Capítulo 6:
O silêncio tenso e cortante daquela varanda isolada parecia amplificar de forma assustadora o som das respirações pesadas, irregulares e entrecortadas de ambos.
Dante permaneceu imóvel por uma fração agonizante de segundo, sustentando o próprio peso com uma dificuldade extrema enquanto o sangue quente jorrava incessantemente de suas costas.
A dor lancinante e física do projétil cravado profundamente em sua carne misturava-se de maneira brutal e impiedosa com a agonia crônica da alma rasgada que já vinha destruindo seu corpo há meses.
No entanto, para o Supremo Alfa, o maior e mais insuportável tormento não era o ferimento físico em si, mas sim o terror paralisante de pensar que a bala poderia ter atingido o coração de Helena.
Helena continuava com os olhos âmbar completamente arregalados, paralisada pelo choque súbito e violento daquela reviravolta mortal que acontecera na fração de um segundo.
O corpo forte, imponente e pesado de Dante começou a ceder lentamente, escorregando de forma descontrolada contra o corpo dela até desabar de joelhos sobre a laje fria e cinzenta da varanda.
"Dante...", o nome dele escapou dos lábios trêmulos de Helena em um sussurro totalmente involuntário, carregado de uma surpresa aterrorizada que ela tentou reprimir com todas as suas forças.
O Supremo Alfa apoiou as mãos trêmulas e ensanguentadas no chão de pedra para não cair totalmente de bruços, enquanto golfadas de sangue escuro e espesso manchavam o piso.
A respiração dele tornou-se curta, sôfrega, agonizante e entrecortada, marcada pelo esforço supremo de manter os olhos abertos e fixos no rosto perfeito da mulher que ele amava.
"Você... você está ferida em algum lugar?", conseguiu balbuciar Dante com uma voz extremamente fraca e frágil, ignorando completamente a própria dor para verificar a segurança de Helena.
Helena sentiu um nó doloroso e asfixiante apertar sua garganta, enquanto o som daquela pergunta completamente desinteressada pela própria vida ecoava de forma ensurdecedora em sua mente.
Ele levara um tiro projetado especificamente para matar instantaneamente, sacrificando o próprio corpo sem pestanejar, sem hesitar e sem calcular nenhuma consequência egoísta para salvar a sua vida.
"Por que diabos você fez isso, seu imbecil idiota?", gritou Helena, sentindo as lágrimas que ela tanto tentara conter durante meses finalmente quebrarem a barreira de seus olhos.
Dante esboçou um sorriso fraco, doloroso e melancólico em seus lábios pálidos, deixando transparecer toda a devoção cega e absoluta que sua fera interior exigia para mantê-lo vivo.
"Porque... se eu tinha que morrer de qualquer maneira por ter partido o seu coração... que fosse salvando a sua vida", sussurrou o Alfa com extrema dificuldade e um pálido vislumbre de paz.
Lá embaixo, na imensidão do salão principal, gritos estridentes de pânico e correria começaram a ecoar abafadamente, indicando que os seguranças e convidados finalmente perceberam o atentado.
Passos pesados, botas batendo e corridas desesperadas trovejavam do outro lado da porta pesada e trancada, com Kael e Lucas tentando desesperadamente forçar a entrada para socorrê-los.
Helena ajoelhou-se rapidamente ao lado de Dante, esquecendo-se por completo de todo o ódio guardado, de toda a sede de vingança e dos meses de sofrimento solitário na escuridão.
As mãos dela, agora trêmulas, sujas e manchadas com o sangue quente dele, tentavam desesperadamente estancar a ferida aberta nas costas do homem que fora o seu carrasco implacável.
"Não ouse morrer aqui nos meus braços, Dante Vance, você me ouviu?", ordenou Helena com a voz embargada pelo pranto, enquanto uma luz dourada começava a brilhar nas palmas.
O poder ancestral da lua, mantido adormecido por tanto tempo sob a pesada capa de sua amargura, respondeu instantaneamente ao desespero genuíno e à dor de seu coração ferido.
Uma energia morna, pulsante e intensamente curativa começou a fluir das mãos de Helena para o corpo ferido de Dante, desacelerando a hemorragia severa que ameaçava roubar sua vida.
Dante fechou os olhos pesados por um breve instante, sentindo o calor reconfortante daquela magia ancestral invadir suas entranhas e aliviar o tormento insuportável de sua alma quebrada.
"Você... você finalmente me perdoou?", perguntou o Supremo Alfa em um fio de voz quase imperceptível, sustentando a última esperança de sua existência nas írbitas âmbar dela.
Helena olhou fixamente para o homem prostrado em seus braços, percebendo com clareza dolorosa que a couraça de gelo que construíra havia desmoronado diante daquele sacrifício.
"Cale a boca, Dante, e guarde as suas forças para não morrer aqui, porque eu ainda não decidi o que vou fazer com você", respondeu ela com a voz trêmula.