Capítulo 13: O Retorno do Herdeiro
As portas duplas da ala VIP do Hospital Sírio-Libanês abriram-se de forma silenciosa, revelando os soldados táticos de Diego que escoltavam uma maca móvel sob forte esquema de segurança. Alissa deu um passo à frente, as mãos pressionadas contra o peito enquanto seus olhos azul-gelo se enchiam de lágrimas ao reconhecer a figura debilitada que repousava sobre os lençóis brancos.
Maxim Volkov, seu irmão mais velho de vinte e seis anos, trazia no rosto pálido e nos traços eslavos marcantes as cicatrizes profundas do cárcere privado que sofrera na Amazônia.
Embora fraco e com os movimentos limitados pelo longo período de desnutrição, seus olhos cinzentos brilharam com uma lucidez imediata ao focarem no rosto de Alissa.
"Você veio me buscar, irmãzinha", Maxim sussurrou, a voz saindo falha e rouca pela falta de uso, mas carregada de um afeto que ela achou que nunca mais ouviria nesta vida.
Alissa ajoelhou-se ao lado da cama hospitalar, segurando a mão fria do irmão com uma força que demonstrava que ela jamais permitiria que o mundo o machucasse novamente.
"O tempo de eles nos controlarem acabou, Maxim, eu estou aqui e nós vamos retomar tudo o que nos foi roubado."
Diego Silva permaneceu de pé junto à porta do quarto, os braços musculosos cruzados sobre o peito e os olhos âmbar observando o reencontro com a satisfação do predador que cumprira sua missão.
O retorno do herdeiro legítimo dos Volkov representava o pilar que faltava para soterrar, de forma definitiva, qualquer tentativa jurídica de Helena para reaver o controle da herança de bilhões.
No início daquela tarde, o Dr. Mendes entrou no aposento carregando uma pasta azul-escura selada com o brasão do Tribunal de Justiça de São Paulo.
"O juiz da vara de família acabou de assinar a sentença definitiva de destituição total dos direitos civis e de inventariança de Helena Volkov", o Dr. Mendes anunciou, exibindo o documento com um sorriso de merecido triunfo.
"Com o laudo médico atestando que Maxim está vivo e a comprovação das fraudes financeiras, Helena foi declarada indigna e perdeu o direito a cada centavo do patrimônio."
A farsa da madrasta havia desmoronado por completo na esfera civil, deixando a mulher psicopática na miséria absoluta e trancada em uma cela de segurança máxima na capital.
Alissa sentiu um peso invisível ser retirado de seus ombros, percebendo que a engrenagem fria que movera sua reencarnação havia finalmente alcançado a justiça que sua alma tanto buscava.
Ela levantou-se lentamente e caminhou em direção a Diego, ignorando a presença do advogado e dos médicos para focar apenas no homem que fora seu escudo.
"Eu passei a minha vida inteira fugindo dos monstros que me cercavam, Diego, achando que o amor era apenas uma fraqueza que me levaria à lama", ela disse, parando a poucos centímetros do peito largo do Jaguar.
Diego descruzou os braços e segurou a cintura dela com aquela firmeza possessiva que ela aprendera a amar em cada noite de isolamento. "E o que você acha agora, Imperatriz?"
"Eu acho que você é o meu único e verdadeiro destino, Silva, e que eu entregaria o meu império de bilhões de olhos fechados se isso significasse ter você me protegendo para sempre", ela declarou, selando suas palavras com um beijo calmo e carregado de uma paixão que não precisava mais se esconder atrás de contratos de sangue.
Diego sorriu contra os lábios dela, os olhos âmbar brilhando com o orgulho de quem sabia que havia domesticado a rainha do gelo da alta sociedade.
A calmaria do momento, no entanto, foi quebrada pela chegada de uma mensagem de texto urgente no rádio tático que o chefe de segurança de Diego carregava na antecâmara.
"Comandante, acabamos de receber uma notificação do presídio feminino da capital, Helena Volkov cometeu suicídio em sua cela ingerindo um produto químico contrabandeado."
A notícia da morte da madrasta trouxe um silêncio pesado ao quarto, mas o prenúncio de que a guerra ainda guardava ramificações ocultas surgiu logo em seguida no relatório do agente.
Antes de tirar a própria vida, Helena havia conseguido subornar uma das carcereiras para entregar uma última chave secreta e um bilhete cifrado para Camila, indicando a localização de um galpão abandonado repleto de armamento pesado na fronteira do estado.
A irmã bastarda, agora foragida da justiça após ter sua fiança paga por um aliado anônimo dos Silva, carregava o último rastro de destruição daquela linhagem de cobras.
"Deixe que a Camila corra para aquele galpão, ela só vai antecipar o dia do próprio funeral", Diego sibilou entre dentes, os olhos estreitando-se com a frieza militar de quem já planejava o próximo perímetro de caça.
Maxim Volkov pigarreou na cama, chamando a atenção de Alissa de volta para o centro do quarto com um sorriso fraco, mas repleto de orgulho pela força que a irmã demonstrara.
Ele esticou a mão trêmula até a gaveta do criado-mudo e retirou uma pequena caixa de veludo azul que os soldados de Diego haviam resgatado de seu antigo cofre pessoal na fazenda.
"A nossa mãe queria que este anel pertencesse à mulher que liderasse a nossa família com a coragem de um leão", Maxim disse, abrindo a caixa e revelando o monumental anel de safira da antiga matriarca.
Ele pegou a joia e a colocou delicadamente no dedo anelar direito de Alissa, deixando que o brilho azul da pedra combinasse perfeitamente com a tonalidade fria das pupilas dela.
"O meu tempo nas forças de elite acabou, irmã, a partir de hoje você é a nova matriarca e a Imperatriz incontestável de tudo o que o nome Volkov representa."
Alissa olhou para o anel de safira em seu dedo, o sorriso frio de quem finalmente ocupava o topo da cadeia alimentar desenhando-se em seus lábios carmesim.
Com o irmão herdeiro ao seu lado e a força brutal do Jaguar cobrindo sua retaguarda, o Grupo Volkov não era mais uma presa para os políticos corruptos, mas o império que ditaria as novas leis de São Paulo.