Então, ele tomou a iniciativa de se aproximar de Clara, ajudando Sabrina a eliminar obstáculos.
Encontros fortuitos fabricados, conversas, caminhar juntos na volta para casa.
Seu objetivo, desde o início, fora desprezível e claro: desestabilizar a mente de Clara, dispersar sua atenção, para que ela não tivesse motivação para focar nos estudos e não tivesse mais forças para competir com Sabrina.
No entanto, aos poucos, ao vê-la tratar a todos com sinceridade, abraçar o mundo com uma gentileza benevolente, vê-la estudando incansavelmente para resolver um exercício errado, vê-la sorrindo de forma franca e calorosa...
Alguma parte de seu coração, inexplicavelmente, fora guiada por ela.
Mesmo quando estava com Sabrina, a figura de Clara surgia involuntariamente em sua mente.
Aquele ar puro e limpo, como a brisa mais cristalina de uma noite de verão, invadia seu coração pouco a pouco.
Ele passou a ansiar por cada momento ao lado dela, pelo sorriso puro entre suas sobrancelhas, pelo cheiro único de flor de laranjeira.
Ele começou a notar tudo sobre ela, sem controle.
Certa vez, durante o intervalo, a borracha branca de Clara caiu acidentalmente e rolou até os pés dele.
Era algo comum, com as bordas arredondadas pelo uso e marcas claras de lápis, mas ele, tomado por um impulso, abaixou-se para pegá-la e a escondeu secretamente no fundo do seu estojo.
Embora tivesse intenções ocultas ao se aproximar dela, ele não pôde evitar nutrir sentimentos egoístas.
No entanto, todos os seus pensamentos secretos foram descobertos por Sabrina antes do vestibular.
Sabrina encheu os olhos de lágrimas, apertando aquela borracha, com as pontas dos dedos tremendo: — Hugo, se não me engano, esta borracha é da Clara.
— Diga-me a verdade: você começou a fingir e acabou caindo na própria armadilha? Você realmente se apaixonou por ela?
Capítulo 14
Um brilho estranho passou por seus olhos e ele negou instintivamente: — Eu apenas me aproximei dela conforme o combinado, nada mais.
— Eu não acredito!
Sabrina falou com entusiasmo, encarando-o fixamente:
— A menos que você interfira no vestibular, fazendo com que ela viole as regras e seja desclassificada. Se ela sair completamente, eu acredito em você. Caso contrário, você a está protegendo!...
Sua testa franziu gradualmente: — Sabrina, você sabe que uma abordagem tão extrema como essa pode destruir a vida de alguém...
— Eu não me importo! Só sei que, se eu não superar a Clara e não ficar em primeiro lugar, minha vida estará arruinada!
Sabrina agarrou sua mão, trêmula, com os olhos cheios de lágrimas:
— Hugo, você sabe que minha mãe sempre foi muito rigorosa comigo. Tenho que ser a primeira, senão serei punida. Já fui punida tantas vezes por causa da Clara, não aguento mais...
— Ajude-me apenas desta vez, pelo que crescemos juntos, sim? Eu imploro... eu me ajoelho para implorar...
Dizendo isso, seus joelhos estavam prestes a dobrar, mas ela foi segurada.
— Está bem, eu aceito.
No fim, ele não teve coragem de negar.
Um erro de julgamento, a ruína total.
Uma vez aceito, haveria uma próxima.
Ajudou Sabrina a destruir provas e, por fim, não hesitou em enviar Clara pessoalmente para a detenção.
No final, querendo compensar, ele foi à casa de Clara antes do início das aulas com documentos de admissão de uma universidade, mas foi informado de que toda a família havia se mudado.
Desde então, ele perdeu todas as notícias sobre ela.
Era como se ela tivesse desaparecido completamente do seu mundo.
A maré de memórias terminou; os dedos de Hugo ao lado do corpo cerraram-se violentamente, com os nós dos dedos brancos.
E, surpreendentemente, cinco anos depois, quando ele estava prestes a esquecê-la, ela voltou.
E aquelas palavras que ela disse...
— Hugo, você não é todo-poderoso? Como não conseguiu encontrar o monitoramento daquela época?
— É porque você não é apenas tão desprezível quanto Sabrina, você é também obstinado e arrogante, acreditando sempre apenas no que você vê.
Hugo ergueu os olhos e olhou para si mesmo no espelho, com os lábios finos cerrados.
Não sei quanto tempo se passou, ele pegou o celular e discou para seu assistente:
— Ajude-me a investigar aquele monitoramento no cruzamento do antigo endereço da família Souza, de cinco anos atrás.
Hugo pausou, lembrando-se do olhar que Clara lhe lançara quando fora arrastada para o porão do restaurante cinco anos antes, e finalmente acrescentou o nome do restaurante:
— Investigue tudo para mim.
— Sim.
Não demorou muito e o assistente enviou os resultados para o celular de Hugo.
Ao ver, na tela, o momento exato em que Sabrina cai no chão antes mesmo de Clara dirigir o carro.
Crac
—
O copo de vidro na mão de Hugo quebrou-se com o som.
Capítulo 15
Os fragmentos de vidro frio perfuraram a palma da mão, e gotas finas de sangue escorreram lentamente pelos vãos dos dedos, gotejando sobre a mesa de mármore limpa, em um contraste chocante.
Mas Hugo não sentia a dor na palma; todo o seu sangue parecia ter congelado naquele momento, apenas para fluir violentamente na direção oposta um segundo depois.
O monitoramento interno do restaurante revelava, de forma crua, toda a baixeza da artimanha.
Acontece que fora Sabrina quem provocara e desafiara Clara de todas as maneiras possíveis.
Quando Clara exigiu que as imagens do monitoramento fossem verificadas, Sabrina jogou sopa sobre as costas da própria mão na hora, invertendo os fatos.
E o que ele tinha feito naquela época?
Ele não deu a Clara a mínima chance de se explicar e ordenou que os seguranças a arrastassem para o porão.
Naquela época, Clara vestia um vestido simples, sujo de poeira, com mechas de cabelo desgrenhadas coladas em seu rosto pálido e abatido.
Ao redor, estavam os olhares de schadenfreude das pessoas; inúmeros estigmas e acusações foram lançados contra ela, cercando-a por todos os lados.
Foram 48 horas inteiras.
Uma dor aguda e persistente surgiu no peito, centenas de vezes mais intensa do que a ferida em sua palma.
O peito de Hugo subia e descia violentamente, e as pontas de seus dedos tremiam fora de controle.
Acontece que, do início ao fim, quem estava errado era ele, e também...
— Sabrina...
Ele cerrou os dentes e apertou a palma da mão violentamente. Os cacos de vidro enterraram-se profundamente na carne, o sangue corria, mas ele não sentia nada; em seus olhos, restava apenas uma aura assassina e turbulenta.
Ele não conseguia ficar ali por mais um segundo.
Levantou-se violentamente; a cadeira deslizou ruidosamente pelo chão devido à inércia.
O carro de luxo preto disparou como uma flecha, correndo em direção ao apartamento de Sabrina.
Hugo saiu do carro, subiu as escadas com passos largos; a baixa pressão que emanava dele parecia congelar todo o corredor.
Sabrina já o vira do andar de cima e, achando que ele viera consolá-la, abriu a porta imediatamente, caminhando de pantufas e jogando-se sobre ele, com o rosto cheio de mágoa e reclamações:
— Hugo! Você finalmente veio me ver! Por que você não me ajudou na coletiva de ontem?
— Antes, não importava o que eu fizesse, você sempre me protegia, sempre ficava do meu lado. Você nunca me deixava passar vergonha em público!...
"Antes."
Essa palavra foi como um ferrão de gelo frio que perfurou o coração tenso de Hugo, provocando toda a raiva que ele acumulava.
Ele olhou para aquele rosto hipócrita e soltou uma risada fria:
— Como eu era antes?
— Alguém que ignorava o certo e o errado para te mimar, que tolerava cada intriga sua? Ou alguém que, sem perguntar o motivo, ajudava você a reprimir e repreender os outros?
Sua voz tornava-se cada vez mais fria, cada vez mais pesada.
— Sabrina, diga-me.
— Cada vez que você me implorava, dizendo que mudaria na próxima vez, você realmente mudou? Hein?
Sabrina ficou com o couro cabeludo dormente sob o olhar frio e cortante dele: — Hu, Hugo, por que você pergunta isso de repente...
— Diga-me!
Capítulo 16
O som do rugido deixou o couro cabeludo de Sabrina dormente.
Ela nunca tinha visto Hugo tão furioso.
— Alguém te disse alguma coisa?
Sabrina, ao pensar no olhar que Hugo dirigiu a Clara durante a coletiva de imprensa, sentiu a frustração crescer um pouco mais.
— Foi a Clara, não foi? Tem que ter sido aquela víbora! Você esqueceu quantas vezes ela me machucou? Por que você ainda acredita nela...
— Até agora você ainda tem a ousadia de jogar a culpa nos outros!
Hugo jogou o vídeo do monitoramento diretamente na frente dela.
O olhar de Sabrina caiu sobre a tela sem aviso, e suas pupilas se contraíram subitamente.
O rosto, que antes trazia ressentimento, tornou-se pálido como papel em um instante.
— Não é assim...
Sua voz tremia sem controle.
— Hugo, isso é falso! Foi a Clara que fez isso de propósito para me incriminar!... Olhe de novo com atenção, acredite em mim desta vez, apenas desta vez, por favor...
No entanto, não havia a menor onda de emoção no rosto de Hugo.