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《O Pacto do Esquecimento》Capítulo 11

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Capítulo 11: O Preço do Sangue

O ar na mansão Waldemar tornou-se irrespirável quando Dante irrompeu no corredor principal, seus olhos varrendo as sombras em busca de Elena. Ele mal dera três passos antes que a guarda de elite da família surgisse, envolvendo-o com uma precisão mecânica e impiedosa que não deixava margem para erros.

Silas, cujos olhos haviam recuperado o brilho gélido da visão, surgiu no topo da escadaria como um deus caído que retomara seu cetro.

Ele olhou para Dante com um desdém que parecia envelhecer o ar ao redor, seus lábios mal se movendo para proferir a sentença final que selaria o destino daquela noite.

"Eliminem este intruso," Silas ordenou, sua voz ecoando sem a menor sombra de hesitação. "A presença dele é um insulto à ordem desta casa e ao que aqui pertence."

A cena que se seguiu foi uma coreografia de brutalidade silenciosa, onde as lâminas da guarda encontraram o corpo de Dante antes que ele pudesse sacar sua própria arma.

Elena emergiu de uma câmara lateral e travou, o horror paralisando seus pulmões enquanto ela assistia ao homem que a amava como uma irmã ser reduzido a um monte de destroços humanos.

Dante caiu sobre os próprios joelhos, o sangue tingindo o chão de mármore com uma rapidez obscena. Elena correu até ele, ignorando os guardas, e o segurou em seus braços enquanto o último suspiro de vida abandonava seu peito em um som gutural.

"Dante, por favor, olhe para mim," ela implorou, as mãos manchadas de vermelho enquanto tentava, inutilmente, estancar o fluxo vital que escapava pelos ferimentos fatais.

O olhar de Dante, antes carregado de uma determinação inabalável, tornou-se vidrado e distante, fixando-se no teto alto da mansão. Ele forçou um último sorriso, um gesto que parecia uma prece final para a garota que ele tentara salvar daquela teia.

"Ele nunca te amou, Elena," Dante sussurrou, a voz falhando enquanto a vida se esvaía em um suspiro final. "Ele apenas te consumiu até restar o que ele podia controlar."

Elena desabou sobre o corpo inerte, a destruição em sua alma atingindo um nível de vazio que nenhuma magia poderia preencher jamais.

O silêncio que se instalou no salão era mais pesado do que qualquer grito, um eco de uma perda que reescreveria a realidade de sua existência.

Silas permaneceu no alto da escadaria, gelado e imóvel, observando a cena com uma neutralidade que tornava o ato de respirar insuportável para ela. Ele não via Dante como um homem, mas como um erro que precisava ser corrigido em seu tabuleiro de xadrez eterno.

"Levante-se, Elena," Silas ordenou, descendo os degraus com a elegância de um predador que não admite questionamentos. "Sua demonstração de fragilidade é tão inútil quanto a vida dele."

Ela não levantou o olhar, sua mente mergulhando em um abismo de ódio puro que parecia queimar as próprias lágrimas em seus olhos.

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O homem que ela amava com um ódio absoluto estava ali, a poucos metros de distância, intocável e indiferente ao sangue que cobria suas vestes.

"Você não o matou por ser um intruso," ela disse, sua voz saindo como um sibilo letal carregado de uma lucidez terrível. "Você o matou porque ele era a última coisa que me mantinha ligada a quem eu realmente sou."

Silas parou, uma sombra de irritação cruzando seu semblante, um lampejo de frustração por ela ainda manter um fragmento de si mesma fora de seu alcance.

Ele sabia que a reconciliação agora era um conceito impossível, uma ponte que fora queimada pelo próprio sangue que se espalhava pelas lajovas de pedra.

"Eu o matei porque ele impedia que você compreendesse o seu propósito," ele retrucou, sua mão estendendo-se como se pudesse, ainda assim, guiá-la. "Tudo o que fiz, e tudo o que farei, é para garantir que a sua essência permaneça pura para a linhagem."

Elena sentiu o ódio pulsar em suas veias como uma chama viva, uma energia que ela sabia ser a única coisa que a mantinha presa àquela realidade.

O ódio por Silas era, agora, a única definição de seu próprio ser, uma âncora que a impedia de desaparecer completamente.

"Pura? Você chama essa agonia de pureza?", ela perguntou, levantando-se lentamente, o peso do corpo de Dante ainda presente em suas mãos.

"Você é o mestre da ruína, Silas, e eu serei o fogo que reduzirá este castelo a cinzas."

Silas manteve sua postura tirânica, embora uma tensão incomum percorresse seus ombros ao notar o brilho estranho que emanava da marca em seu pulso.

Ele compreendeu, naquele momento, que o custo do sangue de Dante era a própria segurança de seu domínio.

"Você não tem o poder para me destruir, pequena arquivista," Silas afirmou, embora houvesse uma vacilação imperceptível em sua voz. "Você é o resultado da minha própria vontade."

Elena não respondeu; ela apenas olhou para o corpo de Dante uma última vez, uma despedida que não precisava de palavras para ser sentida na carne.

A morte dele tornara o caminho de volta uma impossibilidade absoluta, uma linha traçada no sangue que nunca poderia ser apagada.

O vazio no peito de Elena era imenso, um buraco negro que absorvia toda a luz e esperança que ela um dia carregara.

Ela sabia que, a partir daquele momento, sua vida seria uma marcha implacável em direção à vingança, não importando o que ela mesma teria que sacrificar.

Silas, ainda de pé no centro do salão, parecia uma estátua de gelo, uma figura solitária em um reino que começava a colapsar sob sua própria arrogância. Ele esperava um gesto, uma palavra, um movimento de rendição que nunca viria.

Elena deu um passo à frente, mas suas pernas cederam, a exaustão física e emocional cobrando o preço do horror vivido.

O mundo ao seu redor começou a girar, as paredes da mansão parecendo se fechar como os dentes de uma fera gigantesca.

Ela desmaiou sobre o peito de Dante, seus dedos ainda presos nas roupas dele como se tentasse, em seu desespero, trazer de volta o calor que se dissipara. O silêncio retornou ao salão, um manto de morte que parecia celebrar a conclusão daquela tragédia.

Silas permaneceu parado, gelado e imóvel, uma sentinela de mármore diante do abismo que ele mesmo criara.

Ele olhou para a garota que ele tentara moldar e percebeu, pela primeira vez, que havia perdido o controle sobre a peça mais importante de seu jogo.

A mansão respirava, um suspiro profundo que vinha de suas fundações centenárias, como se estivesse sentindo o gosto daquela perda.

Não haveria mais paz naqueles corredores; a vingança havia sido semeada com sangue, e logo, ela brotaria como uma praga incontrolável.

Elena, inconsciente, não podia sentir o olhar gélido de seu carrasco, nem a agitação que começava a surgir nos corredores da mansão.

A noite estava longe de terminar, e o destino daqueles dois seres estava selado por um pacto que o sangue de um homem inocente quebrara para sempre.

Silas deu as costas ao casal e caminhou em direção aos seus aposentos, seu passo ainda firme, mas sua alma começando a desmoronar em silêncio.

Ele sabia que o preço do sangue que ele exigira seria cobrado, átomo por átomo, até que não restasse nada.

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