《A Noiva Substituta do Bilionário Quebrado》Capítulo 7

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Capítulo 7: 

O calor daquela madrugada de confissões e suor ainda impregnava as paredes da sala de reabilitação quando Maya recolocou os prontuários médicos sobre a mesa de aço escovado.

Enzo permanecia sentado na margem da maca, com o tronco erguido e a respiração estabilizada, fitando as próprias mãos com uma clareza mental recém-conquistada.

A vulnerabilidade extrema da queda cedera lugar a uma sobriedade cortante, o despertar definitivo do predador que estivera dopado e cego por meses.

"Traga-me os relatórios toxicológicos emitidos pelo hospital na noite do acidente", pediu Maya com a voz firme, ajustando os óculos de leitura sob a luz da luminária.

Enzo tencionou os músculos do maxilar, abriu a gaveta inferior do arquivo blindado e entregou a ela a pasta de couro amarelada pelo tempo.

As páginas acumulavam carimbos oficiais, laudos de peritos do trânsito e exames neurológicos que atestavam a falha mecânica catastrófica nos freios do veículo.

Maya ignorou as conclusões superficiais da perícia policial e concentrou-se nas análises hematológicas coluidas nas primeiras horas após a colisão na Rodovia dos Bandeirantes.

Seus olhos cor de âmbar varriam as tabelas de substâncias químicas com a precisão milimétrica de quem conhecia a toxicologia de plantas e compostos sintéticos de cor a cor.

"Eles registraram uma concussão severa e fraturas múltiplas, mas ignoraram a anomalia metabólica evidente no painel de eletrólitos", murmurou Maya em um tom analítico.

Enzo franziu a testa, aproximando-se para espiar por cima do ombro dela. "O que você está procurando nesses papéis velhos que a polícia já não tenha revirado?"

"O motivo pelo qual o seu sistema nervoso não reagiu à cirurgia de soldagem óssea como deveria", respondeu Maya apontando com a unha para uma linha de dados específicos.

"Uma pane mecânica estilhaça ossos, mas não altera de forma isolada a condução dos impulsos parassimpáticos sem deixar vestígios de neurotoxinas no sangue."

Um silêncio gélido e pesado despencou sobre o aposento, fazendo a temperatura parecer cair vários graus em questão de segundos.

Enzo segurou a borda da mesa com força, sentindo as engrenagens de sua mente corporativa encaixarem-se com precisão assustadora às descobertas da curandeira.

"Você está me dizendo que o meu carro não perdeu os freios por desgaste de peças?", perguntou ele, a voz reduzida a um sussurro mortalmente perigoso.

"Estou dizendo que alguém injetou uma dosagem calculada de toxinas neuroparalíticas sintéticas na sua corrente sanguínea minutos antes de você dar a partida", cravou Maya sem pestanejar.

Analisando os prontuários médicos do acidente de Enzo, o instinto clínico de Maya localiza uma falha fatal: a pane nos freios nunca foi um acidente, mas sim o resultado de toxinas neuroparalíticas injetadas.

O atentado que o deixara confinado a uma cadeira de rodas não fora obra do acaso, mas o projeto milimetricamente executado de uma execução mascarada de tragédia rodoviária.

Antes que Enzo pudesse digerir a monstruosidade daquela revelação, o visor do seu smartphone particular, abandonado sobre a bancada, começou a vibrar incessantemente.

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Era uma chamada de vídeo em conferência originada diretamente do andar executivo da torre corporativa do Grupo Moretti na Avenida Paulista.

Enzo acionou o viva-voz com um toque seco no painel de controle, projetando a imagem nítida da sala de reuniões principal na tela de alta definição da parede.

Os rostos dos membros do conselho administrativo preencheram o monitor, encabeçados pela figura sorridente e prepotente de Victor Moretti.

No mesmo instante, o conselho da empresa inicia um golpe para afastar Enzo definitivamente sob a alegação de incapacidade mental irreversível.

"Boa noite aos meus caros tios e conselheiros", iniciou Victor com um tom de falsa comiseração que escarnecia de qualquer ética profissional.

"Infelizmente, diante da ausência prolongada do nosso presidente e dos laudos que atestam sua inaptidão cognitiva, precisamos votar o afastamento imediato de Enzo."

O suspense político acentuado tomou conta do ambiente; a conspiração criminal e o conflito corporativo colidiam na mesma linha exata do tempo.

Enzo permaneceu em absoluto silêncio, observando a audácia do primo através da lente da câmera com um olhar que prometia uma carnificina iminente.

De parceiros de quarto isolados pela hostilidade, eles se tornaram aliados cerrados unidos por um pacto indestrutível de sangue e verdade absoluta.

Maya colocou a mão sobre o ombro de Enzo, transmitindo-lhe uma firmeza silenciosa que calou qualquer impulso de fúria descontrolada por parte do magnata.

As peças do quebra-cabeça do atentado encaixavam-se perfeitamente, preparando o terreno estratégico para a retaliação mais implacável da história corporativa de São Paulo.

"Vocês não têm quorum legal para votar destituição sem a minha assinatura física ou o atestado de óbvio impedimento psiquiátrico assinado por um junta médica independente", rugiu Enzo.

Victor abriu um sorriso vitorioso na tela, ajustando o paletó de grife com ares de quem já se considerava o dono indiscutível do império.

"O nosso médico particular e de confiança da família já protocolou os laudos atualizados atestando sua demência temporária, meu querido primo", zombou Victor abertamente.

Maya, com um movimento rápido e silencioso, pegou a receita médica original grampeada na última página do prontuário hospitalar que acabara de decifrar.

Ela aproximou o documento da câmera, destacando o carimbo e a assinatura borrada que constavam no rodapé da folha amarelada pelo tempo.

A assinatura oculta na receita médica do hospital apontava diretamente para um cúmplice de confiança dentro do círculo íntimo de comando de Victor.

"Dr. Roberto...", leu Maya em voz alta, pronunciando o nome do médico particular da família Moretti, que sabotara os relatórios de Enzo a mando de Victor.

A imagem de Victor na tela travou por um microssegundo, e o sorriso prepotente em seu rosto murchou diante da menção inequívoca ao seu capanga de jaleco.

"O que diabos vocês estão inventando aí?", gaguejou Victor, perdendo a compostura polida pela primeira vez diante dos demais conselheiros assustados.

Enzo inclinou-se para a frente, aproximando o rosto da câmera com os olhos azul-escuro reduzidos a fendas gélidas e mortais.

Enzo segura o laudo amarelado entre os dedos firmes, seus olhos encarando o monitor com uma promessa de destruição total.

"Victor, meu querido primo... sua hora chegou", sibilou Enzo com uma calma aterrorizante que fez o herdeiro ambicioso empalidecer do outro lado da linha.

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