localização atual: Novela Mágica 18+ Moderno Romance O Preço da Obsessão Capítulo 10

《O Preço da Obsessão》Capítulo 10

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Capítulo 10:

A mansão Rosenburg nunca pareceu tão silenciosa, um silêncio que carregava o peso de mil segredos e a promessa de um desastre iminente.

Astor caminhava pelos corredores com uma precisão cirúrgica, seus olhos fixos na porta do escritório de Elias, onde a luz ainda indicava que o CEO trabalhava, alheio ao veneno que se aproximava.

Ele tinha visto tudo: a forma como Kass olhava para Elias no corredor, a cumplicidade silenciosa que substituíra o ódio, e a maneira como Elias se permitia ser, pela primeira vez, alguém além de um autômato de poder.

"Eles acham que podem construir um reino sobre as minhas ruínas," Astor murmurou para si mesmo, sua voz não carregava raiva, mas uma frieza aterrorizante.

Em sua mão, ele segurava uma pequena ampola de vidro, um sedativo de ação rápida que, em doses calculadas, poderia apagar o sistema nervoso de um homem forte como Elias.

Ele entrou na cozinha e, com movimentos elegantes, preparou uma taça do vinho predileto de seu irmão, deixando que o líquido carmesim disfarçasse a transparência da substância que ele despejava.

Beatriz, que limpava a prataria nas sombras, viu a cena e sentiu um calafrio percorrer sua espinha, reconhecendo o brilho maníaco nos olhos do rapaz.

"Astor, o que você está fazendo?" ela perguntou, dando um passo à frente, sua voz trêmula de medo pelo que via.

Antes que pudesse avançar, Beatriz sentiu uma mão firme segurar seu braço; era Helena, a advogada da família, cujos olhos não demonstravam qualquer empatia.

"Não se envolva, Beatriz," Helena disse em um tom de comando, sua lealdade ligada estritamente aos números e à estabilidade da empresa que Astor, naquele momento, parecia querer salvar.

"Ele vai matar o próprio irmão, Helena, você não pode permitir isso," a governanta implorou, mas Helena apenas a empurrou delicadamente para trás.

"Elias se tornou uma variável incontrolável, e talvez a mudança de liderança seja o que os acionistas finalmente precisam," Helena respondeu, voltando a observar a cena como se fosse apenas uma reunião de negócios.

Astor não ouviu a discussão; ele caminhou até o escritório e entrou sem bater, encontrando Elias absorto em papéis, a imagem da autoridade absoluta.

"Você parece exausto, irmão," Astor disse, deixando a taça sobre a mesa de mogno com uma suavidade que beirava o carinho.

Elias levantou o olhar, cansado demais para notar o brilho estranho no olhar de Astor, e suspirou, aceitando a oferta como um gesto de trégua.

"Eu preciso mesmo disso," Elias confessou, levando o cálice aos lábios e bebendo o vinho com uma sede que denunciava a exaustão física e mental de seus últimos dias.

Astor observou cada gole, contando os segundos, enquanto Elias sentia o gosto levemente metálico do vinho, mas atribuía aquilo à qualidade da safra.

"Astor, eu estive pensando sobre nós... sobre as coisas que aconteceram," Elias começou a dizer, mas suas palavras começaram a perder a nitidez, arrastando-se pela sala.

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"Não se preocupe com o passado, agora você só precisa descansar," Astor respondeu, segurando o braço de Elias para evitar que ele caísse imediatamente.

Elias tentou focar a visão, sentindo o mundo girar violentamente, suas mãos perdendo a força sobre a mesa e seus dedos soltando a caneta de metal.

"O que... o que você colocou nisso?" Elias tentou articular, mas sua voz não passava de um sopro rouco enquanto ele lutava para manter a consciência.

Astor se inclinou, sussurrando perto do ouvido do irmão, sua voz carregada de uma satisfação predatória: "Apenas um pouco de paz, algo que você nunca soube ter sozinho."

Elias desabou sobre a mesa, o rosto encontrando a superfície fria enquanto sua respiração se tornava profunda e irregular, o corpo finalmente rendido pela droga.

Astor esperou até ter certeza de que o irmão estava inconsciente e, com calma, pegou a ampola vazia que havia preparado, jogando-a no lixo com um desdém estudado.

Ele se afastou do corpo de Elias, sentindo o pulso acelerado, não de culpa, mas da adrenalina de quem acaba de realizar o primeiro movimento de um xeque-mate.

Kass, que subia as escadas naquele exato momento para entregar um relatório a Elias, parou no corredor ao notar a porta do escritório entreaberta.

Ele sentiu um pressentimento terrível, um arrepio que não tinha nada a ver com o clima da mansão, e caminhou mais rápido em direção ao cômodo.

Ao chegar à porta, ele viu Astor se retirando com um sorriso enigmático, e ao olhar para dentro, o horror o paralisou ao encontrar Elias prostrado sobre a mesa.

"Elias!" Kass gritou, correndo para o lado do homem que, há poucas horas, ele havia descoberto ser o seu maior refúgio.

Ele sacudiu Elias pelos ombros, mas não houve resposta, apenas o peso morto de um homem que fora traído por aquele em quem deveria confiar mais.

Kass sentiu o ódio subir pela garganta, um fogo que queimava mais intenso do que qualquer coisa que já sentira pelo CEO quando o odiava.

"Ele fez isso, não foi?" Kass murmurou para si mesmo, olhando para a taça vazia e percebendo a movimentação de Helena no fundo do corredor, observando-o com indiferença.

Ele entendeu, naquele segundo, que não estava lutando apenas contra um irmão invejoso, mas contra todo o sistema de uma família que via pessoas como Elias e ele como meras peças.

Kass pegou o corpo de Elias, sentindo o peso do homem que, em seus braços, era agora tão vulnerável quanto qualquer ser humano, sem o escudo do seu império.

Ele não gritou por ajuda, pois sabia que ninguém naquela mansão moveria um dedo para ajudar o CEO, exceto talvez a governanta que observava de longe, chorando.

"Eu não vou deixar você morrer," Kass sussurrou contra a testa de Elias, sua voz cheia de uma determinação que prometia guerra contra quem quer que tivesse arquitetado aquilo.

Ele carregou Elias nos braços novamente, como fizera no dia da emboscada, mas desta vez, a sensação não era de conquista, era de uma urgência desesperada.

Astor, de seu quarto, ouviu os passos de Kass correndo pelo corredor e sorriu, pois sabia que o desespero do lutador era a prova final de que a manipulação tinha alcançado seu objetivo.

A mansão parecia respirar junto com a traição, e o plano de Astor estava apenas começando a desdobrar-se em uma série de eventos que deixariam Elias sem o trono e Kass sem o protetor.

Naquela noite, a traição interna não foi apenas uma tentativa de homicídio, foi o corte definitivo que separou o mundo antigo dos Rosenburg do que estava por vir.

Kass, no entanto, não sabia que, ao tentar salvar Elias, ele estava caindo exatamente na armadilha que Astor armara: a dependência emocional agora era absoluta.

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