《A Noiva Substituta do Bilionário Quebrado》Capítulo 3

PUBLICIDADE

Capítulo 3: 

A primeira claridade da alvorada paulistana tentava inutilmente romper as frestas das espessas cortinas de veludo negro que mantinham o quarto em uma perpétua e sufocante obscuridade.

O eco daquela frase dita na véspera ainda vibrava na mente de Enzo, transformando-se em um veneno que queimava o seu orgulho ferido e a sua razão.

Ele passara a noite inteira acordado na penumbra, fitando o teto com os olhos ardendo, remoendo a ousadia daquela mulher que negara o veredicto de sua própria paralisia.

O som seco da porta se abrindo sem aviso prévio cortou o silêncio pesado do amanhecer, arrancando o magnata de seus pensamentos furiosos.

Maya atravessou o umbral com passos determinados, trazendo na mão esquerda uma tigela de cerâmica fumegante e, na direita, o seu fiel estojo de agulhas de prata.

Antes que o herdeiro pudesse proferir uma única palavra de reprovação, ela caminhou resoluta até a janela lateral do aposento imenso.

Com um puxão firme nas cordas laterais, Maya escancara as cortinas, permitindo que a luz da manhã invada o quarto sem permissão de seu dono.

O facho dourado e implacável do sol de São Paulo despenca de uma só vez sobre o piso de carvalho e choca-se contra a mobília escura.

Enzo ruge com raiva diante da claridade repentina que agride seus olhos desacostumados, mandando-a sumir da sua vista de imediato.

"Apague essa luz e saia deste quarto agora mesmo, sua insolente!", esbraveja o magnata, tencionando os punhos sobre os braços da cadeira de titânio.

Maya ignora-o totalmente, dando as costas para os seus protestos coléricos e depositando a tigela fumegante sobre a mescla de cabeceira.

Ela caminha de volta para a cadeira de rodas com uma frieza metódica que desarma qualquer tentativa de intimidação por parte do herdeiro ferido.

"O sol de fora faz bem aos ossos, senhor Monteiro, e a escuridão prolongada só serve para apodrecer o que já está estagnado", retruca ela com serenidade.

Enzo tenta manobrar o equipamento para trás, mas Maya é mais rápida e posiciona-se bloqueando o seu único caminho de fuga.

Diante daquela recusa absoluta em obedecer às suas ordens, o sangue do magnata ferve em uma onda de fúria cega e incontrolável.

"Você acha que pode brincar de médica na minha casa?", ruge ele, erguendo os braços com força para empurrá-la para longe de seu campo de visão.

Ignorando a fúria do homem, ela avança com uma agilidade surpreendente, agarra a gola de sua camisa escura e a rasga à força com um puxão seco.

Os botões saltam e estilhaçam-se contra o chão, expondo de maneira abrupta a musculatura firme de seu peito e a linha rígida de sua lombar.

"O que diabos você pensa que está fazendo?", grita Enzo, chocado por ver-se fisicamente dominado por uma mulher de constituição esbelta.

Maya não profere uma única palavra de desculpa; ela pressiona o torso dele contra o encosto da cadeira com uma força implacável e desproporcional.

PUBLICIDADE

"Vou lembrá-lo de que este corpo ainda tem nervos capazes de sentir, quer o seu orgulho aceite isso ou não", sentencia ela com o maxilar travado.

Ela mergulha os dedos na tigela de cerâmica, recolhendo uma porção generosa de pomada de artemísia fervendo e extratos medicinais altamente concentrados.

Sem hesitar um segundo sequer, ela espalha o unguento fumegante diretamente sobre a pele nua da lombar de Enzo, massageando com firmeza brutal.

O calor da substância choca-se contra a pele fria do magnata, provocando nele um sobressalto violento de dor pura e imediata.

Enzo solta um uivo abafado, os músculos das costas tencionando-se como cabos de aço prestes a se romper sob uma pressão insuportável.

Antes que ele possa recuperar o fôlego, Maya alinha rapidamente as hastes metálicas e crava agulhas de prata na lombar do homem.

A dor lancinante dos nervos despertando à força rasga a espinha do herdeiro como se lâminas invisíveis estivessem cortando sua carne de dentro para fora.

Enzo joga a cabeça para trás, emitindo um gemido rouco e gutural que mistura o tormento físico a uma humilhação profunda e incontrolável.

Para conter a dor excruciante que ameaça derrubá-lo, ele agarra os braços de Maya, puxando-a para mais perto de seu corpo em um espasmo de defesa.

O atrito íntimo entre os dois corpos torna-se inevitável, colando o peito ofegante do magnata contra a suavidade firme do tronco da curandeira.

A respiração de Enzo transforma-se em baforadas quentes e febris que roçam o pescoço de Maya enquanto ele tenta suportar a tempestade interna.

O atrito íntimo aliado à dor lancinante dos nervos faz com que ambos experimentem uma perigosa combustão química em meio a suspiros abafados.

O cheiro de suor misturado à cânfora e à madeira exala de sua pele, criando uma atmosfera espessa, carregada de uma tensão erótica avassaladora.

Enzo sente o calor do corpo dela penetrar em suas defesas, enviando ondas de um choque desconhecido que faz seu sangue correr em brasa pelas veias.

Maya mantém as mãos firmes sobre a coluna dele, sentindo o tremor violento que sacode aquele homem indomável sob o seu toque implacável.

Por um segundo que parece durar uma eternidade, o tempo congela no quarto banhado pela luz solar, reduzindo o mundo àquele contato abrasador.

A respiração de Maya acelera-se ligeiramente, traída pelo calor imprevisto que irradia do peito nu do magnata contra o seu próprio corpo.

Enzo abre os olhos lentamente, fitando os lábios dela a centímetros dos seus, tomado por uma vertigem que nada tem a ver com a dor física.

No entanto, o orgulho ferido logo desperta sob as cinzas daquela rendição momentânea, fazendo o instinto de sobrevivência do predador falar mais alto.

Logo após a acupuntura intensiva, o calcanhar de Enzo se contrai de forma quase imperceptível sobre o tapete de lã estendido no chão.

Foi um reflexo milimétrico, um sinal bruto de que a conexão entre o cérebro e as extremidades começava a refazer o seu caminho perdido.

Maya percebe o movimento dos pés dele, mas guarda a descoberta em silêncio, mantendo o olhar fixo na fisionomia transtornada do herdeiro.

Enzo recupera o controle de sua voz, embora ela saia terrivelmente grave e rouca pela proximidade perigosa e pelo esforço despendido.

Ele agarra o pulso de Maya com força implacável, a respiração quente batendo em sua pele, a voz rouca como a de uma fera enjaulada.

"Se você me enganar com falsas esperanças...", sussurra ele, os olhos azul-escuro faiscando perigosamente a centímetros dos dela.

Enzo aperta o pulso dela com uma intensidade possessiva, selando a ameaça com um tom de voz que não deixa margem para dúvidas.

"Se você me enganar... vai se arrepender de ter nascido", conclui ele, cravando os dedos na pele de Maya enquanto a fumaça das agulhas de prata sobe lentamente.

 

PUBLICIDADE

você pode gostar

compartilhar

compartilhar liderança
link de cópia