《Renascida das Cinzas: Casada com o Inimigo do meu Ex》Capítulo 4

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Capítulo 4: O Pacto com o Diabo

O toque dos dedos de Diego no queixo de Alissa carregava a precisão fria de um carrasco, mas ela permaneceu imóvel, sustentando o olhar âmbar daquele homem. A penumbra do subsolo do clube de charutos parecia diminuir o mundo ao redor deles, transformando o espaço em uma arena privativa de pura testosterona e gelo.

"Você fala sobre o Porto de Santos como se fosse dona de cada grão de café que sai daquele cais, Alissa", Diego quebrou o silêncio, a voz áspera arrastando-se com escárnio.

"Os Volkov têm ações, sim, mas o controle aduaneiro legítimo está sob as botas dos militares corruptos que o Governador Silva financia."

Alissa sorriu sutilmente, os lábios pintados de carmesim movendo-se com uma lentidão calculada que começou a incomodar a paciência do líder do submundo.

"Os militares respondem a contratos assinados no escuro, Diego, e as assinaturas que dão validade jurídica àqueles desvios estão trancadas em um cofre digital cuja senha pertencia à minha falecida mãe", ela respondeu, desafiando a pressão dos dedos dele em sua pele.

"Eu não quero o seu dinheiro, eu quero a sua força tática, quero que você seja a minha arma particular para limpar os Silva do mapa."

Diego soltou o queixo dela com um movimento seco, recostando-se na poltrona Chesterfield enquanto soltava uma risada baixa e rústica que ecoou pelas paredes de madeira escura.

"Uma arma particular?", ele repetiu, cruzando os braços musculosos sobre a camisa de seda preta que tensionava a cada respiração dele.

"Você é apenas uma garota rica que acabou de descobrir que o noivo era um lixo, você não tem estômago para o tipo de sangue que eu derramo para manter esta cidade sob o meu controle."

Alissa inclinou o corpo para a frente, apoiando os cotovelos nos joelhos e deixando que a fenda de seu vestido vermelho revelasse a pele alva que contrastava com a escuridão do tapete persa.

"Eu tenho o estômago de quem já morreu uma vez naquela lama, Silva", ela sibilou, os olhos azul-gelo estreitando-se com uma ferocidade que fez o sorriso dele desaparecer instantaneamente.

"Você acha que eu sou inocente porque fui criada em uma mansão nos Jardins, mas eu sei exatamente o que aconteceu na Operação Inverno de dois mil e vinte e dois."

O corpo de Diego tencionou por completo no mesmo milésimo de segundo, as pupilas dilatando-se sob a luz fraca das lâmpadas embutidas no teto do salão VIP.

"Quem te falou sobre essa data?", ele perguntou, a voz caindo para um registro tão baixo e ameaçador que o ar ao redor pareceu perder alguns graus de temperatura.

"Eu sei que o seu pelotão no BOPE não caiu em uma emboscada de traficantes por erro de leitura de mapa", Alissa continuou, avançando sem recuar diante do perigo óbvio que emanava daquele homem.

"O atual Governador, na época secretário de segurança, vendeu as coordenadas da sua equipe para limpar o rastro dos desvios de verbas da segurança pública."

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Diego descruzou os braços lentamente, as mãos grandes fechando-se em punhos rígidos sobre as coxas enquanto fixava os olhos na herdeira com uma seriedade mortal.

"Você sobreviveu porque era o melhor, mas os seus homens viraram estatística para que o pai de Lucas pudesse comprar a eleição dele", ela disparou a última palavra, deixando o silêncio reinar novamente na sala de fumaça.

"Nós temos o mesmo inimigo, Diego, e eu estou oferecendo a você a chance de sufocá-lo usando a estrutura financeira do meu império familiar."

O líder da máfia paulista permaneceu em silêncio por longos segundos, processando a informação de que aquela garota de porcelana carregava segredos que poderiam iniciar uma guerra de estado.

O respeito começou a se desenhar nos cantos de sua mente tática, substituindo o desdém inicial pela percepção de que estava lidando com uma mente cirúrgica tão implacável quanto a dele.

"Se eu aceitar esse negócio, Alissa, nós não seremos apenas sócios de papel", ele disse, levantando-se de sua poltrona com uma imponência física que cobriu a luz que vinha do corredor.

"Eu protejo o que é meu com garras e dentes, o que significa que, a partir do momento em que assinarmos este acordo, a sua segurança pertence única e exclusivamente a mim."

Alissa ergueu o rosto para continuar olhando nos olhos dele, mantendo a postura ereta e intocável que havia adotado desde que acordara daquela tempestade.

"Isso significa que eu vou controlar cada passo que você der fora daquela empresa, cada pessoa com quem falar e cada lugar onde for dormir", Diego ditou a cláusula oculta com uma possessividade fria que fez a espinha dela enrijecer sutilmente.

"Você está pronta para entregar a sua liberdade para o diabo em troca da sua vingança?"

"A minha liberdade não vale nada se aqueles que me destruíram continuarem respirando o mesmo ar que eu", ela respondeu, levantando-se também e ficando a poucos centímetros do peito largo do homem.

Diego esticou a mão direita até a lateral de sua calça de alfaiataria e, com um movimento rápido e imperceptível, puxou uma lâmina tática de aço escuro com empunhadura de fibra de carbono.

O som do metal destravando cortou o ambiente como o aviso final de uma sentença de morte.

"No meu mundo, contratos de papel são queimados quando a polícia bate na porta ou quando o dinheiro fala mais alto", ele sussurrou, pegando a mão esquerda de Alissa com uma firmeza que não permitia qualquer tentativa de recuo.

"Nós fazemos o juramento antigo das favelas, o pacto que nenhuma bala ou tribunal pode apagar desta terra."

Antes que ela pudesse responder, Diego passou o fio cirúrgico da lâmina pela palma da própria mão esquerda, abrindo um corte fino por onde o sangue escuro começou a brotar rapidamente.

Em seguida, ele virou a mão de Alissa com a palma para cima e pressionou suavemente a ponta do aço contra a pele macia de porcelana, abrindo uma linha vermelha idêntica que ardeu como fogo sob a ferida.

Alissa não emitiu um único som de dor; seus olhos azuis permaneceram cravados nos olhos âmbar dele enquanto sentia o calor do sangue escorrer por seus dedos.

Diego guardou a faca com a velocidade de um fantasma e uniu a sua palma cortada à dela, apertando os dedos com força até que o sangue de ambos se misturasse por completo na escuridão daquela sala.

"Agora você está ligada ao Jaguar, Alissa Volkov", ele decretou, sentindo o calor do corpo dela responder ao seu em uma simbiose perigosa e irreversível. "Se o seu passado tentar bater na sua porta amanhã, ele vai ter que passar por cima do meu cadáver primeiro."

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