《A Noiva Substituta do Bilionário Quebrado》Capítulo 2

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Capítulo 2: 

O silêncio do hall de entrada da Mansão Monteiro era denso, quebrado apenas pelo tique-taque distante de um relógio de parede antigo.

Lucas aguardava ao pé da imponente escadaria de mármore, mantendo uma postura de rigidez polida que disfarçava anos de exaustão silenciosa.

Ele observou a jovem vinda de Minas Gerais aproximar-se com passos firmes, carregando a maleta de carvalho como se fosse um escudo invisível.

"Permita-me guiar a senhorita até os aposentos privativos do senhor Enzo", disse Lucas com um timbre de voz contido e respeitoso.

Maya assentiu com um gesto breve, acompanhando o mordomo pelos corredores intermináveis forrados com carpetes grossos que abafavam qualquer som.

A atmosfera daquela ala da casa parecia aprisionar o oxigênio, tornando a respiração pesada e carregada de uma eletricidade estática.

"Ele não recebe visitas após o anoitecer há vários meses", comentou Lucas em um sussurro quase inaudível, parando diante de uma porta dupla de mogno.

"Especialmente de pessoas enviadas pela família para fiscalizar sua ruína", acrescentou o mordomo, com um vislumbre de amargura contida nos olhos cansados.

Maya fitou o homem mais velho por um breve segundo, reconhecendo ali o peso de quem servira a um leão ferido por muito tempo.

"A anatomia de um homem ferido não se assusta com rugidos, Lucas", respondeu ela com uma serenidade que fez o mordomo erguer as sobrancelhas em surpresa.

Lucas engoliu em seco, assentiu com discrição e girou a maçaneta pesada, abrindo apenas uma brecha antes de se afastar para o fundo do corredor.

Maya não hesitou; empurrou a porta pesada do quarto mal iluminado e cruzou o limiar daquele santuário de sombras.

O aposento encontrava-se mergulhado em uma penumbra sufocante, vedado hermeticamente por cortinas espessas que bloqueavam qualquer vislumbre da noite de São Paulo.

O ar denso de uísque envelhecido, charuto apagado e o suor rançoso de um desespero prolongado chocou-se imediatamente contra o seu rosto.

Enzo, o herdeiro sombrio, estava postado junto à janela bloqueada, sentado em sua cadeira de titânio de alta tecnologia que mais parecia uma sela de tortura.

Ele vestia uma camisa escura com os botões abertos até o peito, revelando a musculatura tensa e a respiração irregular que denunciava sua fúria.

Ao ouvir o ranger sutil da porta, Enzo girou o corpo com brusquidão metálica, cravando os olhos azul-escuro na intrusa com uma hostilidade cortante.

"Quem deu a ordem para você enfiar os pés neste quarto sem a minha expressa autorização?", sibilou Enzo, com uma voz áspera que feria o ar.

Maya não recuou nem um centímetro; caminhou para o centro do aposento com o olhar analítico varrendo cada canto daquele antro de amargura.

"Um homem inteligente não se encarcera na própria sujeira na patética tentativa de punir o universo", constatou ela em voz alta, sem o menor pingo de temor.

Enzo estreitou os olhos, sentindo o sangue ferver diante daquela audácia desmedida vinda de uma desconhecida trazida do interior.

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"Você pisa em uma propriedade onde a sua única função útil seria manter a boca fechada e obedecer às ordens de quem ainda comanda este império", rugiu ele.

"Ordens pertencem aos quartéis e aos tribunais, senhor Monteiro, e aqui estamos diante de um sistema nervoso colapsado por pura negligência emocional", retrucou Maya.

Enzo deu um impulso violento nas rodas, avançando na direção dela com uma velocidade ameaçadora que faria qualquer outra pessoa correr para a saída.

"Eu posso destruir o seu contrato, rasgar seus papéis e jogá-la na rua da amargura antes que o sol ouse nascer amanhã", ameaçou ele, destilando veneno.

Maya manteve a coluna erguida, fitando-o com a exata frieza com que um cirurgião avalia um ferimento infeccionado antes de realizar o corte necessário.

"O senhor pode latir o quanto quiser para tentar afastar o mundo, mas isso não consertará as suas vértebras esmagadas", disparou ela com precisão cirúrgica.

Uma careta de ódio visceral contorceu as feições aristocráticas de Enzo, que ergueu a mão direita com ímpeto para empurrá-la para longe.

"Saia daqui antes que eu perca a minha última gota de civilidade e faça você se arrepender de ter cruzado os portões desta casa", sibilou ele entredentes.

Em vez de obedecer, Maya avança decidida, ignorando por completo a repulsa agressiva que ele emanava como uma muralha de espinhos.

Com um movimento rápido e firme, ela desvia do alcance de seus braços e agarra a ponta da manta pesada de lã escura que cobre suas pernas.

"O que diabos você pensa que está fazendo?", berrou Enzo, tentando puxar o tecido de volta para ocultar a imobilidade que tanto detestava exibir ao mundo.

Maya não cedeu um milímetro; com um puxão seco, ela arranca a manta pesada que cobre suas pernas paralisadas para começar o exame sem mais delongas.

O ar fresco do quarto chocou-se diretamente contra os membros inferiores do magnata, gerando nele um sobressalto de pura indignação e vulnerabilidade nua.

"Como ousa tocar em mim sem permissão!", rugiu Enzo, tentando manobrar a cadeira para fugir daquela exposição humilhante.

Maya, contudo, firma as palmas das mãos diretamente sobre a calça de alfaiataria, pressionando a musculatura atrofiada com uma autoridade inegável.

No instante exato em que os dedos frios de Maya tocam o joelho morto de Enzo, um lampejo de formigamento quase imperceptível parece atravessá-lo.

Foi um choque elétrico súbito, um eco distante que subiu do fundo da rótula paralisada até o cérebro atônito do herdeiro dos Monteiro.

Enzo prendeu a respiração de forma abrupta, os olhos azul-escuro dilatados pelo espanto de sentir algo que não fosse a própria dor fantasma.

Ele quis gritar, quis empurrá-la com toda a força de seus braços, mas o corpo permaneceu paralisado por aquele estímulo desconhecido e aterrorizante.

Maya percebeu o espasmo milimétrico nos tendões sob suas palmas, mas manteve a expressão de seu rosto perfeitamente neutra e profissional.

Ela ergue o queixo, encarando o olhar assassino e chocado que o magnata lhe lança de cima para baixo na penumbra daquele quarto sufocante.

Maya pressiona com firmeza inegável a rótula inerte de Enzo e, encarando o olhar assassino dele, declara com calma: "Estas pernas ainda não morreram."

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