《A Mulher Que Fingiu Ser Minha Esposa》Parte 3

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Emma passou a noite inteira sem conseguir dormir.

As palavras de Alexandre Almeida Vasconcelos continuavam ecoando em sua cabeça.

"Eu preciso que você finja ser minha esposa."

Parecia uma loucura.

Uma proposta absurda.

Um homem poderoso havia parado seu carro no meio da rua e oferecido uma fortuna para que uma desconhecida assumisse a identidade de uma mulher desaparecida.

Qualquer pessoa sensata teria recusado imediatamente.

E Emma tentou fazer isso.

Na manhã seguinte, ela caminhava pelas ruas próximas ao centro de São Paulo tentando esquecer aquela conversa.

Mas era impossível.

Porque, pela primeira vez em muito tempo, ela tinha uma escolha.

Continuar vivendo nas ruas.

Ou aceitar uma oportunidade que poderia mudar tudo.

Emma sempre odiou depender dos outros.

Desde pequena, aprendeu que ninguém iria aparecer para salvá-la.

Depois que perdeu os pais ainda adolescente, passou por casas de parentes onde sempre era tratada como um peso.

Ela trabalhou em restaurantes.

Limpou escritórios.

Dormiu em lugares onde precisava esconder seus poucos pertences para não perder tudo.

Ela conhecia a dificuldade.

Conhecia a fome.

Conhecia a sensação de ser ignorada pela sociedade.

Mas também conhecia seu próprio valor.

Por isso, a proposta de Alexandre a incomodava tanto.

Ele não estava oferecendo apenas dinheiro.

Ele estava pedindo que ela deixasse de ser quem era.

Naquela tarde, Alexandre voltou ao mesmo local onde havia encontrado Emma.

Ele sabia que ela precisava de tempo.

Mas também sabia que o tempo dele estava acabando.

A investigação policial estava cada vez mais intensa.

O conselho da empresa pressionava.

E os jornalistas não deixavam seu nome desaparecer das manchetes.

Quando viu Emma sentada no mesmo lugar, ele se aproximou.

Dessa vez, ela não se assustou.

Ela apenas levantou os olhos.

"Você voltou."

Alexandre ficou parado diante dela.

"Eu disse que voltaria."

Emma observou aquele homem em silêncio.

"Por quê eu?"

A pergunta era simples.

Mas Alexandre demorou para responder.

Porque ele mesmo ainda não sabia explicar completamente.

"Porque você se parece com ela."

Emma abaixou o olhar.

"Com sua esposa."

"Sim."

Ela soltou uma pequena risada.

"Então é isso? Você quer comprar uma pessoa para substituir outra?"

Alexandre ficou sério.

"Não é tão simples."

"Para mim parece muito simples."

Ele respirou fundo.

Normalmente ninguém falava com ele daquela maneira.

Mas Emma não parecia preocupada com o poder dele.

Ela não tentava agradá-lo.

E talvez fosse exatamente isso que fazia sua escolha parecer certa.

"Você receberá um milhão de reais."

Emma ficou em silêncio.

Aquele valor era algo que ela nunca conseguiria juntar em toda sua vida.

Alexandre continuou.

"Terá um apartamento no seu nome."

"Documentos novos."

"Roupas."

"Tratamento médico."

"Uma vida completamente diferente."

Emma olhou para ele.

"E depois?"

"Depois do acordo, você poderá ir embora."

"Sem precisar continuar fingindo?"

"Sim."

Ela ficou alguns segundos pensando.

A proposta parecia perfeita.

Perfeita demais.

"Existe uma coisa que você não está dizendo."

Alexandre levantou uma sobrancelha.

"O quê?"

"Qual é o verdadeiro perigo."

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A pergunta atingiu Alexandre.

Porque ela estava certa.

Havia algo que ele não estava contando.

Fingir ser Valentina significava entrar em uma história cheia de segredos.

Mas ele não podia revelar tudo.

Ainda não.

"Você só precisa seguir minhas instruções."

Emma levantou.

"Não."

Alexandre ficou surpreso.

"Não?"

"Eu não vou fingir ser uma mulher que não sou."

Ela pegou sua pequena bolsa.

"Dinheiro não compra tudo."

E começou a ir embora.

Pela primeira vez em muitos anos, Alexandre ficou sem reação.

Ele estava acostumado a convencer pessoas.

A comprar silêncio.

A resolver problemas com poder.

Mas aquela mulher tinha acabado de recusar uma fortuna.

Nos dias seguintes, Emma tentou esquecer a proposta.

Mas a realidade sempre voltava.

A chuva.

O frio.

A falta de um lugar seguro.

Naquela semana, ela perdeu o último trabalho temporário que tinha conseguido.

O dono do pequeno restaurante onde ajudava decidiu fechar as portas.

Naquela noite, Emma sentou embaixo de uma marquise olhando para as luzes dos prédios de São Paulo.

Milhares de pessoas tinham casas.

Famílias.

Pessoas esperando por elas.

Mas ela não tinha ninguém.

Foi quando percebeu uma coisa.

Talvez aceitar a proposta não significasse perder quem ela era.

Talvez fosse uma oportunidade de finalmente construir algo.

Na manhã seguinte, ela ligou para Alexandre.

Quando ele ouviu sua voz, ficou em silêncio por alguns segundos.

"Você aceitou?"

Emma respirou fundo.

"Eu tenho condições."

"Quais?"

"Eu não vou machucar ninguém."

Alexandre ficou sério.

"Não é essa a intenção."

"Eu também não vou fingir ser alguém sem questionar."

Ele quase sorriu.

"Você sempre fala assim?"

"Quando estou dizendo a verdade, sim."

Depois daquela conversa, tudo mudou.

No mesmo dia, Alexandre levou Emma até um dos salões de beleza mais luxuosos de São Paulo.

O salão de Camila Duarte ficava nos Jardins.

Era conhecido por atender celebridades, empresárias e mulheres da alta sociedade.

Quando Emma entrou usando suas roupas simples, todos os funcionários ficaram olhando.

Algumas pessoas demonstraram surpresa.

Outras ficaram curiosas.

Camila saiu do fundo do salão e observou a jovem por alguns segundos.

Ela percebeu imediatamente que havia algo diferente nela.

Não era apenas a aparência.

Era a postura.

"Então você é a garota que Alexandre trouxe."

Emma ficou desconfortável.

"Sou."

Camila olhou para Alexandre.

"Você quer que eu transforme ela em quem?"

Alexandre colocou uma fotografia de Valentina sobre a mesa.

"Quero que ela se pareça com minha esposa."

Camila pegou a foto.

Depois olhou para Emma.

Seu rosto mudou.

Ela entendeu a dificuldade.

O cabelo de Emma era completamente diferente.

Suas roupas.

Seu estilo.

Sua expressão.

Tudo precisava mudar.

"Vai ser um longo processo."

Alexandre respondeu:

"Faça o necessário."

Emma sentou na cadeira.

Pela primeira vez, percebeu que aquele acordo realmente estava começando.

A estilista se aproximou do cabelo longo dela.

"Tem certeza?"

Emma tocou nos fios.

Aquele cabelo havia acompanhado todos os momentos difíceis da sua vida.

Era uma das poucas coisas que ainda pertenciam somente a ela.

Mas ela fechou os olhos.

"Faça."

A tesoura começou a cortar.

Cada pedaço de cabelo que caía no chão parecia representar uma parte do passado que ficava para trás.

Depois vieram as mudanças.

O tratamento.

A maquiagem.

As roupas elegantes.

As aulas de postura.

A forma de andar.

A maneira de falar.

Durante dias, Emma passou por uma transformação completa.

Mas algo inesperado aconteceu.

Quanto mais tentavam transformá-la em Valentina, mais aparecia uma mulher completamente diferente.

Uma mulher mais forte.

Mais verdadeira.

Quando finalmente terminou, Camila abriu a porta da sala onde Emma estava.

Alexandre levantou os olhos.

E ficou sem palavras.

Ele esperava ver uma cópia de sua esposa.

Mas não viu.

Emma estava elegante.

Sofisticada.

Mas continuava sendo Emma.

Seus olhos tinham uma força que Valentina nunca demonstrou.

Sua expressão carregava uma coragem que não podia ser ensinada.

Alexandre percebeu naquele momento que havia cometido um erro.

Ele não tinha encontrado uma substituta.

Tinha encontrado alguém impossível de controlar.

Depois que Emma saiu para experimentar as novas roupas, Camila ficou sozinha com Alexandre.

Ela cruzou os braços e olhou para ele com seriedade.

"Alexandre, preciso dizer uma coisa."

Ele continuou olhando para Emma através do vidro.

"O quê?"

Camila baixou a voz.

"Ela não parece com sua esposa."

Alexandre virou o rosto.

Antes que pudesse responder, Camila completou:

"Ela é muito mais perigosa do que sua esposa."

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