Ela ficou chocada ao ouvir aquilo.
Até o dia em que a aula terminou.
O clima de verão mudou rapidamente; onde antes havia céu limpo, começou a cair uma tempestade.
Ao descer, ela percebeu que o motorista da família havia pedido folga.
Ela ficou sob o beiral, olhou para o aplicativo de transporte sem sucesso e, respirando fundo, preparou-se para correr na chuva.
No segundo seguinte, o som de freios soou à sua frente.
Um Bentley cinza-prateado parou abruptamente diante dela.
Capítulo 17
A janela baixou lentamente, revelando o rosto de traços marcantes do professor.
Ela hesitou por um segundo e chamou-o instintivamente:
"Professor."
"Entre."
Vendo o céu escurecer, ela não recusou, abriu a porta e sentou-se.
Durante o percurso, houve um silêncio constante.
O aroma amadeirado vindo dele trazia uma estranha sensação de tranquilidade.
Sem perceber, ela adormeceu.
Quando acordou, o carro já estava estacionado diante da mansão.
Ela olhou o telefone e notou que haviam se passado três horas.
"Desculpe, professor, não sabia que dormiria tanto."
Ele apertou os lábios e, ao ver os cabelos dela bagunçados, um leve sorriso surgiu.
"Sem problemas, eu não tinha compromissos para esta noite."
Ela suspirou aliviada e preparou-se para descer.
Inesperadamente, ele desceu junto, notando a dúvida nos olhos dela.
Ele explicou de forma casual:
"Faz tempo que não vejo seu tio, aproveitarei para fazer uma visita."
Ela não suspeitou de nada, entrou na casa, cumprimentou o tio apressadamente e subiu para descansar.
Já tarde da noite, ao ouvir o motor de um carro partir, ela desceu à cozinha para buscar algo para comer.
"Sobrinha."
O tio, sentado no sofá, chamou-a.
"Você e aquele rapaz... são muito próximos?"
Ela hesitou e balançou a cabeça:
"Ele é meu professor substituto, não somos próximos."
"Não são próximos?"
O tio riu e disse suavemente:
"Então por que ele quer se casar com você?"
A frase foi como um trovão.
Ela ficou paralisada por um longo tempo.
"Como seria possível? Há tantas garotas na cidade que gostam dele, por que ele olharia para mim? Além disso, não temos convivência."
O tio tomou um gole de chá, o olhar sombrio.
"Aquele rapaz nasceu obstinado; nunca o vi se curvar para ninguém."
"Hoje, ouvindo rumores de que eu arranjaria um casamento para você, ele pediu que eu o considerasse."
Naquela noite, após ouvir o tio, ela não conseguiu dormir.
No dia seguinte, ao terminar a aula, ele olhou na direção dela e anunciou:
"Minha aula termina aqui; outro professor os substituirá."
A multidão ficou agitada, mas ela permaneceu em silêncio.
Lembrando-se do olhar que ele lhe lançou, sentiu um estranho tremor no peito.
Logo, a sala esvaziou.
Ela saiu lentamente e encontrou o professor à porta.
"Professor..."
Com um calor incomum nos olhos acinzentados, ele tomou a iniciativa:
"Não precisa mais me chamar de professor; apenas pelo meu nome."
Ela não conseguia encará-lo e apenas acenou rigidamente.
Ele hesitou por um momento e perguntou:
"Tem tempo para jantar comigo?"
Meia hora depois, já sentada no restaurante, ela percebeu que algo estava estranho.
Ele, notando o desconforto dela, sorriu:
"É ruim jantar comigo?"
"Não."
Ela apenas se sentia estranha.
Ele observou-a e largou os talheres:
"Se não é o jantar, então sou eu que a deixo desconfortável?"
"Eu realmente não tenho nenhuma chance? Nem de ser o seu plano B?"
Ela corou instantaneamente.
"Professor... não, pelo nome, mal nos conhecemos, não é cedo demais para isso?"
Ele riu ao ver o rosto dela em brasa e não a pressionou mais.
Capítulo 18
Bruno percorreu quase toda a cidade de Xangai antes de conseguir informações sobre Elena.
Após muitos percalços, ele finalmente conseguiu ver a pessoa por quem tanto ansiava.
Mas, antes que pudesse se alegrar, seu olhar desviou-se e avistou, no restaurante, outro homem sentado à frente dela.
Bruno franziu a testa, e sua respiração tornou-se pesada sem que ele percebesse.
Ele conteve a raiva, caminhou rapidamente até a mesa, puxou o pulso de
Elena e encarou Shen Kuo com os olhos vermelhos de ódio.
"Elena, quem é ele!"
Elena ficou surpresa por um instante, mas logo sua expressão tornou-se fria; ela soltou-se do aperto com força e repreendeu friamente.
"Sr. Huo, você tem uma família, por favor, tenha amor-próprio."
"Eu não sou..."
Bruno sentiu a respiração travar, e seu rosto exibiu uma mistura de culpa e desamparo.
"Eu sou Bruno. Elena, agora eu só tenho você, não há mais ninguém."
Elena riu, como se tivesse acabado de ouvir uma piada.
"Bruno, você não acha engraçado dizer isso?"
"Quem foi que jurou ser o Sr. Huo? Quem disse que eu não passava de uma estranha? E quem foi que me empurrou pessoalmente para aquele camarote? Você não tem consciência disso?"
O rosto de Bruno perdeu toda a cor.
Ele tentou abrir a boca para se explicar, mas qualquer tentativa parecia pálida e impotente.
"Elena, naquela época eu estava cego. Mas eu tinha deixado avisado que não era para te tocarem; foi Bianca quem, pelas minhas costas, ordenou que não te salvassem. Eu realmente não sabia de nada disso."
Elena recuou alguns passos, sentindo apenas desprezo.
"Bruno, para quem você está fazendo essa cena nojenta de quem não tem culpa?"
"As calças não caem sozinhas, ninguém pode te obrigar a trair, muito menos o fato de que, se não fosse pela sua condescendência, Bianca teria tido tamanha audácia?"
A expressão de Bruno tornou-se visivelmente derrotada, e ele ficou em silêncio.
O ar permaneceu quieto por um longo tempo, até o momento em que Elena estava prestes a se virar para ir embora.
Bruno baixou a cabeça, derrotado, com a voz embargada por um soluço indescritível.
"Será que... realmente não há nenhuma possibilidade, Elena? Nós estivemos juntos por dez anos..."
"Bruno."
Elena olhou para trás calmamente, sem ressentimento ou questionamentos, restando apenas uma tranquilidade absoluta.
"Quando você estava se envolvendo com Bianca, você pensou nos nossos dez anos de relacionamento?"
A curta frase parecia dizer tudo.
Bruno engoliu em seco, com lágrimas surgindo nos cantos de seus olhos.
No segundo seguinte, ouviu-se um baque seco —
O som dos joelhos atingindo o chão foi abafado, mas não causou a menor comoção no coração de Elena.
Elena foi embora primeiro, enquanto Shen Kuo permaneceu no local por um tempo.
Ele olhou de cima para o homem ajoelhado, entregou-lhe um cartão de visitas e esboçou um leve sorriso.
"Sr. Bruno, é isso? Talvez ainda nos falemos no futuro, guarde-o."
Bruno encarou-o com ódio, palavra por palavra.
"O que você quer dizer?!"
Shen Kuo lançou-lhe um olhar indiferente e riu.
"Naturalmente, é um convite para o meu casamento com Elena."
"Afinal, se o Sr. Bruno não tivesse sido tão impiedoso, Elena não teria partido de forma tão decidida. Como eu poderia desperdiçar a oportunidade que você mesmo me entregou?"
Os olhos de Bruno ficaram vermelhos de fúria; ele avançou como uma fera enfurecida para golpear Shen Kuo.
No entanto, os guarda-costas o imobilizaram antes que pudesse atingi-lo.
Ele só pôde assistir enquanto aquela figura familiar se tornava cada vez menor, até desaparecer completamente de sua visão.
A mão que Bruno estendera caiu inerte, enquanto lágrimas escorriam por seu rosto.
Nesse momento, ele finalmente entendeu.
Que nem todas as despedidas têm sinais prévios, e nem todo arrependimento pode trazer algo de volta.
Ele cometeu muitos erros na vida, sempre pensando que havia tempo, que sempre haveria uma chance de reparar.
Mas ele esqueceu que existe uma dor chamada "perder o amor para sempre".
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Fim da obra