《Ex-namorado desesperado: Nunca mais nos encontraremos》Capítulo 6

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Ela se autoenganava, ignorando, mas agora tudo se tornava incrivelmente claro.

"Acredite se quiser."

Xu Shaoting não se deu ao trabalho de explicar e, por conta própria, virou-se e saiu com seus sapatos de couro.

Nesse momento, o telefone de Júlia tocou.

Era o assistente.

"Srta. Júlia, as ações do grupo Lucas começaram a se recuperar!"

"O processo aberto pelo gigante internacional do luxo também foi retirado!"

O rosto de Júlia tornou-se ainda mais feio ao ouvir essas duas notícias.

O que estava acontecendo?

O grupo Júlia não poderia ter agido sem suas ordens.

E além do grupo Júlia, quem mais poderia ser?

Em sua mente, a frase dita por Xu Shaoting ecoava.

"Lucas escolheu se unir à filha recém-encontrada da família Clara."

"A filha da família Clara é muito capaz e já assumiu o controle total."

A voz de Júlia estava seca e rouca:

"Descobriram quem agiu?"

Do outro lado da linha, a voz do assistente soou.

"Srta., foi a família Clara quem agiu."

BOOM!

Júlia sentiu um trovão explodir em sua cabeça, deixando-a com o pensamento em branco.

Família Clara.

Matrimônio.

A corda de sua sanidade rompeu-se completamente. Sem pensar, ela correu em direção à saída, ignorando Victor, que a chamava ansiosamente pelo nome atrás dela.

Impossível.

Lucas não poderia escolher se unir a outra mulher que não fosse ela!

Ela entrou no carro e pisou fundo no acelerador; o veículo disparou como uma flecha.

E, após sua partida, Victor ficou sozinho no local.

Xu Shaoting lançou um olhar de escárnio para ele:

"Victor, você realmente achou que poderia se transformar de um pardal em uma fênix?"

"Mesmo que Júlia não se casasse com Lucas, seria impossível ela se casar com um homem da sua estirpe."

Dito isso, ele se virou e saiu antes que Victor pudesse responder.

Risadas baixas ecoaram ao redor.

O rosto de Victor ardia em brasas; os olhares zombeteiros dos outros pareciam tapas violentos em seu rosto.

Isso o deixava terrivelmente humilhado.

Além disso, todos no banquete eram figuras influentes; ninguém o respeitava e todos estavam apenas rindo dele.

Ele tremia de frio e, sob olhares sarcásticos, escondeu-se no banheiro.

Só conseguiu sair, de forma deplorável, quando o banquete terminou.

Do outro lado, quando Júlia chegou ao endereço dos dois, só viu uma mansão na escuridão total.

O jardim estava coberto de folhas secas, infestado de ervas daninhas, e até o caminho de pedras para a entrada estava repleto de flores e folhas mortas.

Estava claro que ninguém morava ali há muito tempo.

O coração de Júlia afundou violentamente, como se estivesse sendo apertado com força por alguém.

10

"Lucas!"

Ela chamou o nome dele em voz alta.

Sua voz ecoou pelo ar silencioso.

Ninguém respondeu.

Ela não sabia como tinha chegado à porta, até que levantou a mão e pressionou a fechadura eletrônica.

O som do alarme que disparou a trouxe de volta à realidade.

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O som agudo e estridente atraiu alguém rapidamente.

Um homem de meia-idade gritou para ela:

"Ei! Quem é você? O que está fazendo aqui?"

Júlia virou a cabeça, com o rosto sombrio.

O homem a reconheceu imediatamente e seu rosto se encheu de sorrisos:

"Ah, é a senhorita!"

"Faz tanto tempo que a senhorita não vem para casa."

O homem era o zelador da mansão, responsável pela manutenção periódica da propriedade.

A voz de Júlia estava fria:

"O que houve com esta casa? Por que minha digital e reconhecimento facial não funcionam mais?"

O homem arregalou os olhos, surpreso:

"Senhorita, esta casa foi destruída pelo seu noivo, o jovem mestre Lucas, há algum tempo!"

"Todas as coisas foram substituídas, a senhorita não sabia?"

As pupilas de Júlia se contraíram violentamente.

"Há pouco tempo, o jovem mestre Lucas veio aqui e destruiu tudo, inclusive o portão principal!"

O homem ainda parecia assustado ao contar:

"Ele até tentou incendiar o lugar! Foi por pouco que eu o impedi com todas as minhas forças!"

"Afinal, destruir a própria casa é uma coisa, mas se o fogo se espalhasse, seria um crime grave."

O homem continuou tagarelando, mas Júlia não ouvia mais nada.

Lucas destruiu pessoalmente a casa que seria o lar deles.

Esse fato a deixou apavorada e desnorteada.

"Abra a porta para mim."

O homem se apressou em abrir a porta.

"Senhorita, por favor."

Júlia entrou na residência que pertencia aos dois.

Ela ainda se lembrava da última vez que esteve ali, trazida por Lucas.

Logo na entrada, havia uma sala de estar espaçosa e iluminada.

Decorada com o sofá de madeira que ele tanto gostava e ornamentos no estilo da Dinastia Song.

Lucas a segurava pelo braço, animado, dizendo que cada tijolo e cada fresta daquela casa tinham passado por sua aprovação pessoal, e que cada objeto e enfeite tinha sido escolhido ou desenhado por ele.

Suas palavras estavam repletas de expectativa pela vida matrimonial que iniciariam juntos.

Mas, agora.

Na sala de estar, havia apenas um sofá preto e monótono.

O que quer que seus olhos alcançassem parecia terrivelmente estranho.

Tudo o que Lucas decorara com tanto zelo havia desaparecido.

No lugar, móveis de aparência sofisticada e cara, mas sem alma alguma.

A casa por fora era impecável, mas por dentro, era assustadoramente vazia.

Ela olhou para o sofá, e a voz de Lucas ecoou em seus ouvidos.

"Depois, vou deitar neste sofá esperando você voltar para casa."

"Com aquele cobertor peludo que trouxemos da Turquia, vai ser muito confortável."

Em seguida, ela olhou para a cozinha.

Estava completamente vazia.

A imagem de Lucas mexendo nos utensílios com entusiasmo pareceu surgir diante dela.

"Ah, esta panela é para fritar, aquela ali é para fazer sopa..."

O rosto dele, com os olhos sorridentes, parecia tão real quanto se fosse ontem.

Júlia ainda se lembrava de apenas observá-lo em silêncio, raro momento em que não o contradisse.

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Talvez por não ter coragem de estragar o entusiasmo dele.

Afinal, quem disse que alguém que não sabe cozinhar não pode comprar panelas?

Ela caminhou como um zumbi, inconscientemente subindo para o quarto que seria deles.

O quarto era grande, com um closet e um banheiro.

Lucas gostava muito daquele closet, tendo planejado a utilidade de cada compartimento.

"Aqui colocaremos seus vestidos de gala, aqui nossas roupas de casal, nesta gaveta coloco meu relógio, ao lado deixo suas joias..."

Na época, o que a deixava impaciente, agora, ao ser lembrado, parecia tão caloroso.

E tão desejável.

Mas hoje, restava apenas um quarto que parecia um ambiente de mostruário.

Júlia não conseguia acreditar que Lucas realmente destruíra tudo o que construíra com as próprias mãos.

Aquilo era o que ele mais esperava!

Um amargor suave se espalhou por sua boca.

Ela não entendia por que ele fizera aquilo.

Victor não representava ameaça alguma para ele!

Porque, do início ao fim, ela nunca pensou em se casar com Victor!

O único marido que ela, Júlia, reconhecia—

Era apenas Lucas!

11

Júlia permaneceu sentada na casa matrimonial durante toda a noite.

Ao amanhecer, seu celular tocou.

Ela estava deitada no sofá, sem mover um músculo.

O toque parou e recomeçou.

Repetiu-se mais de dez vezes.

Finalmente impaciente com o barulho, ela pegou o celular e respondeu com voz irritada:

"O que foi?"

O outro lado silenciou por um segundo, antes da voz fria da mãe de Júlia ecoar:

"Júlia! Onde você está?!"

Foi então que ela olhou para o visor.

"Mãe, estou na casa que seria nossa, aconteceu alguma coisa?"

"Casa que seria sua?"

A voz da mãe não continha calor.

"Você ainda tem coragem de ir lá?"

"A parceria entre a família Júlia e a família Lucas acabou completamente."

"O que diabos você andou fazendo?!"

A pergunta severa a deixou confusa.

"Mãe, do que você está falando?"

A voz da mãe demonstrava decepção.

"Júlia, eu achei que você tivesse visão estratégica, por isso confiei a empresa a você!"

"Não esperava que, por causa de um homem, você ignorasse a parceria entre as famílias e ainda pisasse em quem está caído!"

"Agora, Lucas uniu forças com a família Clara para atacar a família Júlia. A culpa é toda sua!"

Júlia franziu a testa, sem entender.

"Mãe, o que você diz! Como eu poderia prejudicar a família Lucas, eu estava pensando—"

A mãe estava extremamente desapontada.

"Júlia, você está completamente cega!"

"A mãe de Lucas veio te implorar ajuda, você não apenas negou, como também proibiu seus hospitais de atendê-los!"

"Agora, isso repercutiu nas redes sociais e afetou gravemente as ações da nossa empresa! Se você não encontrar uma solução, não espere continuar como presidente!"

O tom estava carregado de fúria infinita.

"O quê?"

Júlia congelou, suas veias saltaram no dorso da mão que segurava o celular, e seu olhar ficou atordoado.

"A mãe de Lucas veio implorar? Pedir ajuda?"

"Eu proibi o atendimento hospitalar?"

"Eu não sabia de nada disso!"

A mãe acreditava que ela não tinha mais jeito.

"Os vídeos foram expostos na internet, veja você mesma!"

Dito isso, desligou o telefone.

Júlia abriu imediatamente as redes sociais.

Os assuntos sobre sua família estavam em alta.

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