《A Mulher Que Fingiu Ser Minha Esposa》Parte 5

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Naquela noite, depois da grande festa beneficente da Fundação Vasconcelos, São Paulo acordou com uma notícia que ninguém esperava.

Valentina Almeida Vasconcelos estava viva.

Durante quase um ano, o nome dela esteve ligado ao mistério mais comentado do país.

Agora, em poucas horas, tudo havia mudado.

Os principais jornais publicaram a mesma imagem.

Alexandre Almeida Vasconcelos entrando no evento ao lado da esposa.

A mulher que todos acreditavam estar desaparecida havia retornado.

As manchetes dominaram a internet.

"Valentina Vasconcelos reaparece após meses de mistério."

"A esposa do poderoso empresário volta para casa."

"Don Almeida finalmente reencontra sua esposa desaparecida."

A cidade inteira comentava o assunto.

Nas redes sociais, milhares de pessoas discutiam o caso.

Alguns diziam que Alexandre finalmente estava livre das suspeitas.

Outros ainda desconfiavam.

Mas a maioria acreditava na história.

Afinal, a própria mulher havia aparecido diante de centenas de pessoas.

Havia jornalistas.

Fotógrafos.

Empresários.

Autoridades.

Para todos, aquilo parecia uma prova definitiva.

Na manhã seguinte, Alexandre observava as notícias no escritório da mansão.

Pela primeira vez em muitos meses, ele conseguiu respirar.

O peso que carregava parecia menor.

A pressão dos investigadores havia diminuído.

Os acionistas da empresa começaram a ligar novamente.

Os parceiros comerciais voltaram a demonstrar confiança.

Seu império, que estava ameaçado, começava lentamente a se recuperar.

Mas Alexandre sabia que tudo aquilo estava construído sobre uma mentira.

Ele olhou pela janela da sala.

No jardim da mansão, Emma caminhava lentamente.

Ela ainda estava tentando entender aquele novo mundo.

Algumas horas antes, ela era uma mulher sem endereço fixo.

Agora, era conhecida como a esposa de um dos homens mais poderosos do Brasil.

E o mais estranho era que todos acreditavam.

Naquela manhã, Alexandre encontrou Emma na biblioteca.

Ela estava lendo alguns documentos antigos.

"Você deveria descansar."

Emma levantou os olhos.

"Você fala isso sempre que quer evitar uma conversa."

Alexandre ficou parado.

"Você fez um bom trabalho ontem."

Ela fechou o documento.

"Eu não fiz um trabalho."

"Eu menti para milhares de pessoas."

Alexandre ficou em silêncio.

Ele esperava que ela estivesse feliz.

Esperava que o dinheiro e a nova vida fossem suficientes.

Mas Emma parecia carregar um peso.

"Você se arrepende?"

Ela olhou para ele.

"Eu ainda não sei."

A resposta incomodou Alexandre.

Porque ele percebeu que Emma não estava interessada apenas no luxo.

Ela estava tentando entender a verdade.

Nos dias seguintes, Emma começou oficialmente sua rotina como Valentina Vasconcelos.

Ela participou de reuniões.

Apareceu em eventos.

Recebeu visitas de pessoas importantes.

Todos queriam conversar com ela.

Todos queriam saber onde ela tinha estado.

E ela precisava repetir a mesma história criada por Alexandre.

"Eu precisei ficar longe."

"Eu precisava pensar."

"Não queria envolver minha família."

Cada vez que dizia aquelas palavras, sentia uma pequena culpa.

Porque quanto mais convincente parecia, mais distante ficava da própria identidade.

Mas algo chamou sua atenção.

As pessoas daquela casa tinham medo.

Muito medo.

Os funcionários mudavam de assunto quando ela entrava em uma sala.

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Algumas portas permaneciam trancadas.

Alguns lugares pareciam proibidos.

Uma tarde, enquanto caminhava pelo corredor do segundo andar, Emma percebeu uma porta antiga parcialmente aberta.

Ela parou.

Nunca tinha visto aquele quarto antes.

Olhou ao redor.

Não havia ninguém.

Empurrou lentamente a porta.

Era um antigo escritório de Valentina.

O ambiente estava coberto de poeira.

Sobre a mesa havia alguns livros.

Fotografias.

Papéis antigos.

Emma entrou devagar.

Ela sentia que estava invadindo um lugar que não pertencia a ela.

Mas alguma coisa dentro dela dizia para continuar.

Depois de alguns minutos procurando, encontrou uma pequena caixa de madeira escondida dentro de uma gaveta.

A caixa estava fechada.

Mas não trancada.

Dentro dela havia algumas cartas.

E um diário.

Emma segurou o objeto nas mãos.

Era de Valentina.

Ela sabia que não deveria abrir.

Mas também sabia que aquela mulher desaparecida era a única pessoa capaz de explicar toda aquela situação.

Então começou a ler.

As primeiras páginas falavam sobre a vida na mansão.

Sobre o casamento.

Sobre Alexandre.

Mas conforme avançava, o tom mudava.

Valentina parecia cada vez mais preocupada.

Uma frase chamou imediatamente a atenção de Emma.

"Alexandre, eu sei que existe alguém perto de você tentando destruir tudo o que você construiu."

Emma parou de respirar por alguns segundos.

Continuou lendo.

"Você acredita que conhece todas as pessoas ao seu redor, mas existe alguém escondendo uma verdade perigosa."

As mãos de Emma ficaram tensas.

Ela não sabia o que pensar.

Alexandre era realmente vítima?

Ou aquilo fazia parte de outro jogo?

Durante toda aquela história, ela havia acreditado que Alexandre era apenas um homem tentando escapar de uma acusação injusta.

Mas agora começava a perceber que havia muito mais escondido.

Ela virou mais algumas páginas.

Valentina escreveu sobre reuniões secretas.

Conversas que ouviu.

Pessoas que começaram a agir de maneira estranha.

Mas sempre que parecia revelar um nome, a escrita parava.

Como se ela tivesse medo de colocar aquilo no papel.

Emma fechou o diário por alguns segundos.

Precisava pensar.

Ela deveria contar para Alexandre?

Ou guardar aquela informação?

Afinal, ele era o homem que a colocou naquela mentira.

Mas também poderia ser alguém que estava sendo atacado sem saber.

No fim da tarde, Alexandre voltou para a mansão.

Ele percebeu imediatamente que Emma estava diferente.

Ela estava mais séria.

Mais distante.

"Está tudo bem?"

Emma fechou rapidamente o diário que estava segurando.

"Sim."

Alexandre observou o movimento dela.

Ele conhecia pessoas escondendo coisas.

E naquele momento percebeu que Emma estava fazendo exatamente isso.

"O que você encontrou?"

Ela ficou em silêncio.

"Emma."

A voz dele ficou mais firme.

Mas dessa vez ela não se assustou.

Ela apenas guardou o diário.

"Talvez eu tenha encontrado algo que explica por que sua esposa desapareceu."

Alexandre ficou imóvel.

Aquelas palavras mudaram completamente a expressão dele.

"Onde você encontrou isso?"

Emma olhou para ele.

"Em um lugar que alguém tentou esconder."

O silêncio entre os dois ficou pesado.

Pela primeira vez, eles não estavam falando sobre o acordo.

Nem sobre a mentira.

Estavam falando sobre Valentina.

Naquela noite, enquanto Alexandre tentava entender o que Emma havia descoberto, ela voltou para o quarto e abriu novamente o diário.

Ela precisava saber a verdade.

Precisava entender quem estava ameaçando aquela família.

Com cuidado, virou as últimas páginas.

No final do diário havia apenas uma frase.

Uma frase escrita com uma letra apressada.

Como se Valentina tivesse escrito poucos minutos antes de desaparecer.

Emma sentiu um arrepio.

Porque abaixo daquela mensagem havia apenas um nome.

Um nome que mudaria tudo.

"Ricardo Ferraz."

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