《O Senhor Intocável: O Trono do Fantasma》Capítulo 5

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Capítulo 5:

O calor humano que Alaric emanava tornara-se a única coisa que impedia Silas de se dissipar no ar viciado daquele bunker hermético. A barreira de proteção de Silas falhava constantemente, transformando partes de seus braços e ombros em faíscas de código digital.

Alaric observava o Ghost com uma mistura de fascínio e dor, sentindo cada centelha daquela falha como um corte em sua própria pele. Ele sabia que o poder bruto de um Alpha não era suficiente para sustentar uma existência que não pertencia ao plano físico.

"Sua essência está morrendo novamente", Alaric disse, sua voz ressoando com uma autoridade que tentava esconder o desespero crescente em seu peito. "O calor do meu corpo não é o combustível que você precisa agora."

Silas oscilou, sua forma prateada tremendo intensamente enquanto ele tentava se manter sólido no centro da sala. Seus olhos, antes gélidos, agora mostravam uma fadiga extrema, como se a própria estrutura de sua existência estivesse se esfacelando.

"Eu preciso de algo que tenha uma conexão direta com a sua força vital", Silas respondeu, a voz fraca e carregada de uma hesitação que ele jamais demonstrara antes.

"O sangue de um Alpha puro é a única âncora capaz de segurar a minha alma no mundo real."

Alaric não perdeu tempo com questionamentos ou dilemas morais que pudessem ser interpretados como fraqueza. Ele deu um passo decisivo em direção a Silas, os olhos âmbar brilhando com uma resolução que beirava a insanidade.

"Então tome o que você precisa", Alaric afirmou, estendendo o braço e expondo o pulso onde as veias pulsavam com o sangue denso e quente de um rei lobo.

Silas hesitou, olhando para o pulso exposto com uma fome que não tinha nada a ver com a sobrevivência biológica.

Aquela era uma entrega absoluta, um ato de rendição que colocava a vida de um Alpha à mercê de um fantasma.

"Você sabe que o sangue lupino é um veneno para entidades digitais?", Silas perguntou, a voz quase um sussurro que parecia ser carregado pelo vento. "Ele pode me manter sólido, mas vai consumir cada centímetro da minha lógica em troca de uma sensação de vida."

"Eu não me importo com o preço", Alaric retrucou, aproximando o pulso dos lábios do Ghost. "Eu apenas preciso que você permaneça ao meu alcance."

Silas cedeu à necessidade, movendo-se com uma lentidão predatória até que seus lábios pálidos roçaram a pele quente de Alaric.

No momento em que os dentes de Silas perfuraram a pele do Alpha, um choque elétrico percorreu o corpo de ambos, criando um curto-circuito no ar do bunker.

O sangue de Alaric começou a fluir, denso e carregado com a energia indomável da alcateia, entrando no sistema inexistente de Silas.

O Ghost soltou um som que era metade suspiro e metade um gemido, uma expressão de prazer e dor que Alaric nunca ouvira antes.

"É intenso demais", Silas murmurou contra a pele de Alaric, sua forma começando a ganhar uma densidade que parecia pesar como o mármore.

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Alaric sentiu a drenagem como um ritual íntimo, uma conexão tão profunda que ele conseguia sentir os pensamentos de Silas se misturando aos seus próprios.

O sangue, infundido com o veneno lupino, corria pela essência de Silas, alterando a cor de suas pupilas.

"Continue", Alaric ordenou, sua voz falhando enquanto ele sentia a força vital ser sugada, mas o prazer de ser necessário superava qualquer perigo.

"Não pare até que você possa sentir o meu coração bater."

O bunker parecia diminuir ao redor deles, transformando-se em um espaço fechado onde a luxúria era um subproduto inevitável daquela troca sangrenta.

Silas, agora visivelmente mais sólido, segurou o braço de Alaric com dedos que tinham ganhado a temperatura da carne viva.

"Eu sinto você", Silas disse, seus olhos azul-gelo fixos nos de Alaric com uma intensidade assustadora.

"Eu sinto o seu lobo, o seu medo, e a sua necessidade de me possuir de uma forma que vai além do físico."

Alaric sentiu o veneno de seu próprio sangue, agora circulando nas veias digitais de Silas, tornar-se uma droga que entorpecia seus sentidos.

Era uma luxúria que ambos negavam sentir, uma atração proibida que encontrava no sangue o único idioma que podiam falar sem defesas.

"Você é uma ilusão que se tornou minha única realidade", Alaric afirmou, aproximando-se ainda mais até que seus corpos estivessem colados.

Silas não se afastou, deixando que a sede de sangue se transformasse em uma sede de conexão que desafiava sua natureza de Ghost. Eles estavam presos em um ciclo de prazer doloroso, onde a perda de sangue de um era o renascimento do outro.

"Por que você se entrega tão facilmente a mim?", Silas perguntou entre um gole e outro, sua voz agora carregada de um desejo que ele lutava para compreender.

"Porque ninguém na história deste mundo foi capaz de me fazer sentir tão poderoso e, ao mesmo tempo, tão vulnerável", Alaric admitiu, a voz embargada por uma emoção crua.

O ritual continuou em um ritmo lento, cada batimento cardíaco de Alaric sendo sentido como um trovão pela entidade que o absorvia.

Silas, sentindo a plenitude daquele sangue, permitiu-se sentir a temperatura do Alpha, o cheiro de madeira, terra e poder bruto.

A luxúria que emanava daquele ato não era apenas sobre o sangue; era sobre a entrega de dois seres que tinham passado a vida inteira sozinhos no topo de seus mundos.

Eles eram predadores, eram deuses em seus próprios reinos, mas ali, naquela troca, eram apenas dois sobreviventes encontrando refúgio na agonia do outro.

"Chega", Alaric sussurrou, sentindo que se continuasse por mais um minuto, ele perderia a própria essência para o Ghost.

Silas afastou-se relutante, seus lábios manchados de um vermelho vibrante que contrastava com a palidez absoluta de seu rosto. Seus olhos, agora de um azul-gelo intensamente luminoso, refletiam uma consciência que estava começando a despertar.

Ele estava sólido, ele estava quente, ele era uma presença que ocupava o bunker como se tivesse nascido ali. Silas olhou para suas próprias mãos, sentindo a pele, sentindo o peso do mundo real que Alaric havia lhe entregado através daquele pacto sangrento.

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Alaric fechou o ferimento com uma pressão suave de seus dedos, a pele cicatrizando sob seu toque com a rapidez característica de um lobo. Ele olhou para Silas, vendo a transformação na postura do Ghost, que agora se portava com uma confiança que ele não possuía antes.

"Como você se sente?", Alaric perguntou, mantendo uma distância segura, embora seu corpo clamasse para avançar.

"Eu me sinto como se estivesse acordando de um sono de cem anos e descobrindo que o mundo é muito mais insuportável do que eu lembrava", Silas respondeu, sua voz mantendo uma nota de provocação, mas agora carregada de algo novo.

"O sangue lupino não foi feito para acalmar as suas dúvidas", Alaric observou, sentindo a pulsação ainda acelerada em seu braço.

"Não", Silas concordou, dando um passo em direção a Alaric enquanto a luz azul de seus olhos parecia penetrar as intenções do Alpha.

"Ele foi feito para despertar o predador que você estava tentando esconder de mim."

O ambiente ao redor deles parecia carregar o peso do que acabara de acontecer, uma marca que nunca poderia ser apagada.

Alaric sabia que, ao oferecer seu sangue, ele tinha aberto uma porta que não poderia ser fechada, um elo que agora os mantinha acorrentados um ao outro.

"Nós não vamos sobreviver a esse vício por muito tempo", Alaric murmurou, ciente de que a luxúria sentida era apenas a superfície de um poço sem fundo.

"Sobrevivência nunca foi o objetivo do que temos", Silas retrucou, aproximando-se o suficiente para que o Alpha pudesse sentir o rastro de seu próprio sangue nas palavras do Ghost.

Eles estavam em silêncio, dois seres unidos por um ritual primitivo que desafiava todas as leis da ciência e da magia. Alaric observou Silas, o Ghost agora uma figura de carne e osso, uma obra de arte que ele havia criado com o seu próprio sacrifício.

A caçada tinha mudado de curso, e agora eles eram caçador e presa, parceiros e inimigos, tudo em um só lugar. O vício no sangue era apenas o começo, uma promessa de que o que quer que viesse a seguir seria, acima de tudo, devastador para ambos.

O bunker parecia pequeno demais para a voltagem que emanava de seus corpos, cada célula de Alaric sentindo a falta do contato que o sangue permitia.

Silas estava lá, presente, real, e por trás de sua fachada cruel, havia uma faísca de algo que parecia gratidão ou talvez, apenas mais uma forma de sede.

Eles sabiam que, no momento em que saíssem daquele bunker, o mundo os cobraria por aquela união, mas naquele momento, nada mais importava.

O sangue tinha mantido Silas vivo, e em troca, o Ghost tinha dado a Alaric uma razão para, pela primeira vez em séculos, sentir o medo de perder alguém.

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