《Renascida das Cinzas: Casada com o Inimigo do meu Ex》Capítulo 7

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Capítulo 7: Cortando as Asas da Borboleta

Os reflexos do sol da manhã batiam contra os imensos painéis de vidro espelhado da sede do Grupo Volkov, no coração financeiro da Avenida Faria Lima. Alissa desceu de um sedã blindado preto, vestindo um terninho de alfaiataria risca-de-giz perfeitamente alinhado e óculos escuros que escondiam a noite quase sem sono na cobertura de Diego.

Ela caminhou pelo saguão de mármore com passos firmes, ignorando os olhares cochichados dos funcionários que haviam assistido ao escândalo do baile de gala pelas redes sociais durante toda a madrugada.

Ao seu lado, o doutor Mendes, um homem de cinquenta e cinco anos com cabelos grisalhos e o semblante sério de quem dedicara a vida à proteção jurídica da falecida mãe de Alissa, mantinha uma pasta de couro rígida sob o braço.

"Você tem certeza de que quer fazer isso hoje, Alissa?", o doutor Mendes perguntou em voz baixa enquanto os dois entravam no elevador privativo que levava à sala do conselho. "Helena convocou uma junta médica e os advogados dos Silva, eles estão armando uma armadilha para tirar os seus direitos civis."

"Deixe que eles tentem, doutor Mendes", Alissa respondeu, tirando os óculos escuros e revelando os olhos azul-gelo que brilhavam com uma frieza cirúrgica. "As armadilhas da minha madrasta só funcionavam quando eu me importava com o amor daquela família."

O elevador parou no trigésimo andar com um aviso sonoro sutil e as portas se abriram diretamente para a antecâmara da presidência.

Helena Volkov estava de pé junto à mesa de centro, com o rosto pálido escondido sob uma maquiagem pesada, enquanto Camila chorava dramaticamente em um lenço de seda ao lado de dois homens de terno escuro que carregavam pastas com laudos médicos.

"Graças a Deus você apareceu, Alissa!", Helena exclamou, forçando uma voz trêmula de preocupação materna que não combinava com o ódio que brilhava em suas pupilas.

"Os médicos e os advogados estão aqui para te ajudar, querida, o surto psicológico que você teve ontem à noite no baile provou que você não está em condições de responder por si mesma."

"Afaste-se de mim, Helena", Alissa disse, passando pela madrasta sem sequer diminuir o ritmo de seus passos em direção à porta dupla da sala de reuniões principal.

Camila levantou-se rapidamente, tentando segurar o braço da irmã com os dedos trêmulos de pura falsidade.

"Alissa, por favor, ouça a mamãe, você precisa de tratamento médico urgente antes que acabe destruindo o patrimônio que o papai construiu!"

Alissa parou, virando o rosto lentamente para a irmã bastarda com um olhar tão gélido que fez Camila recuar um passo instintivamente.

"Se você tocar em mim de novo, Camila, eu garanto que a sua próxima parada não será um hospital psiquiátrico, mas a ala feminina de Tremembé."

Sem dar tempo para réplicas, Alissa empurrou as portas de jacarandá da sala do conselho, onde os dez principais acionistas do Grupo Volkov já aguardavam em torno da imensa mesa de vidro fumê.

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Helena entrou logo em seguida, gesticulando para que os advogados assumissem a palavra diante dos conselheiros.

"Senhores membros do conselho, como atual inventariante dos bens da família, exijo a interdição imediata de Alissa Volkov com base nos relatórios de instabilidade mental crônica que os nossos especialistas emitiram esta manhã", Helena ditou com arrogância, batendo os papéis na mesa.

O doutor Mendes deu um passo à frente, abrindo a própria pasta e retirando um dispositivo de memória criptografado que entregou diretamente ao técnico responsável pelo sistema de projeção da sala.

"Com licença, senhora Helena, mas antes de discutirmos a saúde da minha cliente, precisamos analisar os relatórios financeiros que acabaram de ser auditados internacionalmente."

O imenso monitor da parede acendeu, exibindo dezenas de transações bancárias realizadas nas últimas duas semanas, com a assinatura digital de Helena enviando fundos de reserva da empresa para empresas de fachada nas Ilhas Caimã e no Panamá.

Os conselheiros começaram a murmurar em um tom de indignação crescente, enquanto o rosto de Helena perdia o restante da cor que a maquiagem tentava disfarçar.

"Esses documentos comprovam que a senhora Helena Volkov utilizou a estrutura do grupo para lavar dinheiro de caixa dois da campanha política do Governador Silva", Alissa declarou, sua voz ecoando firme e cortante por todo o recinto.

"De acordo com as cláusulas de governança do estatuto que minha mãe escreveu, qualquer membro envolvido em crimes financeiros perde automaticamente o direito de voto e gestão."

"Isso é uma calúnia! Esses documentos são falsos!", Helena gritou, batendo as mãos na mesa enquanto sua máscara de controle desmoronava em uma expressão puramente psicopática.

"Eles são absolutamente legítimos, Helena, e o Banco Central já foi notificado", o doutor Mendes completou, exibindo os termos de validação assinados pela auditoria externa.

"Com a destituição da senhora Helena, os quarenta por cento das ações da falecida matriarca retornam imediatamente para o controle total de Alissa Volkov."

A maioria dos conselheiros, liderada pelo doutor Mendes, levantou as mãos em um voto unânime de transição de poder, ignorando os protestos histéricos da madrasta.

Enquanto isso, a trinta quilômetros dali, na cobertura blindada da Faria Lima, Diego Silva estava sentado diante de um painel de monitoramento que transmitia em tempo real as imagens da sala do conselho através de uma escuta que ele havia instalado na noite anterior.

Um sorriso sutil e perigoso surgiu em seus lábios cortados enquanto ele observava a herdeira esmagar os inimigos com a precisão de um general de guerra.

"Essa garota não é uma borboleta", Diego murmurou para si mesmo, os olhos âmbar fixos na postura intocável de Alissa na tela. "Ela é um demônio que sabe exatamente como usar um terno de grife."

De volta à sala do conselho, dois seguranças particulares da empresa entraram no recinto por ordem de Alissa, posicionando-se ao lado de Helena e Camila.

"Por favor, acompanhem as duas até a saída do edifício e garantam que elas não levem um único documento dos arquivos."

"Você vai pagar por isso, Alissa!", Helena sibilou entre dentes enquanto era escoltada para fora, os olhos injetados de puro desespero e fúria.

Antes de cruzar a porta, Helena desencilhou-se do aperto do segurança por um segundo e inclinou-se na direção de Alissa, desferindo um sussurro desesperado que quebrou a calmaria do ambiente.

"Você acha que venceu porque conseguiu essas ações, mas o seu irmãozinho querido não morreu naquele acidente, ele está vivo e apodrecendo em um cativeiro na floresta Amazônica a mando dos Silva!"

O anúncio fez o coração de Alissa errar uma batida, confirmando a suspeita que a tatuagem do atirador na noite anterior havia despertado em sua mente.

Ela manteve a expressão congelada até que as portas se fechassem atrás de Helena e Camila, controlando a tempestade interna que ameaçava romper sua máscara de ferro.

Alissa caminhou lentamente até a cabeceira da mesa de vidro, puxou a cadeira presidencial que um dia pertencera ao seu pai e sentou-se com a elegância de quem finalmente assumia o próprio trono.

Ela cruzou as pernas longas, retirou o telefone celular modificado de dentro da bolsa e discou o número privado que estava gravado em sua memória.

No primeiro toque, a voz rouca e grave de Diego Silva ecoou do outro lado da linha, demonstrando que ele já esperava por aquela ligação.

"Eu vi o show, Imperatriz, você cortou as asas das duas de forma impecável."

"A diversão de salão acabou, Silva", Alissa respondeu, os olhos azul-gelo fixos na vista da cidade pela janela do trigésimo andar.

"A minha madrasta acabou de confirmar que o meu irmão está vivo e escondido no norte, então prepare os seus homens porque é hora de caçar."

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