《O Senhor Intocável: O Trono do Fantasma》Capítulo 9

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Capítulo 9:

A calmaria após a tempestade no terraço foi abruptamente estilhaçada por uma sirene de frequência audível apenas para aqueles que possuíam uma conexão digital. Silas, ainda fundido ao calor de Alaric, estremeceu, seus olhos azul-gelo arregalando-se com a precisão de um sensor que detecta o fim iminente.

"Eles ativaram o protocolo de apagamento total", Silas comunicou, sua voz falhando enquanto estática começava a obscurecer a clareza de sua forma.

"A Formatação não quer mais me capturar, Alaric, eles querem deletar toda a infraestrutura desta cidade para garantir que eu morra com ela."

Alaric sentiu o terreno sob seus pés tremer enquanto a base de operações da organização, oculta no coração industrial da metrópole, iniciava a sequência de destruição.

Ele não hesitou, sua decisão consolidada na mesma velocidade que seu coração batia, uma batida que agora pertencia a ambos.

"Nós não vamos morrer hoje, e eles não vão tirar você de mim", Alaric rugiu, a voz carregada de uma fúria que fez o ar ao seu redor crepitar.

Eles se moveram como um borrão de sombra e luz, descendo das ruínas do prédio até o laboratório subterrâneo onde a singularidade que prendia Silas à existência física era mantida.

Cada passo era uma corrida contra o tempo, com a cidade desmoronando em torno deles em um colapso digital sistemático.

Ao chegarem ao núcleo da instalação, foram recebidos por um campo eletromagnético de intensidade insuportável, projetado para desintegrar qualquer forma de vida orgânica.

O ar estava saturado de faíscas que dançavam como demônios, prontas para incinerar a pele de Alaric no momento em que ele cruzasse o limiar.

"Não tente atravessar essa frequência", Silas implorou, sua essência tremendo enquanto a proximidade do núcleo ameaçava forçar sua desconexão. "Você vai ter seus órgãos internos cozidos pelo campo magnético."

Alaric ignorou o aviso, seus instintos de lobo assumindo o controle total sobre a dor que começava a perfurar sua carne como agulhas quentes.

Ele entrou no campo, um rugido de dor escapando de sua garganta enquanto cada célula de seu corpo era atacada pela eletricidade.

"Eu prefiro ser reduzido a cinzas a ver você desaparecer", Alaric retrucou, avançando contra a barreira invisível que empurrava seu corpo para trás com a força de um furacão.

Dentro do laboratório, os cientistas da Formatação observavam o monitor de sinais vitais, confusos pela leitura que mostrava um nível de adrenalina impossível para um ser vivo.

Eles não conseguiam entender a natureza daquela ligação, a força que impulsionava um Alpha a se auto-destruir pela sobrevivência de um Ghost.

Alaric avançou mais um metro, sua visão escurecendo nas bordas enquanto a sobrecarga de energia começava a afetar seu cérebro.

Ele sentiu o cheiro de sua própria pele queimando, mas sua mente estava focada inteiramente em Silas, que brilhava cada vez menos ao seu lado.

"Pare, Alaric, você está se sacrificando inutilmente", Silas choramingou, sua mão prateada tentando segurar o braço de Alaric, embora ele mesmo estivesse perdendo a solidez.

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"Isto não é inútil se for para salvar o que me faz sentir humano", Alaric respondeu, fechando os punhos e concentrando toda a sua força vital para criar um escudo ao redor de Silas.

Uma das torres de defesa da Formatação travou a mira no Alpha, liberando um feixe de laser de alta concentração de energia. O disparo atingiu Alaric no tronco, atravessando sua musculatura como se ela não fosse nada além de papel molhado.

O impacto arremessou Alaric contra uma coluna de metal, fazendo-o tossir uma quantidade assustadora de sangue vital no chão do laboratório. Ele caiu, o ferimento fumegante, mas não soltou o campo de proteção que envolvia a essência vacilante do Ghost.

"Veja o que você fez!", Silas gritou para os cientistas, sua voz soando como um estrondo de trovão que quebrou as vidraças do laboratório. "Você não tem ideia do que acabou de despertar!"

Os cientistas recuaram, o terror estampando seus rostos ao verem o Alpha se levantar, apesar da lacuna em seu corpo que deveria ter sido fatal.

O sangue de Alaric, espalhado pelo chão, começou a brilhar com uma luz âmbar, conectando-se ao sistema de rede do laboratório e infectando o código deles com sua própria fúria.

"Eles não vão tocar em você, Silas", Alaric sussurrou, a voz enfraquecida pela hemorragia, mas carregada de uma promessa que não admitia falhas.

A violência épica do confronto atingiu o seu clímax quando Alaric, ignorando a perda de sangue, saltou sobre o console principal. Ele mergulhou as mãos nas conexões de alta voltagem, não para hackear, mas para fundir sua própria biologia ao núcleo do sistema.

O choque foi devastador, uma descarga elétrica que iluminou todo o laboratório como uma estrela moribunda.

Alaric sentiu seu coração parar por um breve segundo, a dor absoluta sendo substituída por um vazio frio, mas ele manteve o contato, forçando seu sangue a fluir para dentro do sistema da Formatação.

"Você está louco", Silas murmurou, seus olhos fixos na determinação suicida de Alaric enquanto sua forma se estabilizava, nutrida pelo sacrifício do Alpha. "Você vai se apagar junto com eles."

"Se eu for o preço para a sua existência real, então é um negócio que eu aceitaria mil vezes", Alaric respondeu, enquanto o sangue continuava a alimentar a rede, sobrecarregando os computadores da organização.

As máquinas ao redor começaram a explodir, uma após a outra, em uma cascata de destruição que forçou os cientistas a abandonarem o posto.

O campo eletromagnético enfraqueceu drasticamente, e Silas sentiu sua forma ganhar uma solidez que ele nunca experimentara antes.

Ele se aproximou de Alaric, que estava encostado na parede, a respiração vindo em curtos intervalos enquanto a vida escapava através do ferimento aberto.

Silas segurou o rosto do Alpha com as duas mãos, seu toque agora quente e carregado de uma humanidade que ele roubara do próprio sacrifício de Alaric.

"Você é o rei mais estúpido que já existiu", Silas disse, sua voz embargada por uma emoção que ele não sabia nomear.

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Alaric sorriu, embora o sangue manchasse seus dentes, um sorriso de vitória que desafiava a própria morte. Ele olhou para o ferimento no próprio peito e depois para o Ghost, que agora parecia tão real quanto ele mesmo.

"Eu prefiro ser um rei estúpido ao seu lado do que um deus sozinho em um trono de silício", Alaric sussurrou, sentindo a escuridão fechar o cerco.

O laboratório estava um caos de fumaça e destroços, a Formatação derrotada e humilhada pelo Alpha que se recusara a cair.

Silas ficou ali, segurando a vida de Alaric em suas mãos, sabendo que o próximo passo exigiria algo ainda mais terrível do que a batalha que acabaram de vencer.

Ele olhou para a saída, sabendo que as forças da organização não iriam parar, que aquela era apenas a primeira vitória em uma guerra que não teria fim. Silas preparou-se para carregar o corpo de seu parceiro, sentindo pela primeira vez o peso da responsabilidade e o medo de uma perda real.

A energia ainda pulsava no ar, uma lembrança do eletromagnetismo que quase os destruíra. Alaric permaneceu lúcido por mais um momento, seus olhos âmbar fixos no brilho azul de Silas, uma conexão inquebrável mesmo sob o trauma da hemorragia.

Eles eram o desespero e a fúria unidos em uma cena de destruição que mudaria a história daquela metrópole para sempre.

O sangue vital de Alaric alimentava o sistema, e a existência de Silas alimentava a esperança de Alaric, um ciclo que agora dependia da sobrevivência de ambos para continuar.

"Ainda não acabou", Silas avisou, sua voz firme enquanto ele preparava a saída.

Alaric balançou a cabeça negativamente, a fraqueza vencendo o esforço físico, mas a determinação ainda brilhando em seu olhar. Ele estava pronto para enfrentar a próxima etapa, não importava quão brutal fosse, contanto que Silas estivesse lá para testemunhar sua queda ou sua ascensão.

O silêncio finalmente caiu sobre o laboratório destruído, apenas o som da ventilação de emergência indicando que eles ainda estavam no mundo dos vivos.

A Formatação tinha ativado o apagamento, mas o que eles conseguiram foi apenas despertar o monstro que eles mesmos haviam criado.

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