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《O Pacto do Esquecimento》Capítulo 6

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Capítulo 6: O Despertar da Chama Âmbar

O Salão Principal da mansão Waldemar, antes um símbolo de autoridade intocável, estava agora mergulhado em uma atmosfera de ruína e expectativa. Lady Isolde, com seu vestido de seda escarlate que parecia manchado de sangue, caminhou em direção a Elena com a dignidade de uma rainha prestes a executar uma sentença.

Elena sentia o peso dos olhares dos guardas remanescentes, cada um deles esperando um sinal da matriarca para desferir o golpe final. Ela ainda estava atordoada pelo confronto recente, mas a nova percepção que ganhara sobre as linhas de energia a mantinha em pé.

"Você acha que descobriu algum segredo, pequena serva?", a voz de Isolde ecoou, carregada de uma autoridade que parecia dobrar as vigas do teto. "Você não é nada além de um recipiente que está prestes a transbordar e quebrar."

Isolde estendeu as mãos, e uma névoa violeta começou a se materializar ao seu redor, contorcendo-se como vermes famintos no ar. Ela não precisava de armas físicas, pois sua magia tinha o poder de arrancar verdades da alma de qualquer um.

"Fale agora", a matriarca comandou, enquanto a névoa avançava sobre Elena. "Confesse cada pecado, cada traição, e deixe que a luz da nossa linhagem purifique sua existência patética."

Elena tentou recuar, mas seus pés pareciam presos ao chão por correntes invisíveis criadas pela vontade de Isolde.

A névoa tocou seu rosto, e ela sentiu as memórias restantes serem forçadas para fora, uma por uma, com uma dor dilacerante.

"Eu não tenho nada a confessar", Elena gritou, lutando contra o esforço brutal de sua mente. "Sua família é a única que precisa ser exposta pelo que realmente é."

Isolde soltou uma risada que soou como vidro quebrado, aumentando a pressão mágica sobre o peito da garota. "A rebeldia é o último estágio antes da quebra total, querida."

Elena sentiu seus joelhos cederem, a pressão sobre seu coração ameaçando interromper seus batimentos. De repente, ela não sentiu mais o frio da magia de Isolde, mas um calor crescente que surgia de dentro de seu próprio âmago.

Ela fechou os olhos com força, focando no vazio que Silas criara nela e que ela agora decidira habitar. Em vez de resistir à névoa, ela abriu-se para o calor, permitindo que a essência âmbar que ela vira no pulso se espalhasse por suas veias.

Uma luz intensa e dourada, quente como o sol em um deserto, irrompeu de seus olhos.

O brilho era tão puro e violento que as cortinas de veludo pesado ao redor do salão começaram a se inflamar instantaneamente.

"O que é isso?", Isolde gritou, protegendo os olhos com o braço enquanto a luz âmbar avançava. "Como você pode conter tanto poder sem ser incinerada?"

O salão começou a tremer, pedras soltando-se do teto enquanto a energia de Elena reescrevia a realidade ao seu redor.

Silas irrompeu no salão vindo do corredor principal, seus olhos cinzentos arregalados pela primeira vez em décadas.

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Ele viu Isolde ser repelida pela onda de choque, mas seu foco total estava em Elena, que flutuava no centro da destruição. Ele correu em direção a ela, ignorando os escombros que caíam ao seu redor como chuva de pedra.

"Elena, pare!", Silas implorou, sua voz falhando pela primeira vez em toda a sua vida eterna. "Você vai destruir a si mesma!"

Ele não esperou por uma resposta, saltando sobre ela e envolvendo-a com o próprio corpo em uma tentativa desesperada de conter a radiação da chama.

O impacto do choque mágico foi tão forte que ambos foram arremessados contra a parede de mármore, derrubando painéis inteiros.

A luz âmbar diminuiu gradualmente, deixando apenas o cheiro de ozônio e tecido chamuscado no salão. Silas estava sobre ela, sua capa destruída, seus olhos fixos na garota que ele acreditava ser apenas um brinquedo.

Elena ofegava, o calor ainda vibrando em seus ossos, mas a sensação de vazio em sua mente parecia ter sido preenchida por algo muito mais antigo e perigoso. Ela olhou para Silas, vendo a máscara de indiferença dele completamente desfeita.

"Você sabia," ela sussurrou, a voz ainda ressoando com um eco sobrenatural. "Você sabia que eu não era um recipiente vazio, mas um receptáculo para algo que você temia."

Silas não respondeu, sua respiração pesada misturando-se à dela enquanto a energia ainda dançava como faíscas ao redor deles.

O medo que ele demonstrava não era pela sua própria vida, mas pela criatura que ele acabara de despertar.

Lady Isolde levantou-se dos escombros, seu rosto pálido e seus olhos brilhando com uma ganância maníaca que ultrapassava o ódio. Ela não parecia mais assustada; ela parecia ter encontrado o tesouro que a família Waldemar buscava por séculos.

"O sacrifício perfeito", Isolde murmurou, seus dedos tremendo de excitação. "Não é apenas sangue que ela carrega, é a chama que queimou os primeiros deuses."

Ela virou-se para os guardas sobreviventes, seus olhos focados apenas na figura de Elena protegida por Silas. "Não a matem, pois ela é a chave que reescreverá a nossa linhagem."

Elena olhou para a matriarca e, com a nova consciência que possuía, viu não apenas a vilã, mas a própria fraqueza de Isolde.

A mulher estava faminta por um poder que ela nem sequer seria capaz de tocar sem ser consumida.

Ela sentiu o braço de Silas apertar-se contra o dela, uma proteção que agora parecia uma forma de aprisionamento ainda mais cínica.

Ele a queria para si, não apenas para o Pacto, mas para controlar o poder que agora vivia dentro dela.

"Acha que pode me manter aqui agora que eu vi o que sou?", Elena perguntou, sua voz carregada de um desafio que fez o próprio Silas tremer.

"Eu acho que você não tem ideia do que acabou de libertar," Silas respondeu, sua voz voltando a ser aquele sussurro de gelo que ela tanto detestava.

"E eu sou o único que pode impedir que você se autodestrua."

Elena tentou se levantar, mas a exaustão física começou a sobrepujar sua nova força. Ela sentiu seu corpo pesar, as faíscas de âmbar diminuindo para um brilho pálido em seus olhos.

Silas a segurou com firmeza, carregando-a com uma facilidade que antes a teria feito sentir-se uma prisioneira, mas que agora parecia um pacto de conveniência. Ele a conduziu para longe do salão, ignorando as ordens de Isolde que ecoavam atrás deles.

"Para onde você está me levando?", ela perguntou, sua voz fraca mas ainda carregada de desdém.

"Para um lugar onde nem minha mãe, nem os invasores, possam encontrar o seu despertar," ele respondeu, sem olhar para trás.

Eles deixaram o salão para trás, enquanto os guardas de Isolde começavam a selar os portões da propriedade.

O jogo tinha mudado de escala, e agora a caça não era mais por memórias, mas pela própria alma da realidade.

Elena fechou os olhos, a escuridão do corredor trazendo o último vestígio daquela chama âmbar. Ela agora entendia que, se fosse um sacrifício, seria o mais devastador que a família Waldemar já ousara conceber.

O vazio em sua mente não a assustava mais; ela sabia que esse vazio fora criado apenas para dar espaço a tudo o que ela ainda estava prestes a recuperar.

Silas a mantinha perto, acreditando que a controlava, sem perceber que a chama que ele tentara conter estava apenas começando a queimar.

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