《A Mulher Que Fingiu Ser Minha Esposa》Parte 4

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A Mansão Vasconcelos nunca tinha recebido uma pessoa como Emma Rodrigues Ferreira.

Durante anos, aquele lugar foi frequentado por empresários famosos, políticos importantes e pessoas que pertenciam à elite de São Paulo.

Todos ali conheciam as regras.

Sabiam como falar.

Como se vestir.

Como esconder emoções.

Mas Emma era diferente.

Ela entrou naquela casa sem tentar parecer pequena.

Mesmo diante dos enormes corredores, dos móveis importados e das obras de arte espalhadas pelas paredes, ela não demonstrou deslumbramento.

Ela apenas observava.

E isso incomodava Alexandre.

Ele esperava que uma mulher que passou anos vivendo nas ruas ficasse impressionada com aquele luxo.

Mas Emma olhava para tudo como se estivesse tentando entender o lugar.

Não como alguém que sonhava pertencer àquele mundo.

Na primeira manhã, Alexandre contratou uma equipe especializada para preparar Emma.

Uma professora de etiqueta.

Uma consultora de imagem.

Uma especialista em comportamento da alta sociedade.

Todos tinham uma missão.

Transformar Emma Rodrigues Ferreira em Valentina Almeida Vasconcelos.

A primeira aula aconteceu na sala principal da mansão.

A professora Helena Duarte colocou uma xícara de café sobre a mesa.

"Emma, uma mulher como Valentina nunca segura a xícara dessa maneira."

Emma olhou para a própria mão.

"E qual é o problema?"

Helena respirou fundo.

"O jeito como você segura demonstra insegurança."

Emma soltou uma pequena risada.

"Ou demonstra que eu realmente estou segurando uma xícara."

A professora ficou sem resposta.

Do outro lado da sala, Alexandre observava tudo.

Ele esperava que Emma fosse difícil.

Mas não imaginava que ela questionaria cada detalhe.

Depois da aula de etiqueta, veio a aula de comportamento.

Ela precisava aprender sobre os amigos de Valentina.

Os lugares que frequentava.

As pessoas que conhecia.

Os assuntos que costumava conversar.

Alexandre passou horas explicando.

"Valentina gostava de música clássica."

"Frequentava o Instituto Cultural de São Paulo."

"Ela sempre conversava sobre arte e investimentos."

Emma escutava atentamente.

Mas depois de alguns minutos, fez uma pergunta inesperada.

"E ela era feliz?"

Alexandre parou.

A pergunta parecia simples.

Mas ele não sabia responder.

"Por que você pergunta isso?"

Emma olhou para ele.

"Porque você fala de tudo sobre ela."

"Mas não falou uma única vez sobre o que ela sentia."

Alexandre ficou em silêncio.

Ele não gostava daquela sensação.

Emma estava começando a enxergar coisas que ele mesmo evitava.

Nos dias seguintes, a convivência entre os dois ficou cada vez mais complicada.

Alexandre queria controlar cada movimento dela.

Mas Emma não aceitava ordens sem entender o motivo.

Certa manhã, durante uma aula de postura, ele perdeu a paciência.

"Você precisa parar de agir como se estivesse em uma batalha comigo."

Emma virou para ele.

"Talvez porque eu esteja."

Alexandre ficou sério.

"Você está aqui porque eu estou dando uma oportunidade."

"Não."

Ela respondeu imediatamente.

"Eu estou aqui porque nós dois precisamos disso."

A resposta fez Alexandre ficar irritado.

Poucas pessoas falavam com ele daquela maneira.

Na verdade, quase ninguém.

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Todos ao redor dele escolhiam cuidadosamente cada palavra.

Medo.

Interesse.

Respeito.

Mas Emma não tinha medo.

E isso o incomodava.

Naquela noite, Alexandre encontrou Emma sozinha na biblioteca.

Ela estava olhando alguns livros antigos de Valentina.

"Você deveria descansar."

Emma fechou o livro.

"Você sempre fala como se todos fossem funcionários seus."

Alexandre franziu a testa.

"Eu estou tentando ajudar."

"Não."

Ela respondeu.

"Você está tentando controlar tudo."

Ele se aproximou.

"Você não entende como esse mundo funciona."

Emma levantou.

"Eu entendo mais do que você imagina."

Alexandre ficou olhando para ela.

Então Emma disse algo que ninguém naquela casa teria coragem de dizer.

"Alexandre, você tem dinheiro, poder e influência."

Ela fez uma pausa.

"Mas você não tem amigos."

O rosto dele mudou.

"Tenha cuidado com suas palavras."

Emma continuou.

"Porque as pessoas ao seu redor não estão perto de você porque gostam de você."

"Elas estão perto porque têm medo."

O silêncio tomou conta da biblioteca.

Alexandre sentiu uma raiva imediata.

Mas junto com a raiva veio uma sensação estranha.

Porque, no fundo, ele sabia que ela tinha razão.

Durante anos, ninguém havia sido sincero com ele.

Ninguém.

Emma voltou para o quarto e deixou Alexandre sozinho.

Pela primeira vez em muito tempo, ele ficou pensando nas próprias escolhas.

Mas não podia parar.

O plano precisava continuar.

A cidade precisava acreditar que Valentina estava viva.

E para isso, havia um momento decisivo.

A grande noite da Fundação Vasconcelos.

Uma das maiores festas beneficentes de São Paulo.

Todos os anos, empresários, jornalistas e autoridades participavam do evento.

E naquele ano, todos queriam ver Alexandre.

Principalmente a polícia.

O Delegado Rafael Montenegro estaria presente.

Era a primeira vez que Alexandre apareceria publicamente desde o desaparecimento da esposa.

Naquela noite, a mansão estava movimentada.

Estilistas.

Maquiadores.

Seguranças.

Todos preparavam Emma.

Ela vestia um longo vestido elegante, semelhante aos que Valentina costumava usar.

Seu cabelo estava perfeitamente arrumado.

Sua maquiagem era sofisticada.

Mas ainda havia algo que ninguém conseguia copiar.

Seu olhar.

Quando Alexandre entrou no quarto e viu Emma pronta, ficou parado.

Por alguns segundos, esqueceu completamente que aquilo era um plano.

Ela parecia pertencer àquele lugar.

Mas não porque imitava Valentina.

Era porque tinha uma presença própria.

"Está pronta?"

Emma olhou para ele pelo espelho.

"Não."

Alexandre se surpreendeu.

"Não?"

Ela respirou fundo.

"Estou pronta para fingir."

A resposta fez Alexandre lembrar que ela nunca esqueceria quem era.

No evento, os carros começaram a chegar.

O salão luxuoso estava cheio.

Fotógrafos.

Jornalistas.

Empresários.

E também policiais.

Quando Alexandre entrou acompanhado de Emma, todo o ambiente mudou.

As conversas diminuíram.

As câmeras se levantaram imediatamente.

As pessoas ficaram chocadas.

A mulher ao lado dele parecia Valentina.

Mas havia algo diferente.

Muito diferente.

O Delegado Rafael Montenegro observava de longe.

Ele estreitou os olhos.

Aquela mulher parecia ser a esposa desaparecida.

Mas sua intuição dizia que havia algo errado.

Os jornalistas cercaram o casal.

Os flashes iluminavam o salão inteiro.

Um repórter conseguiu chegar mais perto.

"Senhora Valentina!"

Emma virou lentamente.

O coração dela acelerou.

Aquele era o momento que poderia destruir tudo.

O jornalista levantou o microfone.

"Valentina, você finalmente voltou?"

Todo o salão ficou em silêncio.

Alexandre olhou para Emma.

Era a primeira vez que ele não sabia se ela conseguiria seguir o plano.

Então Emma respirou fundo.

Olhou para todas aquelas pessoas.

E respondeu com uma calma que surpreendeu até Alexandre:

"Sim. Eu voltei."

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