Capítulo 4:
O salão principal da mansão estava completamente lotado de figuras influentes e perigosas, mas a verdadeira dona da noite ainda mantinha todos sob uma ansiedade palpável.
Dante Vance continuava imóvel no mesmo lugar, com a respiração suspensa e o coração batendo em um ritmo frenético e doloroso dentro do peito.
O perfume de jasmim e terra que ela deixara para trás ainda pairava no ar, provocando o seu lobo interior a uivar em desespero por causa da proximidade negada.
Kael aproximou-se devagar, mantendo os olhos atentos aos movimentos dos seguranças que guardavam a ala VIP para onde a mulher de vestido verde-escuro acabara de caminhar.
"Meu senhor, o senhor tem certeza de que deseja prosseguir com isso aqui dentro?", sussurrou o conselheiro, tenso com a possibilidade de um confronto direto naquele território hostil.
"Eu não me importo com quem esteja nos protegendo ou quem esteja tentando nos matar, Kael", respondeu Dante com a voz baixa, fria e cortante como o gelo.
Os olhos em tom de Azul-gelo do Supremo Alfa brilhavam na penumbra com uma determinação cega, alimentada pelos meses de sofrimento profundo que ele passara desde a noite da expulsão.
Enquanto isso, na área mais reservada e segura do segundo andar, Helena ajustava a alça de seu vestido de seda enquanto olhava para a cidade iluminada através da imensa vidraça.
Lucas aproximou-se dela com uma taça de cristal contendo vinho tinto, oferecendo-a com um sorriso cúmplice e encantado nos lábios.
"Você parece tensa, minha querida rainha", comentou Lucas, entregando a taça com delicadeza.
"Aquele homem de olhos claros... ele é algum antigo inimigo dos seus negócios no submundo?", perguntou o magnata das armas, franzindo o cenho em sinal de alerta.
Helena pegou a taça de cristal, girando o líquido escuro lentamente enquanto permitia que um sorriso enigmático surgisse em seu rosto perfeito.
"Não exatamente um inimigo comercial, Lucas", respondeu Helena com a voz aveludada, mantendo o olhar fixo na reflexão do próprio rosto no vidro.
"Ele foi apenas alguém que tentou quebrar o meu espírito e acabou despertando um monstro muito maior do que jamais poderia imaginar", acrescentou ela com extrema frieza.
Lucas soltou uma risada baixa e gutural, admirando ainda mais a força e a beleza estonteante da mulher que conquistara o seu respeito em tempo recorde.
"Se ele ousar se aproximar de você novamente, bastará uma única palavra minha para fazer com que ele desapareça para sempre desta cidade", garantiu o empresário.
Helena virou-se lentamente para encará-lo, balançando a cabeça em negativa com um brilho de pura soberba e perigo nas írbitas âmbar.
"Não faça isso, Lucas, porque o destino dele pertence unicamente a mim e a mais ninguém", murmurou ela, lembrando-se de cada lágrima derramada sob a luz daquela Lua de Sangue.
Lá embaixo, na imensidão do salão de festas, Dante já começava a abrir caminho à força entre os seguranças de Lucas para alcançar as escadas que levavam ao piso superior.
Nenhum obstáculo, nenhum capanga e nenhuma lei do submundo seria capaz de detê-lo agora que ele finalmente encontrara a luz de sua alma perdida nas sombras.
O Supremo Alfa subiu os degraus de mármore com passos pesados e decididos, sentindo o sangue bombear com força em suas veias e o lobo agitar-se em seu interior.
"Onde ela está, Kael?", rosnou Dante, olhando fixamente para a porta dourada que bloqueava a entrada da ala reservada onde os convidados de honra descansavam.
"Ela está logo ali dentro, meu senhor, acompanhada daquele maldito traficante humano", confirmou o conselheiro, preparando-se para intervir caso a situação saísse do controle.
Dante não esperou por mais nenhuma palavra e empurrou as portas duplas com tanta força que o som do impacto ecoou por todo o corredor privativo.
Helena virou-se calmamente na direção da entrada, encontrando o ex-companheiro ofegante, com os olhos escarlates fixos nela como se ela fosse a única salvação de sua vida.
"Você demorou mais do que eu esperava para subir até aqui, Dante", disse ela com um tom de voz perfeitamente controlado e desprovido de qualquer emoção.
Dante deu um passo trêmulo para a frente, sentindo a garganta apertar diante daquela visão magnifica e devastadora que o consumia por dentro.
"Helena... por favor, olhe para mim, eu preciso de você", implorou o Supremo Alfa, quebrando todas as regras de sua própria altivez diante da mulher que ele abandonara.
Helena inclinou a cabeça ligeiramente para o lado, exibindo um sorriso frio, cruel e totalmente desprovido de qualquer resquício de piedade ou afeto antigo.
"Grande líder,quanto tempo! você realmente achou que eu permitiria que você me destruísse e saísse ileso?", sibilou ela, cravando os olhos âmbar na alma despedaçada dele.
Lucas deu um passo à frente para protegê-la, mas Helena levantou a mão, mantendo o olhar cravado em Dante enquanto a tensão no ar atingia o seu ápice absoluto.