Capítulo 12: A Queda dos Silva
O silêncio na sala de monitoramento da sede do Grupo Volkov foi quebrado pelo sinal verde que piscou no painel principal, indicando que a transmissão nacional estava prestes a começar.
Alissa estava sentada na cadeira da presidência, usando um vestido preto de corte impecável, com os olhos azul-gelo fixos na tela onde a jornalista Renata Lima organizava seus papéis na bancada.
"Tudo pronto, Imperatriz", a voz de Renata soou através do canal privado, firme com a coragem de quem arriscava trinta anos de carreira jornalística por aquele furo.
"Se o dossiê que você me entregou for tão real quanto os metadados indicam, o país não vai falar de outra coisa nas próximas duas décadas."
Diego Silva mantinha-se de pé logo atrás da cadeira de Alissa, com as mãos grandes apoiadas nos ombros dela, exalando a aura protetora e perigosa de quem vigiava sua rainha.
A sincronia entre a mente cirúrgica da herdeira e a força tática do Jaguar havia criado uma barreira indestrutível que nenhum poder político em São Paulo seria capaz de romper.
"Coloque o império deles no chão, Alissa", Diego sussurrou, a voz rouca vibrando perto do ouvido dela com uma confiança absoluta no xeque-mate que haviam desenhado.
Alissa apertou o botão de comando e enviou o sinal de liberação para a central de jornalismo da maior rede de televisão nacional, que interrompeu a programação regular com um plantão urgente.
Renata Lima surgiu na tela de milhões de brasileiros, com o semblante sério de quem carregava o peso de uma bomba institucional.
"Boa noite, interrompemos nossa programação para trazer uma investigação exclusiva que detalha o maior esquema de corrupção e ligação com milícias já visto na história deste estado."
As imagens capturadas do celular criptografado de Thiago e dos arquivos digitais da mãe de Alissa começaram a ser exibidas em rede nacional, sem qualquer censura visual ou cortes de áudio.
O público assistiu, em choque, aos vídeos do Governador Silva assinando a partilha de propinas com os líderes das milícias portuárias, além de gravações explícitas de Lucas Silva negociando a liberação de cargas ilícitas nos galpões de Santos.
"Estes documentos comprovam o desvio de verbas públicas e o financiamento de cativeiros clandestinos na região Norte por parte da família do chefe do executivo", a voz de Renata Lima narrava com firmeza.
O contra-ataque de Alissa foi impiedoso, sem dar margem para que os advogados dos Silva pudessem respirar ou solicitar qualquer medida de censura judicial prévia.
Em menos de vinte e quatro horas após o vazamento do dossiê, a Procuradoria-Geral da República decretou a ordem de prisão preventiva do Governador e de seu filho por crimes contra a segurança nacional.
O império político que havia condenado Alissa à morte em sua primeira vida estava desmoronando diante dos olhos de toda a sociedade em um efeito dominó avassalador.
"Eles estão tentando fugir, os meus homens na periferia da mansão dos Jardins confirmaram a movimentação", Diego comentou, apontando para a segunda tela que exibia os canais de notícias ao vivo.
A transmissão ao vivo mostrava dezenas de jornalistas e viaturas da Polícia Federal encurralando a entrada principal da mansão de veraneio da família Silva.
Lucas surgiu na garagem da propriedade, vestindo roupas comuns e carregando três malas de couro estufadas com dinheiro vivo, com o rosto pálido e os olhos loiros transbordando o mais puro desespero.
"Afastem-se de mim! Isso é uma armadilha política orquestrada por aquela vagabunda da Alissa!", Lucas gritava para os microfones dos repórteres enquanto os agentes federais o prensavam contra a lataria de seu carro importado.
Camila Volkov tentava se esconder atrás das colunas da garagem, mas as câmeras registraram cada segundo de sua humilhação pública enquanto ela também recebia voz de prisão como cúmplice nos desvios.
Os policiais fecharam as algemas de aço nos pulsos de Lucas de forma ríspida, ignorando seus protestos histéricos e as tentativas de resistência física.
No momento em que era empurrado para o interior do camburão negro, Lucas girou o corpo com violência na direção da lente da câmera principal, com os olhos injetados de um ódio psicopático.
"Alissa! Você acha que venceu porque me colocou nesta cela?", Lucas berrou para a transmissão nacional, sabendo que ela estaria assistindo de algum lugar.
"Eu deixei uma surpresa para você na antiga mansão de veraneio da sua mãe em Campos do Jordão, vá lá buscar o que sobrou da sua história antes que tudo vire cinzas!"
A declaração desesperada do ex-noivo lançou um novo mistério no ar, fazendo os repórteres começarem a questionar o significado daquele prenúncio macabro.
Diego estreitou os olhos âmbar, sentindo o instinto militar alertá-lo para a cláusula oculta que os Silva ainda guardavam na manga daquele jogo de xadrez.
"Vou mandar uma equipe avançada para Campos do Jordão agora mesmo, Imperatriz, ele não teria falado aquilo se não fosse uma armadilha real."
Alissa continuou encarando a tela por alguns segundos, observando a imagem do homem que havia destruído sua inocência e ordenado sua execução na vida passada ser jogado no fundo de uma viatura.
Ela esticou a mão enluvada, pegou o controle remoto sobre a mesa de vidro e simplesmente desligou a televisão, cortando o som dos gritos de Lucas com um estalo seco.
Um sorriso gélido, desprovido de qualquer calor ou arrependimento, desenhou-se em seus lábios carmesim enquanto ela se recostava na cadeira da presidência do Grupo Volkov.
"O espetáculo deles acabou, Diego", ela disse, erguendo o rosto para olhar nos olhos do Jaguar que a envolvia com seu abraço protetor.
"Que comecem os preparativos para a nossa viagem de inverno, porque eu quero ver pessoalmente o que sobrou do império daquela família."