcelos esteve em todas as revistas de negócios, colunas sociais e programas de televisão de São Paulo.
Aos 35 anos, ele era considerado um dos homens mais cobiçados do Brasil.
Herdeiro do Grupo Vasconcelos, um dos maiores impérios imobiliários e hoteleiros do país, Gabriel tinha tudo o que qualquer pessoa poderia desejar.
Dinheiro.
Poder.
Prestígio.
Uma família respeitada há décadas.
Mas existia uma coisa que ninguém conseguia entender.
Ele continuava solteiro.
Na Mansão Vasconcelos, localizada no Jardim Europa, em São Paulo, os grandes salões permaneciam silenciosos todas as manhãs enquanto Augusto Vasconcelos, fundador do império da família, observava o filho tomar café sozinho.
O homem de 68 anos já havia perdido a paciência.
Para ele, não era apenas uma questão de amor.
Era uma questão de futuro.
O Grupo Vasconcelos precisava de uma nova geração.
Precisava de uma mulher ao lado do futuro presidente.
Precisava de uma herdeira que representasse a família.
Naquela manhã, Augusto colocou o jornal sobre a mesa e encarou o filho.
Na capa estava uma foto de Gabriel saindo de uma reunião empresarial.
A manchete dizia:
"O bilionário que rejeita todas as mulheres: Gabriel Vasconcelos nunca vai se casar?"
Augusto respirou fundo.
"Você viu o que estão falando sobre você novamente?"
Gabriel continuou tomando café tranquilamente.
"Eu vi."
"E isso não incomoda você?"
Gabriel levantou os olhos.
"Não. As pessoas sempre vão falar."
Augusto apertou os dedos sobre a mesa.
"Não é apenas sobre as pessoas, Gabriel. É sobre sua família. Sobre o legado que seu avô construiu e que você vai assumir."
Gabriel ficou em silêncio.
Ele sabia que aquela conversa acontecia quase todos os dias.
Desde que sua mãe faleceu, Augusto havia colocado sobre ele a responsabilidade de manter o nome Vasconcelos no topo.
Mas havia uma coisa que Gabriel nunca aceitou.
Casar por obrigação.
Ele já tinha visto muitos casamentos entre famílias ricas.
Grandes festas.
Fotos perfeitas.
Sorrisos para as câmeras.
Mas por trás das portas fechadas existiam traições, interesses e acordos escondidos.
Gabriel não queria uma esposa escolhida por contratos.
Ele queria alguém que estivesse ao seu lado quando ninguém estivesse olhando.
Alguém que enxergasse o homem antes do sobrenome.
Augusto se levantou lentamente.
"Durante três anos, eu deixei você escolher sozinho."
Gabriel olhou para o pai.
"E eu agradeço por isso."
"Mas agora acabou."
A expressão de Gabriel mudou.
"Pai..."
"Não, Gabriel. Escute."
Augusto caminhou até a janela da sala.
Do lado de fora, os jardins impecáveis da mansão pareciam representar tudo aquilo que a família havia construído.
"Você recusou princesas europeias, filhas de empresários, herdeiras de grandes bancos e mulheres que dariam qualquer coisa para carregar o sobrenome Vasconcelos."
Gabriel permaneceu calado.
"Quantas mulheres mais você pretende rejeitar?"
A pergunta ficou ecoando pela sala.
Gabriel finalmente respondeu:
"Quantas forem necessárias."
Augusto virou lentamente.
"Você realmente acredita que existe uma mulher perfeita esperando por você?"
Gabriel se levantou.
"Não acredito em perfeição."
Ele caminhou até a janela ao lado do pai.
"Acredito em caráter."
Augusto observou o filho por alguns segundos.
"Caráter não aparece em uma primeira impressão."
Gabriel sorriu levemente.
"É exatamente por isso que nenhuma delas conseguiu me convencer."
A frase irritou Augusto.
Porque no fundo ele sabia que o filho tinha razão.
Durante três anos, dezenas de mulheres passaram pela Mansão Vasconcelos.
Cada uma mais preparada que a outra.
As famílias mais poderosas do Brasil enviaram suas filhas.
Algumas vieram de Nova York.
Outras de Paris.
Outras das maiores famílias empresariais de São Paulo.
Todas tinham beleza.
Educação.
Dinheiro.
Mas Gabriel sempre encontrava algo que o afastava.
Uma delas tratava funcionários como se fossem invisíveis.
Outra ria dos problemas de pessoas pobres.
Outra só queria aparecer nas revistas.
Para Gabriel, aquilo dizia mais do que qualquer currículo ou sobrenome.
Ele não procurava uma mulher para decorar uma fotografia.
Ele procurava alguém capaz de permanecer humana dentro de um mundo onde todos fingiam ser perfeitos.
Enquanto isso, fora da mansão, a imprensa transformava sua vida em entretenimento.
Programas de televisão faziam piadas.
Colunistas criavam teorias.
"Será que Gabriel Vasconcelos tem medo de casamento?"
"Será que nenhuma mulher é suficiente para o herdeiro?"
"Ou será que ele simplesmente nunca encontrou alguém?"
Nas redes sociais, milhares de comentários surgiam todos os dias.
Alguns defendiam Gabriel.
Outros diziam que ele era arrogante.
Mas a maioria acreditava que o problema era simples:
Ele estava procurando algo que não existia.
Naquela mesma semana, uma grande festa foi realizada no Hotel Fasano São Paulo.
Era um dos eventos mais importantes da elite paulista.
Empresários, artistas e famílias tradicionais estavam reunidos.
Gabriel chegou usando um terno preto elegante.
Em poucos minutos, todas as atenções estavam nele.
Principalmente das mulheres.
Entre elas estava Valentina Monteiro.
Filha de um dos maiores investidores financeiros do país.
Ela era considerada a candidata perfeita para se tornar a próxima senhora Vasconcelos.
Linda, inteligente e dona de uma personalidade forte.
Valentina se aproximou sorrindo.
"Gabriel, finalmente conseguiu escapar das reuniões?"
Ele respondeu educadamente:
"Por alguns minutos."
Ela riu.
"Você sabe que metade das mulheres aqui adoraria estar no meu lugar agora."
Gabriel apenas observou o salão.
"Esse é exatamente o problema."
Valentina franziu a testa.
"Como assim?"
"Todos querem o lugar. Poucos querem a pessoa."
O sorriso dela desapareceu por um instante.
Mas antes que pudesse responder, os fotógrafos começaram a se aproximar.
No dia seguinte, as imagens da festa estavam em todos os jornais.
Mais uma vez, a pergunta apareceu:
"Quando Gabriel Vasconcelos vai escolher sua esposa?"
A pressão aumentava.
Até que uma noite, depois de uma longa discussão com o pai, Gabriel tomou uma decisão.
Ele entrou na sala principal da Mansão Vasconcelos.
Augusto estava sentado em sua poltrona.
"Eu pensei em tudo."
O pai levantou os olhos.
"E?"
Gabriel ficou parado no centro da sala.
"Pela primeira vez, eu vou aceitar realizar uma seleção."
Augusto demonstrou surpresa.
"Uma seleção?"
"Sim."
"Como as famílias antigas faziam?"
Gabriel negou.
"Não será uma disputa de beleza. Nem de dinheiro. Nem de sobrenome."
Augusto ficou curioso.
"Então como será?"
Gabriel olhou para o enorme salão vazio da mansão.
Durante anos, ele observou pessoas tentando impressioná-lo.
Mas ele sabia que a verdadeira personalidade aparecia quando alguém não tinha nada a ganhar.
"Eu vou encontrar uma mulher que mereça estar ao meu lado."
Augusto permaneceu em silêncio.
Então Gabriel completou:
"Vou convidar as mulheres mais preparadas do país para uma última oportunidade."
"Oportunidade de quê?"
Gabriel virou para o pai.
"De mostrar quem elas realmente são."
Na manhã seguinte, uma notícia inesperada tomou conta do Brasil.
O Grupo Vasconcelos anunciou oficialmente que Gabriel Augusto Vasconcelos abriria uma seleção nunca vista antes para escolher sua futura esposa.
Centenas de mulheres começaram a se preparar.
As famílias mais ricas correram para garantir uma vaga.
Mas ninguém sabia que, dentro da Mansão Vasconcelos, Gabriel já havia preparado uma prova secreta.
Uma prova que não avaliaria beleza.
Nem dinheiro.
Nem posição social.
E quando a primeira candidata atravessasse aquela porta, todos descobririam que o verdadeiro teste seria muito diferente do que imaginavam.