Capítulo 11:
Kass arrombou a porta do quarto de Astor com um chute que reverberou por todo o corredor, seus pulmões ardendo pelo esforço e pela fúria que agora corria em suas veias como veneno.
Ele encontrou Astor sentado em uma poltrona de veludo, tomando um chá com a calma de um assassino que acabara de ver sua obra ser concluída com sucesso.
"Você acha que um pouco de droga no vinho é suficiente para me parar?" Kass perguntou, sua voz soando como um rosnado vindo das profundezas de sua alma.
Astor levantou os olhos, e não havia medo ali, apenas uma curiosidade doentia e um brilho de admiração que fez o estômago de Kass revirar de nojo.
"Você sempre foi tão rápido em agir, Kass, tão preso a esse senso de justiça que o Elias te ensinou a ter," Astor respondeu, levantando-se lentamente.
Kass avançou, agarrando Astor pelo colarinho de seda e erguendo-o do chão com uma facilidade que espantou o próprio Astor, apesar de sua arrogância.
"O que você sente por ele não é amor, é uma obsessão doentia que está destruindo tudo o que você toca," Kass sibilou, seus dedos apertando o tecido até os nós de suas mãos ficarem brancos.
Astor soltou uma risada baixa, um som que não possuía qualquer traço de humanidade, enquanto seus olhos fixavam-se nos de Kass com uma intensidade perturbadora.
"E o que você sabe sobre amor, Kass, quando tudo o que você fez foi ser o cão de guarda que ele sempre desejou?" Astor devolveu o desafio, com o rosto a centímetros do de Kass.
Ele começou a confessar, sua voz tornando-se um sussurro carregado de uma amargura que vinha de anos de rejeição e desejo reprimido.
"Eu o observei a vida toda, em cada passo, em cada conquista, esperando que ele olhasse para mim como ele olha para você agora," Astor confessou, as palavras cortando o ar como navalhas.
"Ele é meu irmão, e eu queria que ele fosse meu de todas as formas que a lei e a moral sempre nos impediram de ser," Astor continuou, sem desviar o olhar.
Kass sentiu o horror gelar seu sangue ao compreender que a rivalidade de Astor nunca fora apenas sobre poder, mas sobre uma inveja visceral da posição que Kass ocupava no coração de Elias.
"Você é um monstro, Astor; você não ama o Elias, você quer ser o dono de tudo o que ele é," Kass disse, a repugnância evidente em cada sílaba.
Astor sorriu, um sorriso que revelava a profundidade da sua derrocada emocional e a escuridão que sempre habitara aquele palácio de luxo.
"E você, Kass, você já se perguntou por que ele escolheu logo você, o lutador de rua que veio das sarjetas?" Astor perguntou, suas mãos acariciando o rosto de Kass com uma insolência inaceitável.
Kass não suportou mais aquela contaminação, aquela revelação de que o "anjo" da família não passava de um predador amargurado que tentava destruir o que não podia possuir.
Num movimento explosivo, Kass girou o corpo e lançou Astor contra o enorme espelho dourado que adornava a parede central do quarto.
O som do vidro estilhaçando-se em mil pedaços foi o grito de guerra que finalmente selou o fim da paz na mansão Rosenburg.
Astor caiu entre os cacos, o sangue escorrendo de um corte na testa enquanto ele tentava se recompor, mas o choque da violência de Kass o deixara atordoado.
"Nunca mais diga o nome dele com esse veneno na boca," Kass ordenou, aproximando-se e pisando nos cacos de vidro que cercavam o corpo do irmão de Elias.
Astor olhou para o próprio reflexo distorcido nos pedaços de vidro, uma metáfora perfeita de como a família Rosenburg estava finalmente implodindo.
"Você acha que isso termina aqui, Kass?" Astor perguntou, limpando o sangue com as costas da mão, seus olhos ainda brilhando com uma insanidade crescente.
"Isso termina quando eu decidir que você não é mais uma ameaça para o homem que eu escolhi proteger," Kass afirmou, sua voz agora uma promessa de destruição.
Lá fora, os gritos de Beatriz e o som de vidros quebrados começaram a atrair a atenção dos seguranças, mas ninguém ousou entrar naquele quarto.
A hierarquia da casa Rosenburg estava sendo reescrita com sangue e fragmentos de espelhos, e todos sabiam que o que ocorria ali era o fim de uma era.
Helena apareceu na porta, observando a cena de destruição, e pela primeira vez, Kass viu algo além da frieza em seus olhos: um medo profundo.
Ela percebeu que, ao permitir que a obsessão de Astor chegasse àquele ponto, ela havia garantido que o império que ela tanto protegia estava prestes a arder em chamas.
"Tire-o daqui," Kass ordenou para os seguranças que finalmente haviam se corajosamente aproximado da porta.
Enquanto Astor era arrastado, ele ainda olhava para Kass, seu rosto uma máscara de dor e desejo frustrado, um triângulo que se rompera na forma mais cruel possível.
Kass ficou sozinho por um instante, respirando pesadamente, o silêncio retornando à mansão como uma névoa pesada e sufocante.
Ele sabia que, ao quebrar o irmão de Elias, ele também havia quebrado a única conexão que o CEO tinha com a sua própria infância.
A família Rosenburg não era mais um império, era um campo de batalha, e Kass era o único soldado que restara para segurar a coroa.
Ele voltou para o quarto onde Elias ainda dormia o sono induzido pelo veneno, sentindo que a cada passo, o mundo que ele conhecia desmoronava mais um pouco.
Agora não havia mais retornos, nem desculpas, apenas a verdade nua de que, para eles sobreviverem, o sangue dos Rosenburg precisava ser derramado.
Kass sentou-se ao lado da cama de Elias, segurando sua mão, e o toque quente do CEO foi o único lembrete de que, em meio ao horror e à traição, eles ainda tinham um ao outro.
A história deles não seria escrita com tinta, mas com as cicatrizes que a família deixaria em suas almas, cicatrizes que eles carregariam pelo resto da vida.
O triângulo se rompera, o anjo caíra, e a fera estava prestes a despertar, pronta para exigir o que era seu por direito de sobrevivência e sangue.