《Rendida ao Alfa: O Retorno do Fantasma》Capítulo 8

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Capítulo 8

A mansão Souza, outrora um ambiente frio e intimidante, começou a sofrer uma transformação silenciosa, mas profunda, sob a vigilância de um homem que tentava aprender a ser pai.

Rodrigo, acostumado a comandar exércitos e corporações, via-se agora perdido em tarefas cotidianas que exigiam uma delicadeza que ele jamais desenvolvera.

Naquela manhã, ele entrou na cozinha segurando uma mamadeira com um cuidado quase exagerado, como se carregasse um artefato de valor inestimável.

"O leite está na temperatura correta, eu testei três vezes no pulso," ele disse para Elara, que observava a cena com uma mistura de surpresa e cautela.

Elara, que estava sentada à mesa lendo documentos de espionagem, baixou os papéis e fixou os olhos nele por um longo momento.

"Você não precisa fazer isso, Rodrigo, eu sei cuidar dele," ela respondeu, sua voz não sendo mais o ataque de antes, mas sim uma observação neutra.

Ele se aproximou do berço onde Leo brincava, seus movimentos ainda rígidos, mas carregados de uma intenção puramente afetuosa.

"Eu sei que você sabe, Elara, mas eu quero aprender a ser alguém que ele possa ter orgulho," ele confessou, sem desviar o olhar do menino.

Leo soltou uma risadinha, esticando as mãos pequenas na direção de Rodrigo, que prontamente o pegou com uma habilidade desajeitada, mas genuína.

Elara sentiu uma pontada no peito ao ver o homem impiedoso que ela temia agora se reduzindo a um pai inseguro e dedicado.

"Você está mudando a ordem das coisas, e isso me assusta tanto quanto a sua frieza antiga," ela murmurou, sentindo-se vulnerável pela primeira vez.

Rodrigo sentou-se na poltrona próxima, segurando a criança contra o peito com uma ternura que ele nunca pensou ser capaz de sentir.

"Eu passei tanto tempo buscando poder que esqueci que a única coisa que realmente importava era o que eu tinha jogado fora," ele admitiu, a voz embargada.

"Pedir perdão não apaga o que aconteceu nos últimos cinco anos, Rodrigo," ela disse, levantando-se e aproximando-se lentamente dele.

Ele ergueu o olhar para ela, e havia uma honestidade crua em suas íris azuis, despida de qualquer artifício de magnata.

"Eu não peço que apague, eu peço apenas que me dê a chance de tentar compensar cada dia de medo que eu causei," ele disse com sinceridade.

Elara ficou em silêncio por um longo momento, avaliando a sinceridade naquelas palavras que soavam tão estranhas vindas de um Souza.

"Eu vi o seu plano, Rodrigo, eu sei que você sabe sobre Mateo e o que ele planeja," ela disse, mudando subitamente de assunto com uma seriedade gélida.

Rodrigo suspirou, balançando Leo suavemente, enquanto a sombra de seu antigo eu parecia pairar sobre o recinto.

"Mateo acha que é um herói, mas ele não entende os perigos reais que cercam vocês nesta casa," ele retrucou, sua voz retomando um pouco da firmeza de Alfa.

"Ele é a única pessoa que esteve ao meu lado quando eu era nada para você," ela respondeu com firmeza, defendendo o homem que a acolhera.

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Rodrigo sentiu uma pontada de ciúme, mas respirou fundo, forçando-se a manter a compostura que a paternidade começava a lhe exigir.

"Eu não sou um monstro, Elara, eu só não quero que ele coloque vocês em um fogo cruzado que não saberá extinguir," ele ponderou com calma.

Elara desviou o olhar para a janela, onde o sol da tarde começava a tingir o horizonte com tons de âmbar e violeta.

"Nós vamos lidar com Mateo juntos, como dois parceiros, e não como carcereiro e prisioneira," ela propôs, selando o acordo silencioso.

Rodrigo acenou positivamente, sentindo que aquele era o primeiro passo para uma redenção que ele nem sabia se merecia.

Ao cair da noite, quando a mansão mergulhava em um silêncio pesado e perigoso, Rodrigo não foi para o seu quarto.

Ele puxou uma cadeira de madeira e sentou-se na frente da porta do quarto de Elara, a arma estrategicamente posicionada ao seu alcance.

Ele vigiava cada sombra, cada ruído que vinha do jardim, garantindo que ninguém pudesse ultrapassar aquela linha.

Elara abriu a porta por volta da meia-noite, encontrando-o ali, estático, como um guardião medieval em pleno século vinte e um.

"O que você está fazendo aqui, Rodrigo?" ela perguntou, sua voz suave, quase um sussurro que rompeu o silêncio da madrugada.

Ele se levantou rapidamente, um pouco sem jeito, tentando justificar sua presença enquanto ajeitava o terno amassado.

"Eu só queria ter certeza de que você e o Leo estivessem seguros, nada mais," ele respondeu, evitando o olhar dela.

Elara observou a vulnerabilidade exposta naquele gesto, percebendo que a mudança dele era muito mais profunda do que imaginara.

"Você não precisa se transformar em um cão de guarda, eu sei me proteger," ela disse, encostando-se no batente da porta.

"Eu não sou um cão de guarda, eu sou um pai e um homem que quer proteger o que é mais precioso," ele corrigiu, com uma determinação inabalável.

Ela sentiu o peso daquelas palavras, e pela primeira vez, a raiva que sentira por ele começou a dar lugar a algo mais complexo.

"Durma pelo menos um pouco, o dia de amanhã será longo e cheio de desafios," ela sugeriu, fazendo menção de voltar para o quarto.

Ele sorriu, um gesto pequeno e desajeitado, mas que iluminou seu rosto de uma maneira que ela achou estranhamente cativante.

"Eu durmo quando tiver certeza de que não há mais ameaças lá fora," ele respondeu, voltando a sentar na cadeira.

Elara fechou a porta lentamente, sabendo que ele ficaria ali, vigiando cada respiração sua durante a noite inteira.

Ela deitou-se na cama, sentindo um conforto inusitado por saber que o homem que antes a caçara agora era seu escudo.

A mudança de Rodrigo era genuína, e embora ela ainda mantivesse suas defesas, a barreira entre eles começava a ruir.

O plano de Mateo ainda pairava como uma ameaça no ar, mas, por aquela noite, a mansão Souza parecia um lugar seguro.

Elara fechou os olhos, finalmente permitindo-se um sono profundo, confiante na guarda do homem que um dia ela jurou destruir.

Rodrigo permaneceu ali, imóvel, sentindo que a vida que ele tanto desprezara agora tinha um significado que ia além de dinheiro e títulos.

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