— Eu também tolerei a maldade de Sabrina e a machuquei, repetidamente...
Hugo mencionou Sabrina, mencionou trancar Clara no porão do restaurante, mencionou os boatos e insultos.
Ele dissecou diante do mundo inteiro, um por um, todos os danos que já causou a Clara:
— A escuridão, a humilhação, o desespero que ela sofreu, todas as dores físicas e mentais, todas as cicatrizes que nunca se curaram, tudo originou-se do meu egoísmo, minha paranoia e minha injustiça.
Hugo fechou os olhos. Quando os abriu novamente, seus olhos estavam cheios de vasos sanguíneos, e sua voz tremia de forma quase quebrada, palavra por palavra:
— Por este meio, Hugo expressa a Clara Souza suas mais sinceras e profundas desculpas.
— Clara, sinto muito por você.
Ele olhou para a lente, na direção em que supunha que ela pudesse estar assistindo, e seu tom era quase de súplica:
— Devolvo publicamente a inocência que lhe devo; a vida que lhe devo, quero usar o resto da minha vida para compensar. Não peço que me perdoe, peço apenas que me dê uma chance...
Fora da tela, inúmeros internautas estavam em choque e sem palavras.
O Presidente do Grupo Huo se arrepende em público, buscando o amor de forma humilde!
No outro lado da tela, Clara estava em uma reunião com os executivos da empresa, confirmando o plano de otimização para o mercado interno.
Ao final da reunião, após ouvir as fofocas de Sofia, ela fez uma pausa, sem grandes ondas em seu rosto, e continuou a trabalhar.
Até o fim do expediente, quando Clara saiu do prédio, viu a figura de Hugo.
— Você viu a coletiva de imprensa?
Ele caminhou até ela, com os olhos cheios de expectativa.
— Clara, me dê uma chance, por favor? Nem que seja começando como um estranho...
Capítulo 20
Clara o observou silenciosamente por um longo tempo, tanto que Hugo acreditou que ela se enterneceria e aceitaria.
Mas ela apenas disse calmamente:
— Não é necessário, eu não preciso.
— Clara, você ainda vai continuar a dizer o contrário do que sente?
Os olhos de Hugo se encheram gradualmente de lágrimas, seu olhar fixo no colar em seu pescoço. — Se você realmente não precisa mais, então por que ainda usa este colar? Ele a lembra, vez após vez, de que você ainda não conseguiu me esquecer e de que ainda tem sentimentos por mim?
— Você realmente precisa ser tão contraditória?
A brisa noturna, com seu frescor, soprava suavemente sobre as duas figuras em impasse.
Clara franziu a testa, prestes a falar.
No entanto, no momento seguinte, um grito estridente foi ouvido.
— Clara! Como você ousa viver tão bem? Como ousa roubar o meu Hugo!? Morra!——
Sabrina surgiu das sombras ao lado como se estivesse louca, segurando firmemente uma faca de frutas afiada, desenhando um arco sinistro na escuridão da noite.
Em um piscar de olhos, não houve tempo para reagir.
No instante em que a ponta da faca estava prestes a tocar suas roupas, uma figura alta se lançou rapidamente à frente.
Hugo, agindo quase por instinto, colocou-se na frente dela sem hesitação, virando o corpo.
A lâmina afiada perfurou profundamente suas costas, atravessando pele e carne. O sangue jorrou instantaneamente, encharcando sua camisa escura, em uma cena chocante.
— Puf——
Uma névoa de sangue quente se espalhou.
Sabrina arregalou os olhos, a loucura em seu rosto desmoronando centímetro a centímetro, restando apenas o torpor e o medo.
Os policiais que chegaram logo a subjugaram.
Clara olhou fixamente para o homem à sua frente, o sangue que escorria sem parar deixando seu cérebro completamente em branco.
Hugo não se importou com a dor excruciante em suas costas, e a primeira coisa que fez foi virar a cabeça para segurar os ombros dela:
— Clara, desde que você esteja bem, mesmo que eu leve mais duas facadas, ficarei feliz...
Clara ficou atordoada, com a voz levemente rouca:
— Hugo, você é realmente louco.
— Se ser louco pode manter você perto de mim.
Hugo segurou a mão dela com suas mãos manchadas de sangue e sorriu. — Então prefiro ser um louco.
Clara encontrou seu olhar intenso; mil palavras entupiram sua garganta, e uma emoção complexa surgiu no fundo de seus olhos.
Logo, Hugo, cuja consciência começava a desaparecer devido à perda excessiva de sangue, foi colocado às pressas em uma maca e enviado rapidamente para o hospital.
A luz da sala de emergência permaneceu acesa por duas horas inteiras.
— Quase atingiu o coração, foi um susto, mas ele escapou ileso.
O enfermeiro empurrou Hugo, que ainda estava inconsciente, para fora.
Suas sobrancelhas ainda estavam levemente franzidas, seus lábios finos movendo-se inconscientemente, repetindo o mesmo nome.
— Clara... não vá embora...
— Clara...
Sussurros, todos eles eram o nome dela.
Clara, guardando o lado de fora do quarto, observava silenciosamente o homem que dormia e delirava na cama do hospital, permanecendo ali por muito tempo, em silêncio.
Capítulo 21
Quando Hugo acordou e viu Clara sentada ao lado de sua cama, a inquietação em seus olhos desapareceu imediatamente.
— Clara...
Ele segurou a mão dela, um sorriso aparecendo em seu rosto pálido. — Eu sabia, você ainda tem um lugar para mim em seu coração.
Clara encontrou seu olhar alegre e não disse nada.
A partir desse momento, Hugo iniciou sua jornada para conquistar Clara novamente.
Ele ficava de guarda no andar de baixo de seu apartamento, trazendo café da manhã quente e pessoalmente a levava para a empresa.
Ele também usou suas conexões e recursos do setor para ajudá-la a abrir caminho no mercado nacional e eliminar obstáculos.
Fora do trabalho, ele dedicou toda a sua gentileza para compensar todas as dívidas do passado.
Ele a levava para ver o nascer do sol no mar de nuvens, longe do barulho e da agitação da cidade.
Ao entardecer, dirigia pelas ruas e vielas da cidade, provando todas as comidas locais que ela gostava.
Se ela visse um acessório que gostasse, ele apareceria na mesa de seu escritório no dia seguinte.
Se ela trabalhasse até tarde, ele era sempre o espectador mais pontual no andar de baixo do prédio de escritórios.
Todos diziam que Hugo havia dado toda a gentileza e paciência desta vida a Clara.
Dois meses se passaram em um piscar de olhos.
A filial nacional renasceu sob a gestão de Clara, garantindo sucessivas parcerias importantes e estabelecendo o recorde de receita mais alto desde a fundação da filial.
Com seu próprio esforço, Clara liderou a filial para reverter o declínio, retornando ao auge de sua carreira e tornando-se novamente uma figura deslumbrante e admirada no setor.
E Hugo também havia preparado há muito tempo um banquete de glória exclusivo para ela.
As luzes de cristal brilhavam intensamente, e as torres de champanhe estavam empilhadas.
Hugo, vestindo um terno preto bem cortado, caminhou passo a passo até a frente de Clara.
— Clara, nesses dois meses, estive ao seu lado, observando você lutar noite adentro e carregar fardos, vendo-a brilhar intensamente. Para mim, este foi o momento mais sortudo da minha vida.
Ele olhou para ela, sorrindo.
— Há cinco anos, perdemos a melhor oportunidade devido a vários fatores. Nesses cinco anos, sempre guardei aquela borracha que você perdeu na minha gaveta, assim como sempre escondi meu amor por você em meu coração.
— Hoje não quero mais esperar, nem quero perder a chance novamente. Clara, eu amo você.
Ele inclinou-se levemente, com uma postura devota e solene.
— Clara, você me daria uma chance de compensar meus arrependimentos e ser minha namorada?
Assim que as palavras foram ditas, todo o salão entrou em ebulição.
Aplausos e votos de felicidades sucederam-se.
Mas, em meio a todas as expectativas, a expressão de Clara permaneceu calma e sem ondas.
— Não quero.
Os aplausos cessaram abruptamente.
Hugo congelou, olhando para ela em descrença; a expectativa fervente que acabara de surgir em seu coração caiu instantaneamente em um porão de gelo.
Seu pomo de Adão moveu-se levemente, sua voz rouca: — ... por quê?
— Porque eu já tenho um noivo há muito tempo.
Capítulo 22
— Você tem um noivo?
Os lábios finos de Hugo tremeram ligeiramente. — Como é possível...
Nesse momento, as portas do salão de banquetes foram abertas suavemente.
Uma figura elegante e refinada caminhou lentamente em direção à luz.
O homem vestia um terno branco-luar, com um temperamento distinto e uma aura de calma, atravessando a multidão e chegando ao lado de Clara.
Ele levantou a mão para proteger suavemente sua cintura: — Posso resolver isso para você.
Clara balançou a cabeça levemente, um sorriso curvando seus lábios: — Não precisa, quero encerrar isso sozinha.
Encerrar.
Acontece que o convívio desses dois meses, o aparente degelo, para ela, do início ao fim, foi apenas uma conclusão cuidadosamente planejada.
O coração de Hugo parecia ter sido agarrado por uma mão invisível, e até sua respiração trazia uma dor lancinante:
— Clara, você esteve me enganando do início ao fim?
Ele não ousava acreditar, e não queria acreditar.