《Renascida das Cinzas: Casada com o Inimigo do meu Ex》Capítulo 1

PUBLICIDADE

Capítulo 1: O Despertar da Borboleta de Ferro

A lama asfixiante invadia seus pulmões enquanto o frio da morte paralisava seus membros sob a tempestade implacável de São Paulo. O riso cruel de Lucas ecoava como o último som de sua existência agonizante, misturando-se à imagem de Camila segurando as joias que pertenciam à sua mãe.

De repente, o peso sufocante da terra desapareceu em um estalo violento.

Alissa arfou, puxando o ar com tanta força que seu peito doeu profundamente. Seus olhos se arregalaram, mas ela não viu o céu escuro da favela, nem sentiu o cheiro de sangue e chuva.

Ela estava trancada em um camarim luxuoso, cercada por mármore italiano e luzes embutidas que imitavam o brilho do sol.

O aroma suave de orquídeas caras preenchia o ambiente perfeitamente climatizado.

Seu coração martelava contra as costelas como um animal enjaulado. Ela olhou para baixo e viu as próprias mãos, limpas, macias, sem as cicatrizes profundas do acidente que destruíra sua vida anterior.

Ela esticou os dedos trêmulos e tocou o tecido que cobria seu corpo. Era seda pura, um vestido de grife completamente branco, o símbolo perfeito da noiva pura, submissa e obediente que ela fora treinada para ser.

"Não pode ser real", ela sussurrou, a própria voz soando jovem e intocada pelo desespero.

Alissa ergueu os olhos para o espelho monumental à sua frente. O reflexo devolveu o rosto de uma garota de vinte e três anos, com os grandes olhos azul-gelo arregalados em choque, mas sem o olhar morto de quem já havia cruzado o inferno.

Duas batidas firmes na porta de madeira maciça quebraram o silêncio do camarim.

"Alissa, querida, você já terminou?", a voz de Camila ecoou do outro lado, carregada daquela doçura falsa que no passado soava como amor. "O Lucas já está no palco principal com os fotógrafos e os investidores da comitiva política, ele está esperando a noiva perfeita dele."

O som daquele nome agiu como uma descarga de eletricidade diretamente na espinha de Alissa.

Os olhos azuis perderam o brilho do pânico e congelaram instantaneamente, transformando-se em duas pedras de gelo intransponíveis.

Não era um sonho, nem a alucinação de uma mente moribunda. Era o dia trinta e um de outubro, a noite do Grande Baile de Gala da família Volkov, exatamente dois anos antes de sua execução.

A confiança que ela um dia teve na humanidade evaporou em um segundo, deixando em seu lugar apenas uma engrenagem fria e calculista. Uma máquina de gelo havia despertado dentro daquela pele alva.

"Alissa?", Camila chamou novamente, a maçaneta começou a girar lentamente. "Eu posso entrar?"

"Não mude o tom comigo, Camila, espere lá fora", Alissa respondeu, sua voz saiu tão cortante que o movimento da maçaneta parou no mesmo instante.

Houve um breve silêncio do outro lado da porta, um vislumbre da confusão da irmã bastarda que nunca ouvira a submissão falhar naquele tom.

PUBLICIDADE

"Tudo bem, não demore, o papai e a Helena também estão chamando", Camila murmurou, os passos de seus saltos se afastando pelo corredor de carpete grosso.

Alissa olhou novamente para o vestido branco no espelho e sentiu uma náusea profunda. Aquele pano representava a Alissa que aceitava desculpas, a Alissa que sorria para os fotógrafos enquanto era apunhalada pelas costas.

Com um movimento violento, ela enterrou as unhas no decote de renda sofisticada. Ela puxou o tecido para baixo com toda a força que seu corpo renovado possuía.

O som da seda caríssima se rasgando ecoou pelo camarim como o grito de libertação de um animal enjaulado. Ela arrancou o vestido branco em pedaços, deixando-o cair no chão como o cadáver da garota ingênua que acabara de morrer definitivamente.

Ela caminhou até o enorme closet nos fundos do camarim, ignorando as fileiras de roupas em tons pastéis e românticos que Lucas sempre elogiava.

Seus olhos procuraram o fundo das araras até encontrarem uma capa preta de proteção que ela nunca tivera coragem de abrir.

Lá dentro estava um modelo exclusivo que ela comprou em Paris em um momento de rebeldia secreta, mas que Helena a proibira de usar por ser ousado demais para a herdeira principal dos Volkov.

Era um longo de seda italiana texturizada na cor vermelho-sangue, com um decote estruturado e uma fenda profunda que subia pela coxa esquerda de forma quase agressiva.

Alissa vestiu a peça com movimentos rápidos e precisos. O tecido deslizou por suas curvas como uma segunda pele, revelando a silhueta de uma mulher que não pedia permissão para ocupar o espaço.

Ela voltou para a bancada de maquiagem e ignorou a paleta de cores nudes e suaves. Seus dedos pegaram um batom de acabamento opaco, em um tom carmesim tão escuro que parecia quase proibido.

Ela aplicou o produto nos lábios carnudos com precisão cirúrgica. O contraste do vermelho violento contra a sua pele de porcelana e os olhos azul-gelo criou uma imagem quase letal.

A borboleta de ferro havia rasgado o casulo de seda branca.

Quando ela se apoiou na bancada para pegar seus brincos de diamantes, algo diferente chamou sua atenção no canto inferior do espelho iluminado. Havia um cartão de visita preto, pesado, fosco, que definitivamente não pertencia à sua equipe de estilistas.

Ela pegou o papel texturizado e o virou contra a luz das lâmpadas. Não havia nome, nem número de telefone impresso na superfície escura.

Havia apenas um relevo sutil, brilhante e tátil, desenhando a silhueta perfeitamente simétrica de uma onça-pintada com os olhos fixos na frente.

Alissa sentiu um calafrio percorrer seus ombros, a mente conectando instantaneamente aquele símbolo à única lenda viva que governava o submundo de São Paulo. Diego Silva, o Jaguar.

O homem que o pai de Lucas temia mais do que o próprio tribunal de justiça. A arma perfeita que ela precisava contratar se quisesse colocar os Volkov e os Silva de joelhos na lama antes do fim daquele ano.

PUBLICIDADE

Ela guardou o cartão preto dentro da pequena fenda oculta da estrutura do vestido vermelho, sentindo o papel rígido contra a pele da costela como um lembrete físico de sua nova realidade.

"A herdeira negligenciada está morta", ela sussurrou para o próprio reflexo, os lábios carmesim curvando-se em um sorriso sem calor. "Que comece o espetáculo."

Ela pegou uma pequena bolsa de mão preta, abriu a porta do camarim com um empurrão firme e caminhou pelo corredor iluminado em direção ao salão principal do hotel de luxo.

O som do violino e o falatório da alta sociedade paulista aumentavam à medida que ela se aproximava da entrada principal do mezanino.

Lucas estava de pé perto da escadaria de mármore, vestindo um terno sob medida impecável, sorrindo para os flashes dos jornalistas enquanto Camila se posicionava discretamente ao seu lado, fingindo ajustar a gravata dele com uma intimidade nojenta.

"Onde está a Alissa?", Lucas perguntou em voz alta para um dos assessores, o tom visivelmente impaciente por trás do sorriso de plástico para as câmeras.

"O fotógrafo da revista de negócios precisa da foto do casal agora para a capa de amanhã."

"Ela já deve estar vindo, Lucas, você sabe como ela é lenta para se arrumar", Camila respondeu com um riso abafado, os olhos brilhando com a satisfação de parecer mais eficiente que a irmã.

O som dos saltos agulha de Alissa batendo contra o chão de granito ecoou pelo mezanino como uma contagem regressiva para a destruição de ambos.

Lucas virou o rosto para o corredor com uma expressão de cobrança já ensaiada nos lábios. "Alissa, você demorou demais, nós precisamos..."

As palavras morreram na garganta do noivo no mesmo milésimo de segundo. O sorriso de plástico de Lucas desmoronou por completo, os olhos loiros se arregalando diante da figura que avançava em sua direção.

Camila deu um passo para trás, a respiração presa na garganta enquanto inspecionava o vestido vermelho-sangue e a postura predatória da irmã que ela sempre considerou uma coitada influenciável.

Os fotógrafos pararam os cliques por um instante, congelados pela quebra brutal do protocolo visual da noite, antes que os flashes começassem a disparar em um ritmo três vezes mais rápido e frenético.

"O que é isso, Alissa?", Lucas sibilou entre dentes, dando um passo rápido para a frente para tentar cobrir a fenda do vestido dela com o próprio corpo, o rosto vermelho de puro constrangimento.

"Que palhaçada é essa de se vestir como uma mulher da noite no evento político do meu pai?"

Alissa nem sequer diminuiu o ritmo de seus passos. Ela passou por ele como se ele fosse apenas uma coluna invisível do cenário, o perfume importado deixando um rastro gélido no ar.

"Fique longe de mim, Lucas", ela disse sem olhar para trás, a voz fria e baixa ecoando apenas para ele e Camila ouvirem.

Camila tentou dar um passo à frente, os olhos fixos nas joias e no decote da irmã, a inveja quase saindo pelos poros. "Alissa, a Helena vai te matar quando te vir com essa cor, você enlouqueceu de vez?"

Alissa parou perto de uma mesa de apoio de cristal, esticou a mão enluvada e pegou uma taça de cristal cheia de champanhe francês.

Ela girou o líquido dourado lentamente, os olhos azul-gelo fixos nas bolhas que subiam antes de olhar diretamente para o camarote VIP no andar superior, onde os camaradas políticos do ex-noivo e sua madrasta se escondiam.

A verdadeira Alissa Volkov não ia mais esperar a facada pelas costas. Ela ia levar o incêndio diretamente para o ninho de cobras.

PUBLICIDADE

você pode gostar

compartilhar

compartilhar liderança
link de cópia