Palhaços de circo.
Ela baixou o olhar, pegou o celular, deslizou até o contato de sua melhor amiga Sofia Lima, pressionou o botão de discagem e ativou o viva-voz.
O ambiente ao redor ficou subitamente silencioso, apenas o toque de chamada do celular soava de forma extremamente nítida.
No entanto, um segundo antes da chamada ser atendida, uma mão de articulações bem marcadas estendeu-se, agarrou o pulso de Clara e arrancou o celular de sua mão.
— Click.
O som nítido de uma ligação sendo encerrada soou abruptamente, quebrando o silêncio mortal.
Todos os presentes ficaram paralisados, com os olhos cheios de espanto.
Ninguém esperava que Hugo, que até então observava tudo friamente, interviria de repente.
Antes que pudessem reagir, Hugo puxou Clara e saiu a passos largos.
— Me solta!
Clara lutou, seus dedos ficaram brancos de tanta força, mas não foi páreo para a força dele.
Somente ao chegar ao final do corredor isolado, Hugo parou de andar e soltou lentamente o pulso dela.
Clara puxou a mão bruscamente; uma marca vermelha nítida já havia ficado em seu pulso. — Hugo, o que você pensa que está fazendo?
— Não há estranhos aqui, não precisa mais fingir.
Hugo baixou o olhar, fixando-a, com emoções nos olhos que ela não conseguia decifrar.
Clara franziu a testa: — O que você quer dizer?
— Quando eles te questionaram agora pouco, eu já pedi para investigarem a estrutura interna desta empresa e a lista oficial de todos os entrevistadores.
Hugo fez uma pausa, e o desdém em seu olhar tornou-se ainda mais frio. — Na lista, do início ao fim, não existe o seu nome.
— Clara Souza, você não é a entrevistadora.
— Continuar com essa atuação só fará com que você passe mais vergonha. Eu te parei porque não quero ver você procurando sofrimento por conta própria.
Capítulo 3
Clara olhou nos olhos dele, ficou atordoada por um momento e, em seguida, soltou um riso frio.
— Cinco anos se passaram e, saindo da sua boca, essa frase continua sendo tão nojenta quanto sempre foi.
Há cinco anos, embora Clara tivesse decidido estudar no exterior, ela não queria ser injustamente rotulada como uma trapaceira.
Durante aquele período, ela quase esgotou todas as suas forças, passando noites em claro organizando suas anotações de estudo completas antes do vestibular, registros de preparação e comparando linha por linha os métodos de resolução das questões.
Ela também correu atrás do Departamento de Educação para obter as gravações de monitoramento e finalmente conseguiu provas substanciais.
Ela não ousou hesitar e foi imediatamente para a delegacia.
Mas, assim que se preparou para dirigir, uma figura esbelta bloqueou seu caminho.
Naquela época, Sabrina já havia deixado de lado sua expressão gentil e decorosa, e seus olhos escondiam um escárnio incontrolável.
— Clara, pare de insistir. Não é uma sensação ruim ser pega trapaceando e ter as notas anuladas? Por que se esforçar em vão, fazendo os outros pensarem que você é patética e não sabe perder, servindo apenas de piada?
Sabrina deu um passo à frente e sorriu triunfante.
— Não imaginava, né? Você gosta tanto do Hugo, mas, no fim das contas, a pessoa que ele sempre amou fui eu. Não importa o que eu peça para ele fazer, ele sempre me ajuda.
— Então, você deu um jeito de manipular o Hugo para usar esse método desprezível e colocar a culpa de trapaça em mim, foi isso?
— E se foi?
Sabrina riu de forma cada vez mais radiante, arrogante. — Esse é o preço por ousar competir comigo.
— Então vocês dois, uma víbora e um cachorro, são realmente um par perfeito.
O olhar de Clara tornou-se frio.
— Você acha mesmo que fizeram um trabalho impecável? Quem comete injustiças acabará se autodestruindo. Cedo ou tarde, toda essa armação voltará para você na mesma proporção.
A expressão de Sabrina mudou: — O que você quer dizer?
Clara não quis desperdiçar mais saliva com ela, abriu a porta do carro e entrou.
Mas, no instante em que o carro deu a partida e avançou apenas alguns centímetros, Sabrina, ao seu lado, de repente amoleceu o corpo, tropeçando de forma desajeitada e caindo no chão. Seu cotovelo bateu com força no solo, deixando uma marca vermelha instantaneamente.
— Ah! ...
Sabrina soltou um grito de dor. — Clara, você... você realmente me atropelou?
Clara achou a cena daquela encenação barata muito ridícula.
— Clara!
Mas, no instante seguinte, uma voz furiosa veio de trás.
Era Hugo.
Ele apareceu ali sem que ela percebesse e acabou presenciando toda aquela cena.
Hugo correu em direção ao carro, agarrou a borda da janela, com olhos escuros transbordando de raiva.
— Se tem alguma reclamação, desconte em mim! Que tipo de talento você acha que tem ao intimidar uma pessoa inocente?! Você é cruel demais!
Cruel?
Um lampejo de desprezo passou pelos olhos de Clara.
Mas ela apenas desviou o olhar com indiferença, com um tom de voz calmo e sem nenhuma agitação: — Não tenho tempo para participar dessa sua peça.
Terminado isso, ela fechou a janela do carro, isolando-se de seu olhar furioso, e acelerou em direção à delegacia.
As provas no banco de trás eram sua única esperança.
Bastava chegar à delegacia e entregar todas as evidências para se livrar completamente daquela infâmia.
Mas ela nunca imaginou que, quando estava a pouca distância da delegacia, dois faróis cegantes se acendessem atrás dela.
Um carro preto vinha colado em sua traseira.
O coração de Clara apertou-se; ela instintivamente apertou o volante, tentando acelerar para escapar.
No segundo seguinte —
"Bum!"
O carro bateu diretamente nela!
O enorme impacto fez a carroceria tremer violentamente, os pneus friccionaram o asfalto com um ruído estridente, o carro perdeu o controle instantaneamente e avançou desgovernado.
O airbag explodiu. O enorme impacto fez com que o canto de sua boca sangrasse, seu corpo sentia como se estivesse sendo esmagado.
Em sua visão embaçada, ela viu Hugo saindo daquele carro.
Ela o observou pegar as provas que ela havia lutado tanto para reunir.
Bem diante de seus olhos, ele as incendiou.
— Clara, desista.
Ele olhou para ela de cima para baixo.
— Com a influência da família Vance, de nada adiantará chegar à delegacia. Continuar sendo teimosa só fará com que você passe mais vergonha. Eu te parei porque não quero ver você procurando sofrimento por conta própria.
Capítulo 4
— E se eu não quiser?
A voz de Clara soava fraca, mas era extraordinariamente resoluta.
Por que alguém que arma uma cilada e incrimina os outros pode permanecer impune?
Por que, sendo ela a vítima da injustiça, não pode provar sua inocência?
Contudo, ao olhar para Clara coberta de sangue, o fundo dos olhos de Hugo demonstrou um leve lampejo, que logo desapareceu:
— Então não me culpe por ser indelicado.
No final, Clara foi enviada para uma cela de detenção sob a acusação de atropelamento e fuga.
Lá fora, os rumores corriam soltos, dizendo que ela havia sido presa por ter sido pega trapaceando e por não demonstrar arrependimento.
O pai de Clara, tomado pela raiva e pelo desespero, foi levado ao hospital.
O peso da família caiu inteiramente sobre os ombros da mãe de Clara, que, exausta física e mentalmente, caiu de uma escada e quebrou a perna, passando a sentir dores persistentes sempre que chovia.
— Sei que, na época, realmente fui injusto com você.
Hugo soltou um suspiro, um traço de culpa passou por seus olhos, mas seu tom continuou monótono:
— Mas eu claramente ofereci uma compensação, foi você quem se recusou a aceitar.
— Compensação?
Clara riu.
— Quer dizer, me dizer que, com a minha capacidade, eu eventualmente passaria no vestibular, então repetir um ano não era nada demais? Ou que, mesmo que eu não passasse, você me arranjaria uma vaga em uma faculdade de tecnologia?
— Hugo, quem tem tempo a perder? Quem, tendo plena capacidade, abriria mão voluntariamente da universidade que deseja? Com que direito você me destruiu por causa de seus próprios interesses egoístas e, no final, ainda interferiu na minha vida, fingindo fazer escolhas por mim? Não acha isso hipócrita?
Hugo franziu a testa profundamente.
Diante de seus olhos, parecia surgir a imagem de Clara com as órbitas avermelhadas, mas decidida a despedaçar o cheque que ele lhe oferecera.
Aquela imagem, frágil e ao mesmo tempo obstinada, permaneceu em sua mente durante esses cinco anos, impossível de ser dissipada, não importava o quanto tentasse.
Ele pressionou os lábios, como se não quisesse reviver o passado.
— Então, você não precisava voltar apenas para atuar e se vingar. Esses joguinhos são infantis e inúteis.
Ele tirou um cartão de visitas e estendeu na direção dela.
— Sei que, com seu currículo, você não conseguirá um bom emprego. Por coincidência, minha empresa precisa de uma secretária, posso abrir uma exceção e contratá-la.
O tom, a postura superior... não era diferente de dar uma esmola.
— Não precisa se preocupar, Sr. Hugo.
Clara pegou o cartão de visitas dourado com as pontas dos dedos e, no momento seguinte, diretamente diante dele, rasgou-o ao meio e jogou na lixeira.