localização atual: Novela Mágica Moderno O Fio Que Nos Uniu Parte 8

《O Fio Que Nos Uniu》Parte 8

PUBLICIDADE

A primeira vez que Lucas Ferreira de Souza entrou na casa nova, ele não conseguiu dar um passo para dentro.

Ele ficou parado na porta.

Samuel estava ao lado dele segurando sua mão.

A casa ficava em Alphaville, Barueri, em São Paulo.

Era diferente de tudo que os dois conheciam.

Não era uma mansão exagerada.

Não era um lugar frio.

Era uma casa simples, organizada e cheia de pequenos detalhes que Lucas não estava acostumado a ver.

Fotos de família nas paredes.

Livros em uma estante.

Uma mesa preparada para o jantar.

Um cheiro de comida quente vindo da cozinha.

Para Samuel, aquilo parecia um sonho.

Para Lucas, parecia perigoso.

Porque durante muito tempo ele aprendeu uma regra:

Tudo que era bom podia desaparecer.

A mulher que abriu a porta era Renata Carvalho Almeida.

Ao lado dela estava seu marido, Marcelo Almeida.

Eles eram o casal escolhido para receber Lucas e Samuel juntos.

Renata sorriu.

"Vocês devem ser Lucas e Samuel."

Samuel respondeu timidamente.

"Sim."

Ela se abaixou para ficar na altura dele.

"Sejam bem-vindos."

Samuel olhou para dentro da casa.

Depois olhou para Lucas.

Como se precisasse da aprovação do irmão antes de entrar.

Lucas percebeu.

E fez um pequeno gesto com a cabeça.

Podia entrar.

Samuel deu o primeiro passo.

Lucas demorou alguns segundos.

Mas finalmente entrou.

Naquela primeira noite, Samuel ficou parado diante do quarto.

Era um quarto preparado para os dois.

Duas camas.

Dois armários.

Uma janela grande mostrando as luzes da cidade.

Samuel passou a mão pelo lençol limpo.

"Lucas..."

"Sim?"

"Isso é nosso?"

Lucas olhou ao redor.

Ele não sabia o que responder.

Porque durante anos, tudo que eles tinham era emprestado.

A casa antiga.

Os móveis.

As roupas.

A comida.

Tudo podia acabar.

"É."

Ele respondeu baixo.

"É nosso."

Samuel sorriu.

Era um sorriso que Lucas não via há muito tempo.

Um sorriso de criança.

Sem medo.

Sem preocupação.

Mais tarde, durante o jantar, aconteceu algo que deixou Lucas desconfortável.

Renata colocou pratos sobre a mesa.

Havia arroz.

Feijão.

Carne.

Salada.

Tudo preparado para eles.

Samuel começou a comer rapidamente.

Lucas percebeu.

Ele estava comendo devagar.

Muito devagar.

Renata observou.

"Lucas, você não gostou da comida?"

Ele levantou a cabeça.

"Gostei."

"Então por que está comendo tão pouco?"

Lucas respondeu automaticamente:

"Estou sem fome."

Mas Renata percebeu.

Era a mesma mentira que ele contou durante anos.

A mentira de quem abre mão da própria comida para que outra pessoa tenha mais.

Ela não insistiu.

Apenas colocou mais um pouco de comida no prato dele.

"Então coma um pouco."

Lucas ficou sem reação.

Ninguém fazia isso.

Ninguém percebia quando ele não comia.

Naquela noite, depois que Samuel dormiu, Lucas ficou sentado sozinho no quarto.

Ele olhava para a cama.

Para o armário.

Para tudo aquilo que parecia bom demais.

Marcelo entrou devagar.

"Posso conversar com você?"

Lucas assentiu.

O homem sentou ao lado dele.

PUBLICIDADE

"Eu sei que tudo isso é estranho."

Lucas permaneceu em silêncio.

Marcelo continuou:

"Você passou muito tempo cuidando do Samuel."

Lucas olhou para o chão.

"Eu precisava."

"Eu sei."

Marcelo respirou fundo.

"Mas agora você também precisa lembrar que tem quinze anos."

Lucas ficou incomodado.

Ele já tinha ouvido aquilo muitas vezes.

"Todo mundo fala isso."

Marcelo perguntou:

"E você acredita?"

Lucas demorou.

Depois respondeu:

"Não sei."

O homem ficou em silêncio.

Lucas olhou para a janela.

"Quando as coisas ficam boas, eu fico esperando acontecer alguma coisa ruim."

Marcelo franziu a testa.

"Por quê?"

Lucas apertou as mãos.

"Porque sempre aconteceu."

A frase ficou no ar.

Lucas continuou:

"Minha mãe estava viva."

"Depois ela morreu."

"Nós tínhamos uma família."

"Depois meu pai desapareceu."

"Eu achei que tinha conseguido proteger Samuel."

"Depois disseram que poderiam tirar ele de mim."

Ele respirou fundo.

"Então eu não consigo acreditar que isso vai durar."

Marcelo ficou emocionado.

Porque naquele momento ele entendeu.

Lucas não estava rejeitando aquela nova família.

Ele estava com medo de amá-la.

Porque amar alguém significava correr o risco de perder novamente.

Nos dias seguintes, Renata e Marcelo começaram a ajudar os dois irmãos a criarem uma nova rotina.

Mas eles fizeram algo diferente.

Eles não tentaram substituir Helena.

Nunca disseram:

"Agora somos seus pais."

Eles apenas disseram:

"Estamos aqui."

E para Lucas, isso significava muito.

Renata começou a perguntar coisas simples.

Coisas que ninguém perguntava há anos.

"Lucas, como foi seu dia?"

No começo, ele sempre respondia:

"Normal."

Mas com o tempo começou a falar mais.

Contava sobre a escola.

Sobre professores.

Sobre coisas que antes pareciam pequenas.

Marcelo também tentou devolver algo que Lucas havia perdido.

A adolescência.

Um sábado, ele chamou Lucas.

"Vamos sair."

Lucas estranhou.

"Para onde?"

"Jogar futebol."

Lucas quase riu.

"Eu não tenho tempo para isso."

Marcelo respondeu:

"Esse é exatamente o problema."

Lucas ficou olhando para ele.

"Você passou dois anos acreditando que não podia ter tempo."

A frase atingiu Lucas.

Porque era verdade.

Ele havia esquecido como era fazer algo apenas porque gostava.

Naquele dia, pela primeira vez em muito tempo, Lucas jogou futebol sem olhar o relógio.

Sem pensar em contas.

Sem pensar em documentos.

Sem pensar no medo.

Samuel assistia sorrindo da lateral.

Ele estava vendo o irmão voltar a ser um garoto.

Mas nem tudo era fácil.

À noite, Lucas ainda acordava assustado.

Ainda verificava se Samuel estava no quarto.

Ainda tinha medo de que alguém aparecesse dizendo que aquilo tudo tinha acabado.

Uma madrugada, Samuel encontrou Lucas sentado no corredor.

"Você está chorando?"

Lucas limpou rapidamente o rosto.

"Não."

Samuel sentou ao lado dele.

"Você sempre fala isso."

Lucas olhou para o irmão.

Samuel sorriu.

"Você também não sabe mentir."

Pela primeira vez, Lucas riu.

Foi uma risada pequena.

Mas verdadeira.

Os meses começaram a passar.

Samuel voltou a brincar.

Voltou a fazer amigos.

Voltou a dormir sem medo.

Lucas melhorou na escola.

Começou a pensar novamente no futuro.

Mas uma parte dele ainda estava presa ao passado.

Principalmente ao segredo do pai.

A carta de Ricardo Ferreira de Souza continuava guardada.

Lucas nunca contou para Samuel.

Ele ainda não sabia se deveria abrir aquela porta novamente.

Porque talvez Ricardo tivesse uma explicação.

Mas talvez também trouxesse uma nova dor.

Em uma tarde comum, quando Lucas voltou da escola, encontrou Renata esperando por ele.

Ela segurava um envelope.

O rosto dela estava sério.

Lucas percebeu imediatamente.

"Quem mandou isso?"

Renata olhou para o envelope.

"Chegou hoje."

Lucas reconheceu a letra antes mesmo de tocar.

Seu coração acelerou.

Era o nome dele escrito na frente.

Lucas Ferreira de Souza.

Depois de dois anos sem nenhuma notícia.

Depois de tantas noites perguntando onde ele estava.

Depois de acreditar que talvez nunca mais ouviria falar dele.

Seu pai tinha enviado uma carta.

Lucas segurou o envelope com as mãos tremendo.

Renata perguntou:

"Você quer abrir sozinho?"

Ele ficou olhando para aquele papel.

Porque dentro daquela carta poderia estar a resposta para uma pergunta que carregou por anos.

Por que seu pai foi embora?

Lucas respirou fundo.

E abriu lentamente o envelope.

Mas antes de conseguir ler a primeira linha, uma frase escrita no topo da página fez seu coração parar.

Era uma mensagem de Ricardo.

Uma mensagem que mudaria tudo que Lucas acreditava sobre o desaparecimento do pai.

PUBLICIDADE

você pode gostar

compartilhar

compartilhar liderança
link de cópia