localização atual: Novela Mágica 18+ Moderno Romance O Preço da Obsessão Capítulo 2

《O Preço da Obsessão》Capítulo 2

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Capítulo 2:

A mesa de bilhar ainda mantinha o eco da tensão da noite anterior, mas, para Kass, o salão de jogos era apenas o prelúdio para o verdadeiro campo de batalha: a academia privativa dos Rosenburg.

O ar naquele subsolo da mansão era rarefeito, carregado com o cheiro metálico de ferro, suor e uma eletricidade estática que fazia os pelos dos braços se eriçarem.

Elias já estava lá quando Kass entrou, sem a jaqueta surrada, vestindo apenas uma regata preta que desenhava cada músculo tenso de seu torso.

O CEO não praticava boxe como um desportista; ele golpeava o saco de pancadas com uma frieza mecânica, como se tentasse destruir algo invisível dentro de si mesmo.

"Atrasado," Elias comentou sem desviar o olhar do impacto, o som dos socos ressoando como disparos de arma de fogo no ambiente confinado.

"Eu não me lembro de termos marcado um horário," Kass respondeu, desamarrando as botas e sentindo o peso do ambiente pesar em seus ombros.

Elias parou, respirando de forma controlada, e virou-se lentamente, limpando o suor da testa com uma toalha de tecido nobre.

"Nesta casa, o tempo pertence a quem paga por ele," Elias disse, caminhando em direção ao centro do ringue improvisado.

"E se você quer ser mais do que um simples peão de segurança, vai precisar aprender a se mover como um deles," ele acrescentou, indicando com o queixo o par de luvas sobre o tablado.

Kass vestiu as luvas em silêncio, sentindo o couro apertar suas mãos como se o estivessem preparando para um sacrifício.

Do canto do salão, quase invisível sob a luz fraca das lâmpadas industriais, Beatriz limpava um suporte de pesos, seus movimentos eram metódicos e silenciosos.

Ela não olhava diretamente para eles, mas seus ouvidos estavam atentos a cada ofego e a cada palavra sussurrada entre os dois homens.

Beatriz viu Astor aparecer na entrada da academia, encostado no batente da porta, observando o irmão e o lutador com uma intensidade que beirava a adoração distorcida.

"Ele é um espécime fascinante, não é, Elias?" Astor comentou, a voz saindo alta o suficiente para ecoar pelas paredes de concreto.

Elias ignorou o irmão, fixando os olhos em Kass, que agora se posicionava em guarda no centro do tablado.

"Esqueça o mundo lá fora," Elias ordenou, movendo-se com uma rapidez felina que desmentia sua postura habitualmente rígida de homem de negócios.

O primeiro golpe de Elias veio como um chicote, um direto de direita que Kass bloqueou por pura instinto de sobrevivência.

Kass contra-atacou com um cruzado que Elias desviou com um movimento mínimo da cabeça, mantendo uma distância que era um insulto ao lutador.

"Você é lento," Elias provocou, a voz desprovida de qualquer emoção enquanto continuava sua sequência de ataques calculados.

"E você é previsível," Kass devolveu, disparando uma rajada de socos que forçaram Elias a recuar para as cordas do ringue.

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O contato físico era violento, uma troca de golpes onde a raiva acumulada encontrava um canal legítimo para explodir.

Cada vez que seus corpos colidiam, o atrito gerava algo que não era apenas hostilidade; havia uma atração física brutal, um magnetismo perigoso nascido da dominação.

Astor, da porta, mordeu o lábio inferior, observando como Elias parecia mais vivo naquele ringue do que em qualquer reunião de diretoria.

Beatriz anotou mentalmente: a obsessão de Astor não era apenas pelo irmão, era pela forma como Elias se tornava vulnerável ao perder o controle diante daquele estranho.

Kass, sentindo a proximidade de Elias, tentou um golpe baixo, mas o CEO foi mais rápido, envolvendo o lutador em um abraço de ferro.

Eles se chocaram contra o saco de pancadas e, em seguida, contra a parede fria da academia, o impacto fazendo o concreto vibrar.

Elias imobilizou Kass contra a parede, prendendo o braço do lutador com uma pressão que cortava a circulação, seu rosto a milímetros do rosto de Kass.

O ar entre eles tornou-se irrespirável, denso com o calor do suor e a fúria que, por um instante, pareceu vacilar para algo mais denso e confuso.

"Eu mandei você ser o meu braço, não a minha sombra," Elias sibilou, sua respiração batendo contra os lábios de Kass.

"E eu não sou um cão que obedece apenas porque você manda," Kass murmurou, encarando Elias com uma insolência que faria qualquer outro homem ser demitido ou destruído.

Eles ficaram ali, travados naquela posição de dominação e desafio, os peitos arfando em uníssono, o mundo exterior esquecido.

Kass percebeu que, por trás da fachada de "Rei", Elias estava desesperado por alguém que não tivesse medo da sua crueldade.

"Você tem fogo, Kass," Elias disse, uma nota de algo irreconhecível em sua voz, enquanto afrouxava a pressão, mas não recuava.

"Cuidado para não se queimar," Kass respondeu, mantendo o contato visual e sustentando o peso do homem contra si.

Astor afastou-se da porta, sentindo um ciúme visceral queimar-lhe as entranhas, um ácido que ele aprendera a saborear ao longo dos anos.

Beatriz guardou o pano, sua mente já desenhando o mapa daquela dinâmica doentia: Elias estava viciado no conflito, e Kass estava virando a sua droga preferida.

Elias soltou Kass, mas manteve a mão pousada no ombro dele, uma demonstração de posse que era, ao mesmo tempo, um aviso e um convite.

"Amanhã, às seis," Elias ordenou, recuperando a compostura como se estivesse fechando um contrato de milhões.

"Eu estarei aqui," Kass confirmou, limpando o sangue que escorria pelo canto da boca com as costas da mão, sentindo a marca da mão de Elias em seu ombro.

Enquanto caminhava para o vestiário, Kass sentiu que Elias o observava através do espelho grande que cobria uma das paredes da academia.

Ele podia sentir aquele olhar, pesado e predatório, rastreando cada centímetro de seu corpo, avaliando não mais o lutador, mas o homem.

Beatriz, passando por Kass no corredor, sussurrou sem olhar para ele: "A mansão tem ouvidos, lutador; não confie nem na sua própria respiração."

Kass parou, mas não se virou, compreendendo que estava entrando em um jogo onde as peças não apenas se moviam, elas se devoravam umas às outras.

Elias continuou parado no centro da academia, o silêncio retornando para engolir o local, sua mente voltando-se para a cicatriz no próprio pulso e para a nova variável no seu império.

Ele não era um homem de erros, mas, ao trazer Kass, ele sabia que havia aberto a porta para algo que nem mesmo todo o seu dinheiro poderia controlar.

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