O frio no olhar de Bruno diminuiu bastante.
"Não se preocupe, ela ficará bem."
Bianca fechou as mãos com força, suprimindo o ódio em seus olhos. Ela se aproximou dele, colando o corpo no seu, enquanto suas pontas dos dedos deslizavam suavemente pelo peito dele.
"Amor, já que o bebê se foi, que tal tentarmos outro?"
Dito isso, ela ficou na ponta dos pés para beijá-lo.
No segundo seguinte, porém, o beijo não aconteceu.
Bruno levantou a mão e pressionou os ombros dela, com um brilho antinatural nos olhos.
"O bebê acabou de partir, seu corpo ainda não se recuperou. Teremos muito tempo depois, não há pressa agora."
Afinal, só ele sabia que a gravidez de Bianca tinha sido apenas um acidente; ele nunca pensou em tê-la como mãe de seus filhos.
Em seu plano de vida original, ele teria vários filhos com Elena antes dos trinta anos.
Estar com Bianca nesses anos era apenas por uma novidade passageira.
Seus herdeiros só poderiam vir do ventre de Elena; é uma pena que aqueles três filhos tenham falecido em um acidente...
Quando soube que Bianca estava grávida, ele originalmente não queria a criança.
Mas, em uma visita ocasional a um templo para orar pelos três filhos falecidos, um monge lhe deu alguns conselhos.
Manter aquela criança foi apenas uma forma de rezar pelo bem-estar dos outros três.
Bianca, ao ouvir aquilo, ficou ansiosa na hora.
"Amor, o que você quer dizer? Você está me rejeitando —"
"Bianca."
Bruno a interrompeu e olhou diretamente para ela.
"No próximo mês, vou te mandar para o exterior. E, no futuro, é melhor que você não volte."
Capítulo 11
"Para o exterior?"
A respiração de Bianca parou e ela o encarou com incredulidade.
"Você quer me mandar embora? Amor, você não prometeu que ficaríamos sempre juntos —"
"Você acredita no que um homem diz na cama?"
Bruno soltou um leve riso, com um sorriso debochado no rosto.
O nariz de Bianca ficou vermelho e, num instante, algumas lágrimas rolaram.
"Amor, como você pode dizer isso?"
Ela agarrou a mão dele desesperadamente, com a voz suplicante.
"Será que fiz algo errado que te irritou? Me conta, eu mudo, por favor, não me manda embora!"
Bruno observou-a em silêncio por um momento, passando a ponta dos dedos calejados pelo rosto dela.
No momento em que Bianca achou que ele iria amolecer.
O homem à sua frente recolheu a mão abruptamente, o sorriso em seu rosto desapareceu completamente, restando apenas um olhar de julgamento e análise de quem está no poder.
"Bianca, não me diga que você realmente não sabia?"
Seus olhos afiados perfuraram os dela, como se pudessem ver todos os seus pensamentos secretos e obscuros.
Bianca sentiu um nó na garganta, e sua expressão vacilou.
Mas logo ela escondeu o pânico e fingiu inocência.
"Do que você está falando? Eu... eu não entendo."
Bruno não olhou mais para ela, apenas apagou lentamente a ponta do cigarro que quase queimava seus dedos.
Em seguida, inclinou-se para perto dela, com um sorriso divertido nos lábios.
"Você já não sabia há muito tempo que eu tenho esposa?"
Um zumbido soou nos ouvidos de Bianca; ela mal podia acreditar que ele tinha dito isso diretamente.
Depois de muito tempo, ela se recuperou do choque, cobriu o peito e tremeu a voz, fingindo descrença.
"Bruno, o que você quer dizer com isso? Se você tem esposa, então o que eu sou?"
Ela chorou com os olhos avermelhados, como se realmente fosse ignorante.
"Eu te acompanhei por tantos anos, perdi um filho seu na semana passada, é assim que você me trata?"
Os olhos semicerrados de Bruno revelaram uma pitada de impaciência; ele afastou com força a mão dela que o segurava.
"Bianca, eu gosto de mulheres puras, mas quando a encenação passa do ponto, perde a graça."
Ele a olhou com desprezo, sorrindo de forma leviana.
"Não se esqueça, como nós começamos?"
O choro de Bianca parou abruptamente, e um brilho de desvio surgiu em seus olhos.
"Não entendo o que você quer dizer. De qualquer forma, no começo... foi você quem veio atrás de mim por vontade própria."
"Eu por vontade própria?"
Bruno parecia ter ouvido uma piada, com um tom sarcástico.
Naquele ano, no hospital, Bianca estava sendo assediada por familiares de pacientes quando ele a encontrou por acaso.
Desde que a salvou naquele dia, Bianca costumava procurá-lo sob o pretexto de gratidão.
A garotinha falava muito, tagarelando sem parar aos seus ouvidos sobre as coisas ruins que tinha passado ou que vestido bonito tinha comprado.
Naquela época, Elena estava prestes a dar à luz e ele estava sob extrema tensão emocional, sem saída para desabafar.
Bianca aproveitou a oportunidade, e ele, por conveniência, aceitou sem recusar.
No entanto, a encenação de herói salvando a donzela foi muito clichê.
Para ser sincero, no dia em que Bruno viu Bianca pela primeira vez na garagem, ele já tinha percebido algo estranho.
Mais tarde, foi confirmado que aquelas pessoas que a assediavam eram apenas atores contratados.
Ele conseguia ver a ambição nos olhos da garota, mas estava com preguiça de desmascará-la.
Mas agora, ele de repente se sentiu irritado e sem humor para continuar jogando, deixando sua voz transparecer a frieza.
"Bianca, não me obrigue a ser radical."
"Diga quanto dinheiro você quer, eu te compro."
O rosto de Bianca empalideceu instantaneamente, seus lábios tremiam sem força.
"Impossível. Você foi tão bom comigo no passado. Você enganou sua esposa por tantos anos por minha causa e gastou tanto dinheiro comigo, como pode ser que tenha sido só brincadeira?!"
Mas, mesmo após ela dizer tudo aquilo, Bruno não reagiu; pelo contrário, um sorriso zombeteiro surgiu nos cantos de seus lábios.
"Querida, você é mesmo inocentemente adorável."
"Eu te escolhi apenas porque — se algo cai no meu colo de graça, por que não aproveitar?"
Capítulo 12
"Mesmo que não fosse você, seria outra pessoa."
"Não se deixe levar por novelas e ache realmente que você é a exceção."
Ele ainda exibia um sorriso no rosto, mas as palavras ditas fizeram o coração de Bianca despencar ao fundo do abismo.
Ela desabou no chão, atônita, com o olhar perdido.
"Bruno, você não pode me abandonar, eu não..."
Mas, antes que ela pudesse terminar, Bruno a empurrou violentamente e saiu a passos largos.
Do lado de fora da mansão, sob a luz fraca dos postes.
Bruno terminou de fumar um cigarro calmamente e olhou para o relógio.
Já estava quase na hora, o velho patriarca da família Wang deveria ter chegado.
Ele pegou o celular, pronto para ligar para as pessoas que ele havia infiltrado do lado de fora do camarote para saber da situação.
Contudo, após um tom de chamada gelado, veio a notificação de que ninguém atendia.
Bruno desligou o telefone, irritado, olhando para a tela preta enquanto uma premonição sombria surgia em seu peito.
Ele abriu o colarinho com força, segurou a testa e começou a andar de um lado para o outro.
Ele queria desesperadamente correr para o clube agora mesmo e resgatar Elena.
Mas, se fizesse isso, sua identidade provavelmente seria exposta.
Foi só agora que ele se deu conta de um fato.
Se essa farsa de sete anos fosse descoberta, ele não seria tão indiferente quanto imaginava.
Ele não suportaria as consequências caso Elena descobrisse, e não queria, nem ousava, pensar nisso.
Bruno fechou os olhos, passou as mãos pelo rosto e se forçou a parar de pensar em tudo relacionado a Elena.
Ele pegou as chaves do carro e foi para a empresa, dizendo a si mesmo para não ter piedade.
No entanto, no meio do caminho, o aperto em seu peito não diminuiu nem um pouco.
Em sua mente, apareciam ora a imagem de Elena vestida de branco na loja de noivas, ora o som de sua voz pedindo socorro ao sair do camarote hoje.
Na época, o camarote estava barulhento e sua voz era, na verdade, muito baixa, mas ele a ouviu.
Faltou pouco, muito pouco para que ele, sem se importar com nada, desse meia-volta e a levasse embora.
Bianca, porém, gritou de dor naquele instante, e pensando que ela tinha acabado de sofrer um aborto e ainda não estava recuperada, ele acabou não parando.
Agora, refletindo sobre aquela decisão.
Bruno sentiu, subitamente, um certo arrependimento; ele não deveria tê-la deixado lá sozinha.
Seus pensamentos ficavam cada vez mais confusos, preenchidos apenas pela imagem de Elena.
Finalmente, no cruzamento seguinte.
Seus dedos, cerrados sobre o volante, ficaram brancos; ele soltou um xingamento baixo e não se importou mais com nada.
Ele virou o volante diretamente e disparou em direção ao clube.
Ao chegar ao andar de baixo, ele trocou novamente para aquele traje de trabalho de construção civil, todo sujo.
Depois de verificar várias vezes no espelho para garantir que não houvesse falhas, ele começou a subir as escadas.
Mas, para sua surpresa.
O clube, que costumava ser barulhento, estava anormalmente silencioso hoje.
Isso, sem dúvida, aumentou sua apreensão, e ele acelerou o passo.