《A Noiva Substituta do Bilionário Quebrado》Capítulo 4

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Capítulo 4: 

A ameaça sussurrada na penumbra daquela manhã ainda parecia vibrar na pele de Maya, mas a implacabilidade do relógio social não permitia tréguas. Poucas noites depois, a rigidez do acordo familiar impôs ao casal a obrigação de comparecer ao jantar trimestral do clã Monteiro.

O evento, realizado nos salões suntuosos de um clube privado em São Paulo, representava um ritual meticuloso de falsa cordialidade. Longe dos olhos da imprensa, os tios e primos reuniam-se nos aposentos nobres para traçar planos e celebrar a suposta derrocada irreversível do herdeiro principal.

Sentados nas mesas laterais do banquete, os acionistas majoritários articulavam abertamente a divisão antecipada das ações e dos lucros corporativos de Enzo.

"Com o primo confinado àquela cadeira de titânio, o conselho precisa de um pulso firme para não naufragar nas bolsas de valores", comentou um dos tios erguendo sua taça.

Victor Moretti, o primo ambicioso e calculista, sorria com um verniz de falsa polidez social enquanto ajustava os punhos de sua camisa de grife.

Victor escondia sua crueldade e sua ânsia pelo poder absoluto sob um sorriso polido e palavras doces que mascaravam intenções estritamente predatórias.

Para completar o circo de humilhações públicas, Beatriz fizera questão de comparecer ao evento acompanhada por um jovem herdeiro influente do setor bancário.

Ela desfilava pelo salão com um vestido de alta-costura, fazendo questão de parar próxima à mesa onde Enzo e Maya haviam acabado de chegar.

Beatriz tripudiava abertamente sobre o inválido na cadeira de rodas, lançando olhares de desdém absoluto para a esposa substituta do primo.

"Dizem que a caipira de Minas foi promovida a enfermeira de plantão de um homem que não consegue nem ficar de pé", cochichava Beatriz de propósito para as mesas vizinhas.

O salão inteiro irrompeu em risadinhas abafadas e cruéis, aguardando com enorme expectativa o espetáculo da derrocada pública daquela união bizarra.

Maya manteve a postura impecável, vestindo um traje sóbrio que contrastava com a ostentação vazia dos convidados, sem abaixar a cabeça para ninguém.

Ela não exibia vergonha nem desconforto, demonstrando uma resiliência psicológica formidável diante daquela alcateia de abutres refinados.

Enzo, por sua vez, observava a cena de sua cadeira de titânio com uma compostura gélida que escondia um vulcão prestes a entrar em erupção.

Embora paraplégico e momentaneamente vulnerável, o instinto possessivo e protetor de Enzo em relação a Maya despontava agora com fúria cega.

Ele odiava que rissem de sua escolha, não por amor romântico tradicional, mas porque qualquer afronta a Maya representava um ataque direto ao seu território.

"Essa gentalha parece esquecer quem construiu o teto que abriga este jantar ridículo", murmurou Enzo com um tom de voz mortalmente baixo.

Maya inclinou o rosto ligeiramente na direção dele, mantendo os olhos claros focados na própria taça de água com gás.

"Deixe-os falar, senhor Monteiro, pois os tolos sempre gastam o pouco fôlego que têm antes de caírem na própria armadilha", respondeu ela com serenidade.

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A resposta calma de Maya apenas intensificou a tempestade interna que sacudia o herdeiro dos Monteiro em sua cadeira de rodas.

Victor Moretti aproximou-se da mesa com passos medidos, exibindo um sorriso viperino enquanto estendia uma mão cinicamente amigável.

"Meu caro primo, é revigorante ver que você teve a decência de sair da toca, mesmo que acompanhado por uma escolha tão... exótica", provocou Victor em tom alto.

Enzo fitou a mão estendida do primo com um desprezo monumental, recusando-se sequer a mover um único dedo para cumprimentá-lo.

"Guarde a sua falsa caridade para os dias em que eu decidir retomar o controle total da mesa de operações, Victor", retrucou Enzo com frieza cortante.

O sorriso de Victor vacilou por uma fração de segundo, substituído por um brilho de ódio mal contido diante daquela recusa pública.

"Você continua com o mesmo gênio insuportável, mas esquece que o mercado não perdoa pernas mortas e líderes ultrapassados", sibilou Victor antes de se afastar.

Nesse exato momento, Beatriz aproximou-se da mesa com um falso sorriso de desculpas ensaiado milimetricamente diante do espelho do provador.

"Oh, querida Maya, mil perdões pela confusão do contrato, espero que não esteja sofrendo muito ao lado de um homem que já não serve para nada", zombou Beatriz.

Beatriz erguia uma taça de vinho tinto transbordando, fingindo um desequilíbrio proposital para promover um acidente humilhante e calculado.

Ela ergueu a taça de vinho fingindo um “acidente” para banhar o vestido de Maya com o líquido escuro e arruinar sua noite de estreia.

No entanto, antes que as primeiras gotas pudessem espirrar sobre o tecido da roupa de Maya, uma velocidade impressionante rompeu a lentidão do salão.

A mão pesada e gélida de Enzo disparou como um bote certeiro, travando o pulso de Beatriz no ar com uma força de esmagar ossos.

As mãos de Enzo sobre os joelhos fecharam-se em punhos cerrados, veias saltadas, enquanto a tempestade azul-escura acumula-se em seu olhar com fúria assassina.

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