Júlia entrou com seus seguranças, envolta em uma aura gélida capaz de congelar qualquer um.
"Lucas, você está testando os meus limites!"
Ela abraçou Victor, que desmaiou convenientemente ao vê-la chegar, e olhou para Lucas com um ódio mortal.
Lucas, sem recuar, encarou seus olhos diretamente:
"É você quem está testando os meus limites!"
"Victor não tem distúrbio de coagulação nenhum, ele fez tudo de propósito!"
Júlia olhou para ele com uma expressão de desilusão profunda, como se ele não tivesse mais jeito.
"Levem-no para o campo de beisebol e ensinem-no bem como se usa um bastão!"
Victor, no momento certo, despertou suavemente em seus braços.
Ela sussurrou, mimando-o: "Vou levá-lo para assistir a uma bela apresentação de beisebol."
No campo de beisebol.
Lucas estava preso dentro de uma jaula.
Júlia contratou jogadores profissionais de beisebol para lançarem bolas de todas as direções sem parar.
Cada bola, carregando a força colossal da aceleração, atingia impiedosamente seu rosto, nariz, peito, costelas e pernas.
Ele tentava se esquivar, mas não havia para onde fugir.
O impacto feroz rasgou facilmente os pontos de sua cirurgia recente.
Seu rosto estava inchado e roxo devido às pancadas.
Pouco tempo depois, ele já era uma massa de sangue.
Sangue represado escorria de seu nariz e boca, como se todos os seus órgãos internos tivessem sofrido danos graves.
Sua visão tornava-se cada vez mais turva.
Ainda assim, conseguia ver Júlia abraçando levemente Victor, como se o ensinasse a arremessar.
No segundo seguinte, Lucas viu Victor olhar para ele com ar de triunfo e jogar a bola que tinha na mão.
A bola atingiu em cheio o centro de sua testa.
Após ouvir o riso excitado de Victor soar em seus ouvidos, ele perdeu a consciência completamente.
O soro fisiológico que saía de seus ferimentos misturava-se naturalmente ao sangue.
Então, mesmo após dez anos, ele ainda sentia o coração partir por causa de Júlia.
Afinal, ela já fora um dia o anjo brilhante e encantador que o socorria!
Naquela década em suas memórias, independentemente de quantas vezes ela lhe lançasse olhares frios, ele sempre acreditou que ela tinha um exterior gélido e um coração caloroso.
Que, desde que ele persistisse, chegaria o dia em que o gelo derreteria.
De ser empurrado por ela repetidas vezes, até ser permitido caminhar ao seu lado, e finalmente ter o pedido de namoro aceito.
Ele sentia claramente que ela não era indiferente a ele.
Ela era fria, muitas vezes tachada de arrogante, mas lembrava-se do seu aniversário; dizia que não tinha tempo, mas seu corpo agia de forma honesta ao vê-lo jogar basquete; impedia secretamente as cartas de amor de suas admiradoras fanáticas...
Claramente, os dois poderiam ter tido um bom desfecho...
Entre o sono e a vigília, Lucas sentiu alguém enxugar suavemente as lágrimas no canto de seus olhos.
Logo em seguida, gotas de lágrimas escaldantes caíram em seu rosto.
Ele parecia ouvir vagamente o choro de Dona Helena.
Ele tentava desesperadamente abrir os olhos, mas não conseguia.
Apenas ouvia a voz embargada da mãe ecoar ao seu lado.
"Diga a Júlia que aceitei as condições dela."
"Desde que encontre o melhor médico para curar Lucas!"
5
Ao despertar novamente, Lucas descobriu que estava em um quarto VIP de um hospital.
A governanta da família Lucas, Dona Zhang, cuidava dele.
"Dona Zhang? Por que a senhora está aqui?"
Ao vê-lo acordar, ela finalmente suspirou, aliviada, e suas sobrancelhas franzidas relaxaram ligeiramente:
"Jovem patrão, estou cuidando do senhor conforme as ordens da patroa."
Só então Lucas voltou a si bruscamente.
Isso mesmo, quando estava em coma, ele claramente ouviu a voz de Dona Helena!
"Dona Zhang, onde está minha mãe?"
As lágrimas de Dona Zhang começaram a cair.
"Jovem patrão! A família Júlia é abusiva demais!"
"Eles o deixaram ferido tão gravemente e ainda proibiram todos os hospitais de tratá-lo!"
"A patroa foi implorar a Júlia por você, mas não imaginava que ela exigisse que a patroa endossasse os produtos de design do Sr. Victor e ainda garantisse a entrada deles nos shoppings pertencentes ao grupo Lucas!"
"A patroa viu os designs do Sr. Victor, são obras de qualidade baixíssima! Mas Júlia usou a sua vida para chantagear a patroa!"
Dona Zhang, enquanto enxugava as lágrimas, continuou:
"A patroa agora está sendo forçada a participar do corte da fita para a inauguração da marca do Sr. Victor!"
O rosto de Lucas mudou drasticamente e, sem pensar, tentou arrancar o acesso do soro.
Dona Zhang tentou impedi-lo: "Jovem patrão, o que o senhor vai fazer! Seus ferimentos nem cicatrizaram!"
Ele cerrou os dentes, suportando a dor, determinado a sair do hospital.
"Mesmo que eu morra, não deixarei Victor manchar a reputação da minha mãe!"
Quando Lucas chegou ao shopping, a cerimônia de corte da fita já havia acabado.
Victor estava de pé no centro, exibindo seus trabalhos com orgulho.
Dona Helena estava ao lado, com o rosto pálido.
O coração de Lucas apertou-se violentamente, e seus olhos ficaram vermelhos.
O grupo Lucas cresceu através do mercado de joias de luxo, e seu sucesso atual era inseparável da reputação de Dona Helena como designer renomada mundialmente.
O que Dona Helena mais valorizava e se orgulhava era seu senso estético.
Todos sabiam que qualquer marca de designer endossada por ela estava destinada a se tornar uma tendência internacional.
E, por causa de Lucas, Dona Helena teve que vender sua própria reputação para apoiar Victor!
Para ela, isso não era menos que um assassinato!
Lucas caminhou passo a passo até o estande de exposição e, ao olhar para a biografia de Victor, exibiu um ar de sarcasmo:
"Designer de vanguarda?"
"Você acha que merece esse título?"
O rosto de Victor empalideceu.
"Lucas, sei que você não gosta de mim, mas não pode insultar meu trabalho!"
"Estes trabalhos são o suor do meu rosto! São o fruto de cada detalhe que poli!"
Sem esperar pela reação de ninguém, Lucas agarrou um colar.
"Este colar é uma cópia da nova coleção de verão da marca M, não é?"
"E esta pulseira, copiou o clássico da marca D; este brinco, copiou o sucesso de vendas da marca C do ano passado..."
"Fruto do seu suor?"
"Este tipo de lixo merece ser chamado de obra? Merece que minha mãe endosse e faça marketing para você?!"
Ao terminar de falar, Lucas pegou todos os trabalhos de Victor e os jogou diretamente no bueiro ao lado!
O sangue sumiu do rosto de Victor.
Ele olhou para Júlia, sentindo-se injustiçado:
"Júlia, aqueles trabalhos... foram os que levei três anos no exterior para desenhar e fabricar pessoalmente..."
Sem que ele precisasse dizer mais nada, a expressão dela já estava extremamente sombria.
Júlia agarrou o pulso de Lucas:
"Você já terminou?!"
"Eu só lhe concedi o melhor tratamento por respeito à sua mãe, não para que você tivesse forças para ferir Victor!"
Lucas se soltou e encarou-a diretamente:
"Júlia, eu prefiro morrer a ser salvo por você!"
O rosto dela mudou instantaneamente, e seu coração sentiu um aperto brusco.
Observando os olhos furiosos dele, o desconforto e a irritação em seu coração tornaram-se ainda mais intensos.
"Teimoso!"
"Peça desculpas ao Victor!"
Ele riu, frio: "Nem em sonho!"
Júlia, com a expressão congelada, ordenou com voz fria:
"Alguém, abra a tampa do bueiro e deixe que o jovem patrão vá pessoalmente buscar os trabalhos de Victor!"
6
No evento de hoje, todas as pessoas influentes e de alto nível estavam presentes.
Ao ouvirem as palavras de Júlia, os olhares de surpresa de todos se voltaram para Lucas.
Pôde-se ver que os guarda-costas de Júlia já o tinham cercado completamente.
Um funcionário abriu a tampa do bueiro e, instantaneamente, um odor fétido emanou do esgoto, fazendo com que todos os presentes franzissem o cenho.
Lucas, com as mãos dominadas pelos guarda-costas, encarou Júlia com um olhar desafiador:
"Júlia, querer que eu catasse o lixo de Victor? Só na próxima encarnação!"
A irritação dela aumentou ainda mais, e ela ordenou:
"Joguem-no no esgoto. Não o deixem subir enquanto não recuperar as obras de Victor!"
Vendo Lucas ser pressionado pelos guarda-costas em direção ao imundo esgoto, a Sra. Helena não conseguiu mais se conter.
"Júlia, você foi longe demais! Lucas é o herdeiro da família, como pode sofrer esse tipo de humilhação!"
"Pare imediatamente! Caso contrário, chamarei a polícia!"
Júlia soltou uma risada leve, com uma voz sinistra:
"Tudo bem, a Sra. Helena pode chamar a polícia se quiser."
Ela abriu o celular, exibiu o vídeo em que Lucas, segurando um bastão de beisebol, destruía completamente equipamentos caríssimos do hospital do grupo Júlia, sem qualquer receio:
"Se a polícia vier, aproveitarei para entregar este vídeo a eles."
"Se é melhor ir para a cadeia ou perder a reputação, a Sra. Helena deveria pensar bem!"
A respiração de Dona Helena parou; tremendo de ódio, seu corpo já debilitado não suportou a fúria e ela desmaiou imediatamente.
Sob o olhar de todos, Lucas foi forçado pelos guarda-costas para dentro do fétido esgoto.
Ele prendeu a respiração instintivamente ao ser atingido pelo mau cheiro.