localização atual: Novela Mágica 18+ Moderno Romance O Preço da Obsessão Capítulo 9

《O Preço da Obsessão》Capítulo 9

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Capítulo 9:

O quarto do hospital privativo, instalado dentro da própria mansão Rosenburg, parecia mais uma cela de luxo, iluminada apenas pela luz bruxuleante de um abajur de cabeceira.

Kass despertou sentindo o peso de curativos em suas costelas e o torpor causado pelos analgésicos que ainda circulavam em sua corrente sanguínea.

Elias estava sentado ao lado da cama, não em uma cadeira, mas no próprio colchão, observando Kass com uma intensidade que desnudava suas camadas mais profundas.

O homem que sempre fora feito de gelo e autoridade parecia ter se dissolvido, deixando para trás apenas um ser humano exausto e visivelmente abalado.

"Eu pensei que tinha perdido você," Elias confessou, sua voz soando como um sussurro rouco e carregado de uma angústia que ele nunca permitira que o mundo visse.

Kass estendeu a mão, ignorando a fisgada de dor no peito, e tocou o rosto de Elias, sentindo a barba por fazer e a pele quente sob suas pontas dos dedos.

"Você não me perdeu, Elias; eu estou aqui," Kass respondeu, sentindo a própria voz falhar diante da vulnerabilidade exposta naquele olhar.

Elias fechou os olhos, inclinando-se para frente e repousando a testa contra a mão de Kass, num gesto de rendição que era, ao mesmo tempo, doloroso e belo.

"Eu não sei mais como viver sem saber onde você está ou quem está tentando tirá-lo de mim," Elias admitiu, cada palavra sendo uma confissão de uma dependência quase doentia.

Kass sentiu um calor percorrer sua espinha, uma mistura de medo e o reconhecimento de que, naquele momento, eles eram dois náufragos agarrados ao mesmo destroço.

"Nós dois somos dois monstros criados pela mesma dor, Elias," Kass sussurrou, acariciando os cabelos castanhos do homem que, até pouco tempo, ele jurava odiar.

Elias levantou o rosto, e o que Kass viu foi uma entrega total, uma nudez emocional que não tinha nada a ver com o corpo, mas com a alma que estava sendo exposta ali.

O silêncio do quarto foi quebrado apenas pelo som de suas respirações, que pareciam se sincronizar numa dança lenta e profunda.

Elias se inclinou e beijou Kass, um beijo que não era mais sobre dominação ou raiva, mas sobre uma necessidade visceral de preencher o vazio que os dois carregavam.

A intimidade que se seguiu foi uma troca silenciosa, um reconhecimento de que, naquele vasto e cruel império, eles eram a única coisa real um para o outro.

Eles se despiram de suas armaduras, camada por camada, até que não restasse nada além de dois homens tentando encontrar na pele do outro uma cura para o passado.

Cada toque de Elias era preciso, quase reverente, como se ele estivesse mapeando um tesouro que ele finalmente se permitia possuir sem a necessidade de controle.

Kass respondia com a mesma entrega, deixando que Elias o envolvesse e o protegesse, sentindo-se, pela primeira vez, seguro dentro da própria tempestade.

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A vulnerabilidade nua entre eles era a arma mais poderosa que já haviam empunhado, derrubando os muros que os mantinham separados por tanto tempo.

No auge daquela conexão, quando o mundo parecia ter parado de girar e apenas eles existiam, o telefone celular sobre a mesinha de cabeceira começou a vibrar violentamente.

O som metálico, intrusivo e frio, cortou a atmosfera como uma lâmina, trazendo-os de volta para a realidade cruel daquela mansão.

Elias ignorou o aparelho por um momento, mas a insistência da vibração o forçou a olhar para o visor, onde o nome "Astor" brilhava com uma luz incômoda.

Ele suspirou, o semblante endurecendo novamente enquanto a sombra de seu irmão pairava sobre a intimidade que eles haviam acabado de construir.

"Não atenda," Kass pediu, segurando o braço de Elias, seus olhos suplicantes encontrando os do CEO em um pedido silencioso de permanência.

Elias hesitou, mas a sombra de Astor era longa e, mesmo a quilômetros de distância, ele sabia que o irmão nunca daria trégua.

"Se eu não atender, ele virá até aqui," Elias murmurou, sentindo a mão de Kass apertar seu braço com mais força, o medo de perder aquele momento sendo visível.

Ele atendeu, mas manteve o telefone longe do ouvido, sua voz saindo tão gelada que parecia capaz de congelar o ar do quarto.

"O que você quer, Astor?" Elias perguntou, sem qualquer vestígio da fragilidade que Kass acabara de testemunhar.

Do outro lado da linha, a risada de Astor ecoou, um som desprovido de qualquer calor, soando mais como o grasnar de um corvo observando uma carniça.

"Eu só queria saber se o meu lutador favorito sobreviveu à sua pequena demonstração de heroismo, irmão," Astor disse, a voz cheia de um veneno que não precisava de explicação.

"Ele está bem, e você deve ficar bem longe dele se valoriza a paz que resta entre nós," Elias rebateu, encerrando a chamada sem esperar por uma resposta.

Ele jogou o telefone sobre o sofá do quarto, sentindo-se exausto por ter que lidar com a presença constante de Astor, mesmo quando ele não estava na sala.

Kass puxou Elias para mais perto, querendo que ele esquecesse o mundo, as alianças, os inimigos e o jogo doentio que o irmão de Elias jogava.

"Esqueça-o," Kass disse, sua voz soando como um comando que Elias estava mais do que disposto a obedecer naquela noite.

Elias deitou-se ao lado de Kass, envolvendo-o com seus braços fortes, protegendo-o com seu próprio corpo contra o resto do mundo.

O cheiro de antisséptico do hospital parecia ter sido substituído pelo aroma de cedro que emanava de Elias, um cheiro que para Kass agora significava lar.

Eles dormiram abraçados, o peito de Kass subindo e descendo em sintonia com o de Elias, uma cena de paz absoluta em meio a um cenário de constante traição.

Beatriz, passando pela porta entreaberta, observou a cena por um breve instante, seu rosto revelando uma pontada de algo que poderia ser compaixão ou arrependimento.

Ela sabia que aquela intimidade era um sinal de perigo, pois Astor certamente veria aquele laço como o alvo principal a ser destruído no tabuleiro da família.

Naquela mansão, onde o amor era sinônimo de perigo e a posse era a única forma de lealdade, eles haviam encontrado um refúgio que era tão frágil quanto um copo de cristal.

Kass dormiu sonhando com estradas abertas e a liberdade que Dante prometera, mas Elias, em seu sono, segurava-o como se ele fosse a única coisa que o impedia de cair no abismo.

Eles eram dois monstros, sim, mas naquela noite, escondidos sob as sombras das cortinas, eles eram apenas dois homens tentando sobreviver à própria necessidade de existir um no outro.

A manhã chegaria, e com ela, o veneno de Astor e a tirania do império Rosenburg, mas, por enquanto, o silêncio era a única moeda que importava.

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