《A Noiva Substituta do Bilionário Quebrado》Capítulo 5

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Capítulo 5: 

O silêncio que se estendeu pelo salão de banquetes após o banho de champanhe não era apenas de espanto; era o vazio aterrorizado de quem percebeu, tarde demais, que pisava em solo minado.

Beatriz continuava estática diante da mesa principal, com o vestido de grife arruinado escorrendo bolhas de espumante e vinho barato por sua barra impecável.

O tecido caríssimo, antes símbolo de seu status e de sua arrogância social, agora colava-se à sua pele como um trapo enlameado de humilhação.

Ela abria e fechava a boca em busca de palavras, mas nenhum som coerente conseguia ultrapassar a garganta travada pelo choque e pelo ódio.

Os convidados da alta sociedade paulistana, que segundos antes aguardavam com dentes arreganhados a derrocada pública da caipira, recuaram instintivamente.

Ninguém ousava erguer o copo, ninguém ousava cochichar com o vizinho de mesa; o ar tornara-se denso, pesado como chumbo derretido.

Victor Moretti, plantado próximo às colunas de sustentação de mármore, sentiu o maxilar travar com tanta força que os dentes molaram um estalo seco.

O verniz de falsa polidez social que ele ostentava como armadura derreteu-se por completo, revelando o pânico gelado de quem via seus planos ruírem.

Enzo permaneceu imóvel por um instante, observando a cena com uma intensidade febril que parecia queimar o próprio ar ao seu redor.

Os olhos azul-escuro do herdeiro dos Monteiro, antes sombrios de amargura, agora brilhavam com um choque profundo e uma admiração abrasadora.

Ele havia esperado submissão, silêncio acuado ou lágrimas de desespero; em vez disso, recebera uma parceira capaz de desferir o golpe exato no momento preciso.

A mão de Enzo, que ainda mantinha o pulso de Beatriz preso, abriu-se lentamente, liberando a jovem como quem descarta um lixo sem importância.

Beatriz cambaleou para trás, quase perdendo o equilíbrio sobre os saltos finos, antes de desabar em prantos abafados contra o peito do jovem herdeiro bancário.

O pretendente dela, pálido como um defunto, olhava para Enzo com puro pavor nos olhos, fingindo não ver a vergonha que manchava sua própria imagem.

Enzo ajustou os punhos de sua camisa escura com gestos deliberados, deslizando as rodas da cadeira de titânio para frente em um movimento fluido.

Ele ergueu o tronco, impondo sua presença dominante sobre o espaço físico de tal forma que a imobilidade de suas pernas tornou-se um detalhe irrelevante.

Quando Enzo falou, sua voz não continha gritos ou histeria; era um sussurro gélido, carregado de uma autoridade absoluta que parecia congelar o sangue de todos.

"Parece que alguns membros desta família esqueceram completamente as regras básicas de convivência civilizada sob o teto que os alimenta", disse Enzo.

O tom grave reverberou pelas caixas de som discretas do salão, atingindo em cheio os ouvidos de cada acionista e parente ávido por poder.

"Se qualquer um de vocês voltar a abrir a boca para desrespeitar a minha esposa com essa mediocridade infantil", continuou ele, pausando friamente.

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"Eu mesma — ou melhor, eu e ela — faremos questão de reavaliar cada centavo de dividendos e cada contrato de parceria que mantém vocês vivos."

O silêncio que se seguiu foi absoluto, quebrado apenas pelo zumbido mecânico do sistema de ar-condicionado refrigerando a sala de pânico.

Victor Moretti deu um passo à frente, tentando resgatar o controle da situação com um sorriso falso que tremia visivelmente no canto dos lábios.

"Meu caro primo, creio que os ânimos estão exaltados demais por conta de um acidente infeliz e... mal-entendido", balbuciou Victor, engolindo em seco.

Enzo virou a cabeça milimetricamente na direção do primo, cravando nele um olhar tão cortante que Victor recuou instantaneamente como se tivesse sido açoitado.

"Guarde as suas desculpas cínicas para o momento em que a polícia federal bater na sua porta para auditar suas contas, Victor", retrucou Enzo.

A ameaça velada, porém terrivelmente direta, fez o sangue de Victor sumir do rosto, deixando sua pele com o tom acinzentado de um homem condenado.

Maya manteve a postura impecável e serena, depositando a taça vazia sobre a mesa de mogno com um tinido leve que soou como um sino de encerramento.

Ela não ostentava um sorriso de vitória barata; seu semblante exibia apenas a satisfação fria de quem realizara um procedimento cirúrgico com perfeição.

Para a alta sociedade paulistana, a mensagem fora gravada a ferro e fogo: o monstro da cadeira de rodas não estava sozinho, nem desarmado.

Enzo estendeu a mão na direção de Maya, um gesto de convite mudo e possessivo que ela aceitou de imediato, encaixando seus dedos nos dele.

"Vamos para casa, Maya", murmurou Enzo, com a voz suavizando-se de maneira imperceptível ao pronunciar o nome dela.

"Este lugar perdeu o pouco de ar limpo que ainda restava", acrescentou ele, girando as rodas da cadeira com uma destreza impressionante.

O casal atravessou o corredor central do salão de banquetes, abrindo caminho entre a multidão petrificada que se apartava como se eles fossem intocáveis.

Ninguém ousou erguer o rosto para encará-los; os chefes de família, os herdeiros arrogantes e as damas da sociedade abaixavam os olhos em submissão forçada.

As portas duplas do clube abriram-se automaticamente diante deles, revelando a noite fria de São Paulo banhada por uma garoa fina e persistente.

O Lincoln preto aguardava na entrada, com o motorista postado ao lado da porta traseira, demonstrando uma presteza que antes brilhava por sua ausência.

Maya ajudou Enzo a fazer a transferência de peso para o interior do veículo, recolhendo a cadeira de rodas tecnológica com agilidade e precisão.

O carro arrancou suavemente, deixando para trás o edifício iluminado que agora parecia um mausoléu de ambições frustradas e silenciadas pela vergonha.

No interior da limusine, a atmosfera densa e tensa dos primeiros dias dera lugar a uma eletricidade sufocante, carregada de uma intimidade recém-nascida.

As horas de estrada consumiram-se em silêncio até que o veículo cruzasse os portões blindados e imponentes da Mansão Monteiro no Morumbi.

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O grande portão de ferro fechou-se com o habitual estrondo seco, isolando o mundo exterior e selando o santuário particular do casal.

No entanto, mal haviam cruzado o hall de entrada, uma sensação estranha e violenta começou a sacudir o corpo de Enzo de maneira abrupta.

No caminho de volta para o quarto, as pernas de Enzo experimentaram uma onda intensa de formigamento e pontadas que subiam desordenadamente.

Era como se milhares de agulhas invisíveis estivessem perfurando seus tendões de dentro para fora, despertando terminações nervosas há meses adormecidas.

Enzo trancou os dentes com tanta força que um filete de sangue quase brotou de seu lábio inferior, contendo o grito de dor que ameaçava escapar.

Ele agarrou os braços da cadeira com os nós dos dedos brancos, suando frio enquanto o corpo tremia sob o impacto daquela descarga elétrica interna.

Maya percebeu a mudança instantânea na respiração e na postura do magnata, parando seus passos na metade do corredor que levava à ala restrita.

"O que você está sentindo?", perguntou ela com voz firme, aproximando-se dele sem hesitação e ajoelhando-se ao lado de sua poltrona.

"É... como se o meu corpo estivesse pegando fogo por dentro", sibilou Enzo, com os olhos azul-escuro dilatados pelo esforço sobre-humano.

"Os nervos estão religando os circuitos que foram bloqueados pelo trauma", diagnosticou Maya imediatamente, com um brilho de triunfo nos olhos âmbar.

Antes que ele pudesse responder a essa constatação médica, um impulso possessivo e avassalador tomou conta de todas as defesas de Enzo.

A força daquela dor misturada à adrenalina da vitória no jantar explodiu em uma necessidade urgente de ancorar-se na única mulher que o compreendia.

Enzo estendeu os braços com uma força inesperada, envolvendo a cintura de Maya e puxando-a firmemente para o seu colo diante de olhares boquiabertos.

Lucas, que aguardava discretamente na penumbra do corredor para prestar auxílio, deu meia-volta em silêncio absoluto, sumindo pela escadaria de serviço.

Maya soltou um pequeno suspiro de surpresa diante do impacto repentino, mas seus braços envolveram instintivamente o pescoço firme do magnata.

O corpo robusto de Enzo encaixou-se perfeitamente ao dela, colando seus peitos em uma proximidade febril que eliminava qualquer vestígio de distância espacial.

Enzo enterrou o rosto na curvatura do pescoço de Maya, respirando trêmulo o aroma de ervas e cânfora que emanava de sua pele limpa.

Ele fechou os olhos com força, sentindo o calor do corpo dela dissolver o gelo que mantivera sua alma prisioneira por tanto tempo de amargura.

A voz de Enzo saiu como um rosnado rouco, abafado e terrivelmente vulnerável contra a pele sensível da orelha dela:

"Minha esposa... desde quando eu aceito que abutres falem dela?"

Maya não respondeu com palavras; em vez disso, afagou os cabelos levemente revoltos do homem em seus braços, sentindo o peito dele inflamar-se de vida.

Naquele exato segundo, o contrato frio de conveniência transformou-se e

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