Capítulo 5: Emboscada na Favela
O som ensurdecedor da primeira rajada de fuzil estilhaçou o vidro traseiro do carro esporte, transformando a cabine luxuosa em um turbilhão de estilhaços brilhantes.
Alissa jogou-se no assoalho do veículo enquanto o motorista tentava manobrar desesperadamente na entrada do viaduto que dava acesso à comunidade controlada por Renato.
"Eles fecharam a pista com uma barricada de pneus em chamas, senhorita!", o motorista gritou, mas sua voz foi cortada por um segundo impacto que perfurou o para-brisa e atingiu seu peito em cheio.
O carro desgovernado colidiu violentamente contra a mureta de concreto, jogando Alissa contra o painel antes de parar no meio da escuridão da avenida deserta.
O cheiro de pneu queimado e pólvora invadiu o espaço enquanto os passos pesados dos mercenários de Lucas se aproximavam pela chuva, com as armas em punho.
"Puxem a vadia para fora do carro, o chefe quer que o corpo pareça ter sido vítima de um assalto na periferia!", a voz grossa de Renato ecoou pelo rádio de um dos criminosos, comandando a execução com a frieza de um miliciano experiente.
Antes que a primeira mão calejada pudesse tocar a maçaneta da porta amassada, o rugido brutal de um motor de alta cilindrada rasgou a noite como o trovão de um demônio faminto.
Uma caminhonete blindada preta surgiu do meio da fumaça, atropelando os dois primeiros homens de Renato com uma força avassaladora que jogou os corpos contra o asfalto.
A porta do motorista se abriu e a silhueta imponente de Diego Silva emergiu da escuridão, empunhando uma submetralhadora tática com uma precisão que desafiava a gravidade.
"Quem mandou vocês mexerem no que me pertence?", Diego rugiu, sua voz saindo tão grave e assustadora que os criminosos restantes hesitaram por um milésimo de segundo fatal.
Com uma mão no volante da caminhonete que avançava lentamente e a outra operando a arma, Diego limpou o perímetro disparando rajadas curtas e cirúrgicas que derrubaram três milicianos em menos de cinco segundos.
Ele freou o veículo pesado ao lado do carro esporte destruído, esticou o braço musculoso e puxou Alissa para dentro de sua cabine com um único movimento bruto.
"Fique embaixo, Alissa!", ele ordenou, prensando o corpo dela contra o seu quadril e o banco de couro, usando o próprio torso largo como um escudo humano contra os disparos que batiam na blindagem do vidro.
A proximidade física com aquele homem era avassaladora; Alissa sentia o calor do peito dele contra suas costas e o cheiro intenso de pólvora e suor que emanava de sua pele.
As barreiras de gelo que ela construíra com tanto cuidado tremeram diante daquela força bruta e puramente possessiva que a envolvia como uma armadura viva.
"Você está ferida?", ele perguntou entre dentes, girando o volante com o braço esquerdo enquanto mantinha o braço direito firme sobre os ombros dela, esmagando-a contra si enquanto acelerava pelo bloqueio.
"Estou inteira, continue dirigindo!", ela respondeu com a voz abafada contra o tecido de sua camisa preta, sentindo a adrenalina disparar seus batimentos cardíacos muito acima do limite.
Diego deu uma guinada violenta para a direita, jogando a caminhonete sobre o carro de Renato que tentava bloquear a rota de fuga, destruindo a lateral do veículo inimigo com um impacto brutal.
Ele freou bruscamente em um beco sem saída nos limites da comunidade, descendo do carro antes mesmo que a poeira baixasse, arrastando um dos atiradores feridos que havia ficado preso na grade dianteira da caminhonete.
"Quem te mandou aqui?", Diego sibilou, ajoelhando-se sobre o peito do homem moribundo e pressionando o cano quente da submetralhadora contra a testa dele na dinâmica implacável de quem destrói qualquer um que ouse cruzar seu caminho.
"Foi o... o Renato... a mando do Governador", o homem cuspiu sangue, os olhos arregalados de terror diante do olhar âmbar do Jaguar que não demonstrava um único milímetro de misericórdia.
Alissa desceu da caminhonete com os saltos agulha danificados, caminhando até o corpo do atirador que acabara de dar o último suspiro sob as botas de Diego.
Quando a luz fraca de um poste quebrado iluminou o braço estendido do cadáver, uma marca específica na pele do homem fez o sangue de Alissa congelar instantaneamente.
Havia uma tatuagem detalhada de uma fênix negra envolta em arame farpado no antebraço do miliciano, exatamente o mesmo símbolo do esquadrão de elite que seu irmão mais velho usava antes de desaparecer e ser declarado morto pela polícia três anos atrás.
"Não pode ser", Alissa sussurrou, os olhos azul-gelo arregalando-se em choque enquanto ela dava um passo para trás, a mente conectando que a morte de seu irmão tinha os mesmos mandantes de sua própria execução. "Eles mentiram para mim sobre o acidente dele também."
Diego percebeu a mudança drástica no semblante da herdeira e, sem dar tempo para que ela processasse a dor, avançou em sua direção com a agressividade de um predador que precisava garantir a integridade de sua propriedade.
Ele a puxou pela cintura, prensando o corpo de Alissa com violência contra o capô quente da caminhonete blindada sob a chuva fina que voltava a cair.
"Quem encostou em você lá atrás?", ele exigiu, os olhos âmbar faiscando de puro ódio possessivo enquanto suas mãos grandes vasculhavam o corpo dela à procura de sangue que não fosse dos inimigos.
Antes que ela pudesse responder, Diego segurou o tecido texturizado do decote do vestido vermelho e o rasgou até a altura das costelas, expondo a pele alva e o hematoma que começava a se formar em seu ombro devido ao impacto da batida.
"Eu perguntei quem fez isso com você, Alissa!", ele rugiu novamente, os dedos tocando a marca roxa com uma mistura de brutalidade e um cuidado quase imperceptível que fez a respiração dela travar na garganta.
Alissa segurou os pulsos dele com as mãos trêmulas pela descarga de adrenalina, sentindo a força avassaladora do homem que agora controlava o destino de sua vingança.
"Ninguém me tocou, Silva, isso foi do painel do carro, foque no que realmente importa porque a guerra contra os Silva acabou de começar."