Capítulo 2:
A neblina espessa da Floresta da Noite Eterna engoliu completamente a silhueta de Helena, transformando a dor lancinante do seu peito em uma força fria, cortante e implacável. Cada passo que ela dava para longe do altar de sacrifício afastava-a de sua antiga fragilidade e a empurrava para o abismo profundo do desconhecido.
O ar úmido na floresta tornou-se pesado, carregado com o cheiro inconfundível de predadores famintos, terra molhada e podridão.
Nas sombras densas das árvores centenárias, pares de olhos brilhantes e famintos começaram a surgir, seguindo cada movimento sutil da exilada solitária.
"Ora, ora, o que temos aqui? Uma linda ovelha perdida que foi expulsa pelo próprio Alfa para morrer sozinha nesta escuridão", zombou uma voz áspera, sádica e cortante vinda diretamente dos arbustos escuros.
Bane, o temido líder da vanguarda da facção rival da Alcateia da Lua de Sangue, emergiu das trevas com um sorriso cruel e desdenhoso nos lábios. Ele e seus assassinos de elite haviam sido encarregados de caçar qualquer desertor que ouse cruzar a fronteira proibida.
Helena parou abruptamente a sua marcha, erguendo o queixo com uma altivez gélida e soberba que fez o sorriso de Bane vacilar por um segundo. Ela não recuou um único centímetro sequer diante do bando de lobos armados que a cercavam em um círculo mortal.
"Vocês escolheram o pior dia e o pior lugar para tentar me caçar, seus cães patéticos", sibilou Helena, com a voz carregada de um eco sobrenatural e profundo que vibrou intensamente no ar.
Bane gargalhou alto, achando a petulância daquela humana completamente divertida antes de dar a ordem brutal de ataque para seus subordinados. "Acabem com ela rapidamente e tragam o coração ainda quente como troféu para o nosso líder supremo."
O primeiro assassino avançou como um borrão cinzento e veloz, cravando as garras diretamente na direção do pescoço indefeso de Helena.
No último milissegundo possível, a garota desviou com uma agilidade desumana que surpreendeu até mesmo o experiente líder inimigo.
A dor lancinante do vínculo quebrado com Dante transformou-se subitamente em uma energia dourada, pura e incandescente correndo violentamente por todas as suas veias.
Suas írbitas âmbar escureceram rapidamente, brilhando com um fulgor feroz e aterrorizante sob a luz prateada da lua.
"Mas o que diabos é você? Como isso é possível?", balbuciou Bane, dando um passo involuntário para trás ao sentir um calafrio gélido descer pela sua espinha.
Helena não respondeu com palavras vazias, mas com uma rajada devastadora de energia ancestral que explodiu de todo o seu corpo.
O impacto sônico jogou os assassinos mais próximos contra os troncos grossos das árvores ancestrais, que estalaram.
Os lobos da alcateia rival tentaram se levantar desesperados, mas o peso esmagador daquela nova presença os paralisou completamente no chão lamacento. Era uma aura de pura realeza, um chamado genético primitivo que exigia obediência cega.
"Você não passa de um verme insignificante tentando tocar a realeza", murmurou Helena, avançando com uma velocidade que desafiava todas as leis da física daquele mundo.
Com um golpe certeiro e impiedoso de suas mãos, agora revestidas por uma aura dourada, ela neutralizou o segundo mercenário antes que ele pudesse sacar sua lâmina. O sangue quente espirrou descontroladamente sobre as folhas secas.
Bane rugiu de fúria cega e desespero, transformando-se parcialmente em sua monstruosa forma lupina para tentar esmagar a ameaça. Ele saltou com as garras prontas para dilacerar o crânio daquela que julgava ser uma presa fácil.
"Morra de uma vez, criatura maldita", berrou Bane, despencando dos céus com toda a sua massa muscular concentrada no golpe final.
Helena ergueu a mão direita sem pestanejar e segurou o punho maciço do assassino no ar com uma facilidade aterrorizante. A onda de choque gerada pelo impacto sacudiu a terra em um raio de dezenas de metros ao redor.
As árvores ao redor balançaram violentamente, e um som estridente de ossos se rompendo ecoou pela clareza da noite.
A respiração de Bane travou em sua garganta enquanto o medo absoluto e paralisante tomava conta de sua mente.
Nesse exato instante de poder supremo, as ondas de choque do despertar de Helena atravessaram as fronteiras da floresta. Em todos os arredores, centenas de lobos selvagens abaixaram as cabeças e emitiram um uivo coletivo de reverência e lamento.
Era a resposta instintiva e incontrolável da natureza diante do renascimento de uma verdadeira rainha esquecida.
Bane tentou recuar desesperado, mas suas pernas cederam totalmente sob o peso daquela dominação implacável.
Helena o empurrou com força implacável contra o solo lamacento, fazendo o líder dos assassinos cuspir sangue escuro e perder o fôlego. O império da força bruta que reinava naqueles territórios acabava de encontrar sua perdição definitiva.
Helena limpou calmamente o rastro de sangue que escorria por sua testa, mantendo o olhar fixo no inimigo derrotado. Ela pressionou a bota firmemente contra o peito de Bane, impedindo qualquer tentativa patética de fuga.
O líder inimigo olhou para cima com pavor, encontrando apenas um vazio implacável naqueles olhos âmbar que agora ardiam como chamas divinas.
Ela inclinou a cabeça ligeiramente para o lado, exibindo um sorriso frio, cruel e desprovido de qualquer resquício de piedade.