localização atual: Novela Mágica Moderno O Fio Que Nos Uniu Parte 5

《O Fio Que Nos Uniu》Parte 5

PUBLICIDADE

Depois de descobrir que havia uma pessoa desconhecida presente na noite da morte de Helena Ferreira de Souza, a Dra. Marina Azevedo Ribeiro passou horas analisando os documentos do Hospital das Clínicas de São Paulo.

Ela não conseguia tirar aquela informação da cabeça.

Durante dois anos, todos acreditaram que a história daquela família era simples.

Uma mãe que faleceu.

Um pai que desapareceu.

Dois filhos abandonados pela vida.

Mas agora existia uma pergunta que ninguém tinha feito antes.

Quem estava naquele quarto naquela noite?

Marina voltou ao hospital para revisar os registros antigos.

O setor responsável pelos arquivos guardava documentos de anos anteriores em uma sala pequena, cheia de pastas e caixas.

A funcionária do hospital olhou para a solicitação da psicóloga.

"Esses documentos são antigos."

Marina respondeu:

"Eu sei. Mas preciso entender o que aconteceu com Helena Ferreira de Souza."

A funcionária procurou durante alguns minutos.

Até que encontrou uma pasta.

O nome de Helena estava escrito na capa.

Marina sentiu um arrepio.

Ela abriu lentamente.

Dentro havia exames.

Anotações médicas.

Relatórios da equipe.

Mas uma página chamou sua atenção.

Era uma observação feita por uma enfermeira.

Uma anotação que nunca havia chegado ao processo judicial.

Marina leu em silêncio.

"Paciente pediu para falar sobre os filhos."

Ela continuou lendo.

"Paciente demonstra preocupação extrema com a possibilidade de separação dos meninos."

Marina respirou fundo.

Mais abaixo havia outra frase.

"Solicitou que alguém garantisse que Lucas e Samuel permanecessem juntos."

A psicóloga fechou os olhos por alguns segundos.

Porque naquele momento ela percebeu algo importante.

Lucas não tinha criado aquela promessa sozinho.

A promessa tinha começado antes.

Tinha começado com Helena.

Ela pediu para encontrar a enfermeira responsável pelo atendimento naquela noite.

Depois de algumas horas de busca, conseguiram localizar seu nome.

Era uma enfermeira aposentada chamada Ana Lúcia Martins.

Quando Marina chegou à casa dela, a mulher ficou surpresa.

"Helena Ferreira de Souza?"

Marina confirmou.

"Sim. Estou investigando o caso dos filhos dela."

Ana Lúcia ficou em silêncio.

Depois convidou Marina para entrar.

"Eu nunca esqueci aquela noite."

A psicóloga abriu seu caderno.

"O que aconteceu?"

A enfermeira olhou para uma fotografia antiga sobre a mesa.

"Helena sabia que talvez não saísse daquele hospital."

Marina ficou séria.

"Ela sabia?"

Ana Lúcia assentiu.

"Ela estava muito fraca. Mas a maior preocupação dela não era a própria vida."

A mulher respirou fundo.

"Era dos filhos."

Marina perguntou:

"O que ela disse?"

Ana Lúcia demorou alguns segundos.

Parecia voltar para aquela noite.

"Ela segurou minha mão e pediu uma coisa."

A enfermeira ficou emocionada.

"Ela disse: não deixe meus filhos se separarem."

Marina sentiu os olhos encherem de lágrimas.

"Ela falou isso exatamente?"

Ana Lúcia assentiu.

"Sim."

Ela continuou:

"Ela disse que Lucas era forte demais para a idade dele. Que ele tentaria carregar tudo sozinho."

A enfermeira olhou para Marina.

"E ela estava certa."

Naquele momento, Marina entendeu algo que ninguém tinha percebido.

PUBLICIDADE

Lucas não tinha escolhido ser responsável por Samuel.

Ele apenas continuou uma promessa que sua mãe deixou.

Antes de ir embora, Ana Lúcia trouxe uma pequena caixa guardada há anos.

"Eu encontrei isso depois que Helena faleceu."

Marina olhou curiosa.

"Por que a senhora guardou?"

A enfermeira respondeu:

"Porque eu senti que um dia alguém precisaria ouvir."

Dentro da caixa havia um pequeno gravador antigo.

Marina ficou surpresa.

"O que é isso?"

Ana Lúcia respondeu:

"Naquela noite, Helena pediu para gravar uma mensagem para os filhos."

O coração de Marina acelerou.

Ela segurou o aparelho com cuidado.

Durante dois anos, Lucas carregou uma promessa.

Mas talvez ele nunca tivesse ouvido a última mensagem da própria mãe.

Na sala silenciosa da casa de Ana Lúcia, elas apertaram o botão.

Por alguns segundos, apenas um ruído antigo apareceu.

Depois uma voz fraca surgiu.

Era Helena.

A voz de uma mãe que sabia que talvez não teria outro dia.

"Lucas..."

Marina levou a mão até a boca.

A gravação continuou.

"Se você estiver ouvindo isso, significa que eu não consegui estar ao seu lado como eu queria."

A voz de Helena tremia.

"Mas existe uma coisa que eu preciso que você entenda."

Uma pausa.

"Você não precisa virar um adulto antes da hora."

Marina fechou os olhos.

"Você não precisa carregar o mundo inteiro sozinho."

A voz ficou mais fraca.

"Lucas, você não precisa ser pai do seu irmão."

Uma lágrima caiu do rosto da psicóloga.

"Você só precisa amar seu irmão."

A gravação continuou.

"Samuel vai precisar de você, mas você também vai precisar de pessoas que cuidem de você."

"Prometa que nunca vai esquecer que você também é meu filho."

"Prometa que vai continuar amando seu irmão."

A gravação terminou.

Por alguns segundos, ninguém falou nada.

Marina chorava em silêncio.

Porque naquele momento ela percebeu que o caso inteiro tinha sido visto pelo lado errado.

Lucas não estava tentando substituir os pais.

Ele estava tentando cumprir o último pedido da mãe.

No dia seguinte, a informação chegou à Vara da Infância e Juventude de São Paulo.

O juiz Eduardo Carvalho Mendes ouviu o áudio junto com a equipe responsável.

Na sala estavam Lucas, Samuel, Verônica Andrade Vasconcelos, a assistente social Camila Beatriz Nogueira e os representantes legais.

Quando a voz de Helena ecoou pelo ambiente, ninguém conseguiu permanecer indiferente.

Lucas ficou imóvel.

Ele nunca tinha ouvido aquela gravação.

Ele segurava as mãos uma na outra para tentar controlar o choro.

Samuel olhava para o irmão.

Pela primeira vez, ele entendia que Lucas também tinha sofrido.

Quando a mensagem terminou, o silêncio dominou a sala.

Camila olhou para Lucas.

"Por que você nunca contou que sua mãe deixou essa promessa?"

Lucas abaixou os olhos.

"Porque eu achei que era minha obrigação cumprir sozinho."

A resposta atingiu todos.

Verônica também ficou em silêncio.

Até ela parecia perceber que havia algo muito maior do que uma simples disputa de guarda.

Mas o juiz ainda precisava tomar uma decisão.

Ele olhou para os documentos.

Depois olhou para Lucas.

"Lucas, essa mensagem mostra o amor da sua mãe por vocês."

Ele fez uma pausa.

"Mas este tribunal precisa pensar no que é seguro para Samuel."

Lucas respirou fundo.

Ele sabia que aquela era a parte que mais temia.

Porque mesmo com a voz da mãe.

Mesmo com a verdade aparecendo.

A lei ainda tinha suas próprias regras.

O juiz fechou a pasta lentamente.

"Sentimentos não podem substituir todas as responsabilidades legais."

Samuel segurou a mão de Lucas.

Lucas apertou de volta.

O juiz olhou para todos na sala.

"Eu ouvi cada lado dessa história."

Ele ficou alguns segundos em silêncio.

Então falou:

"Mas uma decisão como essa não pode ser tomada apenas pela emoção."

Lucas sentiu o coração acelerar.

O juiz levantou os documentos.

"Eu preciso analisar tudo novamente."

A sala inteira ficou esperando.

Então Eduardo Carvalho Mendes fez o anúncio:

"Voltaremos a nos reunir amanhã."

Ele olhou diretamente para Lucas.

"E amanhã eu darei minha decisão final."

PUBLICIDADE

você pode gostar

compartilhar

compartilhar liderança
link de cópia