《Rendida ao Alfa: O Retorno do Fantasma》Capítulo 3

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Capítulo 3

A mansão dos Souza era uma fortaleza de mármore e silêncio, um monumento à riqueza que prendia Elara em um luxo sufocante.

Cada passo que ela dava pelo corredor de azulejos importados era monitorado por câmeras escondidas atrás de arandelas de cristal.

Rodrigo a mantinha ali não com correntes, mas com a ameaça implícita de que Leo estaria sob vigilância constante em outro lugar.

"O café da manhã está servido no solário, senhora," uma governanta de rosto inexpressivo anunciou, parada na porta do quarto.

Elara forçou um sorriso pálido, a máscara de Bia, a esposa dócil que ele esperava encontrar, encaixando-se perfeitamente em seu rosto.

"Obrigada, dona Alzira, já vou descer," ela respondeu com uma suavidade estudada.

Assim que a mulher se retirou, Elara voltou a observar o ritmo dos seguranças que circulavam pelos jardins.

Eram homens treinados, com rotinas precisas de troca de turno a cada seis horas, exatamente às seis e às doze.

Ela contava os segundos, memorizando cada ponto cego no perímetro entre a piscina e o portão de serviço.

"Você parece perdida em pensamentos," a voz de Rodrigo ecoou pelas costas dela, fazendo-a girar rapidamente.

Ele estava parado na soleira da porta, observando-a com aquele olhar analítico que parecia querer despir sua alma.

"Apenas apreciando a vista, Rodrigo," ela disse, fingindo uma nostalgia que não sentia.

"A mansão é grande, mas não é um labirinto, você não precisa se preocupar em se perder," ele respondeu, caminhando até ela com passos lentos.

Elara sentiu o perfume amadeirado dele preencher o espaço, mas manteve a postura relaxada.

"Às vezes, o tamanho dos lugares só nos faz sentir mais solitários," ela murmurou, desviando o olhar para a janela.

Rodrigo estendeu a mão, mas parou no ar, um gesto estranhamente hesistante que ela notou com cautela.

"Solidão é um preço pequeno a se pagar pela proteção que você e o menino têm aqui," ele afirmou, o tom de voz quase uma desculpa.

"Proteção ou prisão, Rodrigo?" ela perguntou, desafiando-o com um brilho de fragilidade calculada nos olhos.

Ele se aproximou um pouco mais, o rosto tão perto que ela podia ver o reflexo de seu próprio medo contido na íris dele.

"Chame como quiser, desde que você não tente sair novamente," ele respondeu, a ameaça velada sob a superfície da calma.

"Eu não tenho para onde ir, você garantiu isso muito bem," ela sussurrou, abaixando a cabeça em uma submissão fingida.

Rodrigo pareceu satisfeito com aquela demonstração de derrota e finalmente se virou para sair do quarto.

"Fique confortável, o jantar hoje será com investidores importantes, quero você impecável," ele ordenou antes de fechar a porta.

Assim que o som dos passos dele se perdeu no corredor, a expressão de Elara mudou completamente.

Ela correu até a estante de livros de mogno, cujas costas ocultavam um pequeno painel de segurança.

Com movimentos ágeis, ela digitou a sequência numérica que observara Rodrigo usar no dia anterior, quando ele acreditava que ela dormia.

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O compartimento se abriu, revelando um cofre embutido na parede, protegido por uma trava eletrônica simples.

O código era o aniversário de Leo, uma ironia cruel que ele usava para manter seus segredos mais caros.

Dentro, entre joias e documentos, estava uma pequena caixa de veludo azul que ela reconheceu imediatamente.

Ela abriu a tampa, encontrando uma foto antiga dos dois, tirada na época em que ela ainda acreditava em suas promessas.

Naquela imagem, eles sorriam, jovens e cegos pela obsessão que, mais tarde, se tornaria a ruína de ambos.

"Você ainda guarda isso?" Elara sussurrou para a foto, sentindo um aperto doloroso no peito.

Ela sabia que aquela lembrança era a prova de que, no fundo, ele ainda nutria uma esperança doentia por ela.

Elara guardou a foto dentro do forro de seu próprio sutiã, um esconderijo que ele nunca ousaria tocar.

O peso daquele papel contra sua pele era um lembrete constante de que ela não estava ali apenas para sobreviver.

Ela fechou o cofre com cuidado, deixando tudo exatamente como encontrara antes de ouvir um ruído estranho.

"Está tudo bem aí dentro, senhora?" a voz de dona Alzira soou novamente do outro lado da porta.

Elara respirou fundo, recuperando a calma de sua personagem, e respondeu com voz tranquila.

"Sim, estou apenas escolhendo um livro, a leitura é minha única companhia aqui," ela disse, forçando um suspiro cansado.

"Compreendo perfeitamente, o patrão ordenou que trouxessem mais exemplares de literatura clássica para a senhora," a governanta respondeu.

Elara sentou-se na poltrona e pegou um livro aleatório, folheando as páginas enquanto seu cérebro processava a planta da casa.

Ela precisava de um plano que envolvesse o sistema de segurança do portão oeste, onde o fluxo de carros era maior.

A solidão forçada era a sua maior aliada, pois ninguém desconfiava que, por trás daquela mulher triste, o Ghost estava traçando táticas militares.

Cada refeição era uma oportunidade para analisar os hábitos dos seguranças e descobrir onde as chaves eram guardadas.

À noite, a mansão se transformava em um mausoléu de sombras, o momento em que o Ghost despertava.

Ela podia ouvir o som dos alarmes sendo armados e a mudança de postos dos guardas através da parede.

"Você não sabe com quem está lidando, Rodrigo," ela murmurou para si mesma, olhando para a escuridão do jardim.

O jogo tinha acabado de começar, e ela seria a única a permanecer de pé quando a poeira baixasse.

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