Capítulo 4: Eletricidade em Copacabana
As portas da aeronave particular abriram-se revelando o bafo escaldante e úmido do fim de tarde carioca. A descida em direção ao asfalto quente do Aeroporto Santos Dumont trouxe consigo a promessa de uma noite eletrizante na Cidade Maravilhosa.
Rodrigo aguardava na pista ao lado de um sedã preto blindado com as portas abertas. Sem soltar a cintura de Valentina, Lorenzo guiou-a para o interior do veículo com uma possessividade que não admitia contestação.
O trajeto pela Avenida Atlântica exibia o mar de Copacabana brilhando sob os últimos raios de sol. Dentro do carro climatizado, a distância física entre os dois era inexistente, mantendo a carga de tensão acumulada desde o jato.
"Lembre-se do seu papel esta noite", advertiu Lorenzo, com a voz baixa junto ao ouvido dela. "No salão, você não é apenas minha vice-presidente; você é a mulher que carrega o meu sobrenome implícito."
"Não se preocupe, senhor Valente", retrucou Valentina com um sorriso desafiador. "Sei me defender muito bem de leões e de hienas."
O carro estacionou diante da fachada imponente de um hotel de luxo à beira-mar. O tapete vermelho estendido na entrada recebia os nomes mais poderosos e influentes da alta sociedade do Rio de Janeiro.
Assim que cruzaram as portas do salão de baile adornado com cristais dourados, os olhares curiosos voltaram-se imediatamente para eles. A elite carioca adorava um escândalo corporativo, e a chegada do magnata paulista acompanhado de uma nova executiva gerou um murmúrio instantâneo.
Beatriz, herdeira de um dos clãs mais tradicionais do estado e ex-pretendente de longa data ao sobrenome Valente, aproximou-se com um sorriso felino. Ela ostentava um vestido de alta-costura cravejado de pedras e uma expressão de soberba inegável.
"Lorenzo, meu querido, que surpresa vê-lo por aqui", cantarolou Beatriz, ignorando deliberadamente a presença de Valentina. "Achei que sua empresa estivesse ocupada demais tentando apagar incêndios financeiros em São Paulo para festas."
"O meu império passa bem, Beatriz", respondeu Lorenzo com uma frieza cortante que fez a socialite recuar meio passo. "E quanto aos meus negócios, eles dizem respeito exclusivamente a mim e à minha vice-presidente."
Beatriz virou os olhos verdes cheios de veneno para Valentina, avaliando-a com desdém de cima a baixo. "Interessante ver que o padrão de contratação da holding mudou tanto", alfinetou ela com um riso abafado. "Antes o senhor exigia tradição familiar; agora aceita qualquer garota de origem questionável."
O silêncio ameaçador que se seguiu no entorno foi cortado pela voz gélida de Lorenzo. "Cuidado com o que fala, Beatriz, a menos que queira que os contratos da sua família sejam cancelados antes da meia-noite."
A socialite empalideceu instantaneamente diante da ameaça pública e direta do bilionário. "Foi apenas uma brincadeira, Lorenzo", gaguejou ela, recuando apressadamente em direção ao bar.
"Você não precisava ter comprado essa briga em público", murmurou Valentina, embora estivesse secretamente impressionada. "Eu mesma saberia como colocar a senhora no devido lugar."
"Eu não compro brigas, Valentina; eu elimino ameaças", retrucou Lorenzo, pegando uma taça de champagne de uma bandeja que passava.
A festa seguiu seu curso sob uma atmosfera densa de sussurros e olhares invejosos direcionados ao casal. Lorenzo manteve a mão firme apoiada na curva das costas de Valentina durante toda a noite, marcando território diante de qualquer pretendente ousado.
Assim que a meia-noite se aproximou, o magnata decidiu encerrar a tortura social. Ele puxou a executiva para fora do salão, subindo diretamente pelo elevador privativo até a suíte presidencial no último andar.
A porta pesada fechou-se com um estalido abafado, isolando os ruídos do oceano lá fora. A imensa parede de vidro revelava a lua prateada refletida sobre as ondas escuras da praia de Copacabana.
"Finalmente sozinhos", murmurou Lorenzo, desatando o nó da gravata com movimentos bruscos e ansiosos.
"Achei que a festa nunca terminaria", confessou Valentina, sentindo o ar rarefeito na imensidão da suíte luxuosa.
Lorenzo deu dois passos largos e fechou o espaço entre eles, colando o corpo dela contra a madeira da porta recém-fechada. Os olhos âmbar brilhavam na penumbra com uma fome que ele já não tentava mais disfarçar.
"Você foi perfeita lá embaixo", sussurrou ele, roçando os lábios na mandíbula dela. "Desafiadora, elegante e letal."
"Aprendi com o melhor mestre", retrucou ela, erguendo os braços para envolver o pescoço dele.
O autocontrole que ambos haviam mantido durante toda a noite ruiu como um castelo de cartas. Lorenzo capturou a boca de Valentina em um beijo profundo, voraz e desesperado, exigindo rendição imediata.
Valentina respondeu com a mesma intensidade, enfiando os dedos nos cabelos dele e puxando-o ainda mais para perto. O beijo deixou de ser um simples confronto de egos para se transformar em uma colisão física e visceral.
As mãos grandes de Lorenzo deslizaram pela cintura dela, rasgando o zíper lateral do vestido de grife sem hesitação. O tecido luxuoso deslizou pelo chão do quarto, deixando-a apenas com as lingeries de renda preta.
"Você é uma obsessão perigosa, Valentina", suspirou ele contra a pele febril do ombro dela. "Uma ruína que eu abraço de bom grado."
"Então queime comigo", desafiou ela, puxando a camisa dele pela cabeça.
Eles se moveram em direção à cama king size envolta em lençóis de seda branca. A paixão avassaladora tomou conta do ambiente, transformando a suíte presidencial em um redemoinho de suspiros, toques urgentes e gemidos abafados.
Nenhuma palavra adicional era necessária para traduzir o que sentiam naquele momento de entrega total. A lua de Copacabana testemunhou a rendição absoluta do predador mais temido de São Paulo diante da mulher que jurara destruí-lo.
Horas mais tarde, o silêncio absoluto reinava no quarto espaçoso. A respiração de Lorenzo era profunda e regular, indicando que ele havia finalmente despencado em um sono pesado e profundo.
Valentina abriu os olhos lentamente na penumbra da madrugada. Ela virou o rosto para encará-lo, observando a feição relaxada do homem que parecia tão inofensivo quando desprovido de suas defesas usuais.
Com movimentos cirúrgicos e extremamente cautelosos, ela desvencilhou-se dos braços pesados dele. Sentou-se na beirada do colchão de seda, sentindo o coração bater acelerado contra as costelas devido à audácia do que estava prestes a fazer.
Ela vestiu rapidamente a camisa de seda preta de Lorenzo, que caía folgada sobre o seu corpo nu. Caminhou na ponta dos pés até a mesinha de escritório localizada no canto oposto da suíte, onde repousava o maleta executiva do CEO.
O cofre eletrônico de alta segurança estava embutido na parede revestida de madeira nobre. Valentina sabia que o sistema daquela suíte específica utilizava o mesmo padrão biométrico avançado da sede principal em São Paulo.
Aproximando-se do painel escuro, ela respirou fundo para controlar o tremor nas mãos. Com uma suavidade impressionante, ela voltou até a cama e ergueu com cuidado o pulso adormecido de Lorenzo.
Apoiando o polegar do magnata diretamente sobre o leitor digital iluminado por um LED azul, ela aguardou o veredito. Um bipe suave ecoou pelo quarto, seguido pelo clique mecânico da porta pesada do cofre destravando-se sozinha.
O estômago de Valentina deu uma volta completa enquanto ela puxava a portinhola metálica. No interior iluminado por uma luz amarelada, jaziam documentos confidenciais, chaves de contas numeradas e um bloco de notas antigo.
Entre os papéis oficiais da família Valente, repousava uma pasta amarela com o timbre oficial da antiga justiça estadual. Seus olhos verdes correram pelas linhas impressas, encontrando o nome de seu falecido pai associado àquela maldita fraude.
O conflito interno explodiu em seu peito de maneira dilacerante e dolorosa. Ela olhou de relance para a cama, onde Lorenzo continuava dormindo profundamente, totalmente vulnerável à sua presença.
"Por que você teve que ser um Valente?", sussurrou ela para o vazio da suíte, sentindo uma lágrima solitária escapar e queimar em sua bochecha.